ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe

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terça-feira, 19 de julho de 2011

O Original

Tiro ao Álvaro

Elis Regina

Composição: Adoniran Barbosa

De tanto levá "frechada" do teu olhar
Meu peito até parece, sabe o quê?
"Táubua" de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furá.


Teu olhar mata mais
do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que peixeira de baiano.


Teu olhar mata mais
 que atropelamento de "automóver"
Mata mais
 que bala de "revórver".

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Prenda de Natal



Pode ir aqui ler a tradução da Christmas Song, a um blog que vale a pena visitar!

Jethro Tull é um dos grupos da era dourada do Rock de que mais gostei - pelo líder ser um flautista, por se estender pelo Folk, Jazz, por ser sempre pouco alinhado pelo gosto da moda e pela irreverência!

domingo, 21 de novembro de 2010

NYCO - Perto da Perfeição



The NYCO is:  Marty Ehrlich (reeds), Doug Wieselman (reeds), Briggan Krauss (alto sax), Douglas Yates (reeds), Andy Laster (bari sax), Riley Mulherkar (trumpet), Zubin Hensler (trumpet), Ron Horton (trumpet), Chris Stover(trombone), Andy Clausen (trombone), Mark Taylor (french horn), Robin Holcomb (piano, conductor),Wayne Horvitz (piano, conductor), Lindsey Horner (bass), and Bobby Previte (drums).

Ensemble formado em 1986, com apenas dois registos publicados (1990,1992) a New York Composers Orchestra, reuniu-se de novo para celebrar o seu 25º Aniversário, para um concerto duplo em New York (26 Outubro de 2010), tendo vindo ontem encerrar o Guimarães Jazz 2010.
Integrando a quase totalidade dos seus fundadores, este coletivo de 13+2 elementos (Robin Holcomb e Wayne Horvitz - foto e principal mentor- na direção), fechou de forma memorável o festival.
Trata-se de um conjunto de músicos maduros, excelentes intérpretes, confortáveis em variados registos estilísticos, que sobre as peças escritas interpretadas, mantiveram uma dinâmica improvisadora coerente, adequada, sem excessos exibicionistas.
Com um som a remeter tanto para as suites de metais de Stravinsky, como para  Ellinghton ou Mingus, sem abdicar de evocar toda a história do Jazz (pareceu-me ouvir até Sun Ra), resultou uma estética final comporânea e culta, onde porém a emoção continua a ter o seu lugar.
Alternando momentos de orquestra de câmara erudita, com celebrações free, o duo rítmico de Lindsey Horner e Bobby Previte, manteve sempre uma linha condutora bem sinalizada, sem qualquer risco para o público se perder.
Jazz intelectual, branco (um negro em quinze), urbano down town, académico, mas sem ser pretensioso, frio ou amnésico.
Música a assumir todo o passado e a revelar muito do futuro.
Música perto da perfeição!

(A Orquestra de Jazz do ESMAE, que tocou à tarde, a apresentar o resultado dum trabalho de uma semana, com os jovens músicos do grupo também novaiorquino The Story, soou muito agradávelmente e garantindo a esperança dum futuro rico para o Jazz em Portugal. Mas também ajudou, ao servir de referência, a perceber que a NYCO, está num plano incomparável, a que talvez um ou outro destes jovens possa um dia ambicionar aceder!)

(Mais tarde ainda houve jam session, com the Story e ..., e festa de encerramento! Um festival é mais do que uma soma de concertos - e em Guimarães notava-se uma mobilização da cidade em torno do evento (nos bares, restaurantes, salas de exposições, turismo). Um bom exemplo!)

domingo, 14 de novembro de 2010

Meditações em Bad Trip


Diz o press release, profusamente difundido: "Esta formação reúne três dos maiores saxofonistas vivos da cena jazzística mundial: Joe Lovano, Dave Liebman e Ravi Coltrane". Já mais difícil era saber que estariam em palco com Phil Marcowitz (piano), Cecil McBeee (baixo) e Billy Hart (bateria), uma secção rítmica (e mais que isso) de sonho.
Uma sala excelente (Centro Cultural Vila Flor - Guimarães), inserido num festival com uma ótima tradição de música e público.

O concerto foi uma suite em 4 ou 5 andamentos, tocada sem pausas, ao longo de 90 minutos, em torno das "Meditations Suits" de John Coltrane.
A minha impressão é que se tratou do maior desperdício de talentos de que tenho memória ter assistido.
Fruto de uma obsessão ideológico-conceptual, que retirou toda a espontaniedade aos músicos e impediu a interação criativa do coletivo, presenciamos uma música sofrida, em tom de requiem free-jazz, talvez em memória às bad trips de Coltrane na sua última fase (de onde datam as First Meditations-1965 e Meditations-1966) numa altura em que juntou o consumo de LSD ao da heroína, drogas que atormentaram os últimos anos do músico que viria a falecer em 1967 com 40 anos.
O que apesar de tudo em Coltrane era excesso, espontaniedade e recusa de regras, aqui soou a excesso de regras e formatação, em ambiente de velório de Centro Cultural.