ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Caminhar - siga as setas amarelas!

Terminei ontem a etapa que me faltava do troço do Caminho de Santiago, que vai de Viana do Castelo a Valença (caminho português da costa).
Para quem gosta de caminhar, o caminho de santiago constitui uma excelente oportunidade, pois há a garantia de uma boa sinalização e de um trajeto a grande parte das vezes agradável. Não tem mais que seguir as setas amarelas que balizam o caminho!
De Viana, saindo de detrás do hospital, segue a meia encosta do monte de Santa de Luzia até Âncora e de lá por um trajeto mais junto à costa por Moledo até Caminha. Aqui, sugiro a eventuais interessados que em Moledo se mantenham junto ao mar, ao contrário das indicações, atravessem o pinhal do Camarido e cheguem a Caminha pela foz do Minho, o que constitui um trajeto muito mais agradável que o marcado.
São vinte e poucos Kms deliciosos, cerca de 5 horas de caminhada e que podem constituir, tal como qualquer das outra etapas, uma boa maneira de passar um dia de fim de semana, uma folga ou até uma tarde sem perspetivas, o que foi o caso de ontem.
Parti de Caminha rumo a Cerveira e o trajeto depoisr de Seixas faz-se também a meia altura, com o Minho sempre a namorar-nos cá em baixo. Nesta estação não faltam amoras, figos, uvas e maçãs para entreter o caminhante. Mesmo para quem conhece a região é garantida a surpresa dos locais que atravessa.
A etapa terá cerca de 20 kms, um pouco mais acidentada que a anterior, conte com 4 a 5 horas.

Nesta altura poderá complementar o passeio com uma visita à bienal e verificar in loco que grande parte dos artistas presentes, não teriam feito pior se tivessem passado mais tempo a caminhar ...
A linha de comboio de Valença a Viana permite repôr o caminhante no local de partida, o que constitui um apoio muito útil à aventura, que pode assim ser feita em autonomia (a CP também autoriza o transporte de bicicletas, sem qualquer formalidade prévia).

De Cerveira a Valença decorre a terceira etapa deste troço, com traçado mais plano, ao longo da veiga do Minho e numa extensão mais ou menos idêntica às anteriores.
Quem quiser seguir até Santiago terá mais 4 ou 5 dias pela frente, dos quais estou certo não se arrependerá!

Mas esta minha sugestão é a de usar este percurso para utilização avulsa, em qualquer altura do ano, com sol ou com chuva, de forma a evitar aquelas tardes de que tanto se arrepende, passadas em uma qualquer catedral de consumo!

domingo, 21 de agosto de 2011

FESTAS DA AGONIA

Agonia_2011

Acabou mesmo agora o fogo principal destes três dias de festa em Viana do Castelo - a Serenata do Rio!

Deslumbrante, com diversas inovações técnico-estéticas felizes - novas associações cromáticas, cachoeira da ponte seguida de fogo rasante (jactante!) sobre o rio, foguetes coração - o símbolo ex-libris da cidade!

Apenas a lamentar uma moda que se iniciou há um par de anos quando a produção do fogo foi entregue a uma empresa de eventos artísticos francesa - pôr banda sonora ao fogo. E se na sua versão original salvo erro era Strauss o contemplado, agora opta-se pela canção popular (Deolinda, Amália,etc.), que não tem nem elevação, nem ecletismo que permitam acompanhar o deslumbrante espetáculo da serenata de Viana.

Depois de Viana ter sido hoje capital do universo nacional pimba, cerimoniado pelo animador Goucha, nada mais apropriado que este banho de beleza para lavar a alma à cidade, que assim pode regressar desenvergonhadamente à sua placidez cativante.
E com todos satisfeitos ...

ECOVIA DO LIMA

Fotogaleria: AçudesVeigas - Fotogaleria

 Nestes tempos estivais pedalar ou caminhar ao longo de um rio, são das actividades mais reconfortantes e económica e ecologicamente benignas que se podem conceber.
De Viana do Castelo, é possível seguir o Lima pela margem Sul até Ponte da Barca, conforme poderá verificar AQUI, ou mesmo obter documentação detalhada ALI.

São 44 Kms de trajeto: desde a ponte Eiffel em Darque até Ponte de Lima (26Kms) e daí a Ponte da Barca ( 18Kms). Nem todos são de verdadeira ecovia que oficialmente constitui apenas uns troços intermédios - mas o que interessa é que pode acompanhar o Rio desde quase a Foz por caminhos agradáveis, apenas havendo no percurso inicial algumas limitações, conforme as marés (na maré cheia, terá que procurar alternativas mais interiores até chegar às lagoas de stº André).

A parte mais importante deste esforço é da Câmara de Ponte de Lima, que tem mesmo algumas vias complementares como o trajeto de meia dúzia de Kms, da vila às Lagoas de Bertiandos ( zona de paisagem protegida, com centro de interpretação, campismo, etc.).
Embora estas vias já sejam utilizadas por muita gente, estão ainda muito aquém do aproveitamento que o seu potencial lúdico e turístico permite.
Já imaginou por exemplo um pacote de 3 ou 4 dias de férias com passeio de Viana - Ponte de Lima, com atividades desportivas e/ou gastronómicas complementares, pernoita (em albergue, turismo de habitação), seguida de etapa até Ponte da Barca/Arcos de Valdevez, mais regresso.
Qualquer um o pode fazer por sua iniciativa e com seguro proveito, mas um jovem empresário turístico poderá fazer disto um modo de vida!
(Já existe um público para este tipo de turismo activo, mas o seu potencial de crescimento é enorme!)

domingo, 24 de julho de 2011

As ilhas Cies


O The Guardian em 2007, considerava as ilhas Cies, como a primeira praia das "10 mais" do Mundo.

A primeira é naturalmente aquela onde estivermos e nos sentirmos bem! Foi concerteza o que aconteceu ao avaliador inglês!
Andava há anos para uma visita e calhou agora.
Embarca-se em Vigo ou Baiona e em 50 minutos chega-se ao topo norte deste areal que aqui se vê.
Depois tem uma bela praia e alguns quilómetros de caminhos para explorar de uma ponta à outra da ilha.
As regras conservacionistas são estritas - o lixo, cada um carrega consigo, num saco que é atribuído na compra da passagem, nem a erosão de uma muleta é permitida na ilha ( quem precisar tem uns substitutos assentes em ventosas! ), dormir só num campismo com condições básicas, etc.
O sítio é de facto muito bonito, mas apesar de estar limitado o número de visitantes diários, não pense que se vai sentir o Robison Crusoé! Contudo, os visitantes dispersam-se e não há noção aflitiva de enchente!

Devo dizer que o que mais me intrigou (eu intrigo-me muito, como já devem ter reparado!), foi que num local em que a preocupação dominante é a proteção da vida selvagem e a defesa de qualquer agressão à Natureza, autorizassem umas centenas de animais a exporem-se ao sol inclemente, nas horas de maior radiação!...

Passei um belo dia, quiçá regresse para uma pernoita, que permitirá o desfrute do local em ambiente mais restrito, que bem merece!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

No Caminho!

Este blogue encontra-se em trânsito pedestre pelo Caminho Francês até Santiago, com um estreante de 11 anos!
Bom caminho!

terça-feira, 14 de junho de 2011

FIOS CONDUTORES DA HISTÓRIA

Arte em Peças

Em 1932, o carpinteiro dinamarquês Ole Kirk Christiansen toma a decisão que mudaria a sua história e a do Mundo. Dois anos antes, em 1930, era um dos milhões de desempregados da Depressão Econômica e começa a produzir brinquedos de madeira para crianças. Mas é em 32 que em companhia de seu filho de 12 anos, inicia formalmente a LEGO – junção das palavras dinamarquesas “Leg” e “Godt” (brincar bem).
Até ao final dos anos 40 fabrica diferentes tipos de brinquedos em madeira e plástico, inclusive um de montar em formato de “tijolos”, que se encaixavam e formavam figuras, animais, objetos, mas é em 1958, ano da morte de Ole e com o negócio já na mão de seu filho Godtfred,  que este se  começa a concentrar no que denominou de LEGO System of Play.
Dois anos depois, após um incêndio que destruiu a sua fábrica, explora a fundo este conceito, do qual viria a resultar um dos mais bem sucedidos negócios na área do brinquedo.

Numa estratégia de difundir e reforçar a imagem da marca, construiu seu primeiro parque temático LEGOLAND – Cidade Lego - em 1968, na pequena cidade de Billund, na região oeste da capital da Dinamarca, onde tudo começara: são 55 milhões de peças formando diferentes e surpreendentes figuras, já visitado por mais de 33 milhões de pessoas desde sua abertura.
De lá para cá, abriram novos Legolands na Grã-Bretanha (1996), em Carlsbad, Califórnia (1999) e, no ano de 2002 abriu o quarto parque temático em Gunzburg, cidade da Baviera Alemã.

No passado fim de semana, em Paredes de Coura, decorreu o 2º Arte em Peças, um evento Lego, com uma exposição de construções notável, envolvendo cerca de 2,5 milhões de peças e distribuídas por uma série de áreas temáticas ( Castelo, Cidade, Far-West, Star Wars, Technics, etc.).
A iniciativa que contou com a colaboração da marca (com a presença de um "Lego builder", português, que explicava o processo criativo dos novos jogos e peças), incluía uma série de iniciativas lúdicas, das quais destaco um enorme playground, no palco do Centro Cultural, onde 3 gerações de construtores podiam brincar e construir o seu projeto, com as milhares de peças disponíveis.

Brincar e se possível de forma inteligente, utilizando uma matriz testada já por 3 gerações, que promove a motricidade fina e a imaginação, é uma prática enriquecedora, barata e com resultados positivos social e individualmente.

O enorme esforço, que um grupo de entusiastas (Associação 0937) tem para pôr de pé esta iniciativa é meritório e altamente recompensador para todos que nele participam. Parabéns!

Castelo - Comunidade 0937


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Comics and Animation Museum







O escritório holandês MVRDV venceu o concurso para o Comics and Animation Museum, em Hangzhou, China.
A obra será construída em 2012.

Sendo eu um aficcionado da banda desenhada, rejubilo e percebo que visitar a China terá cada vez mais motivos de interesse para lá dos históricos!
Já não é no universo das imitações de plástico que estamos!
É da vanguarda da Cultura e da Modernidade que falamos - e quanto se atinge esse ponto, está consolidada a liderança

Numa entrevista recente, Sobrinho Simões, referia que dava aulas como professor associado numa universidade chinesa, de uma cidade para nós desconhecida, e que não sendo no panorama chinês nada de extraordinário, tinha condições quer técnicas, quer científicas, muito superiores às que dispunha em Portugal.

Um dia destes um colega meu a comentar um artigo científico que punha em causa práticas arreigadas no nosso meio, contrapunha se não notávamos que o nome dos autores eram todos estranhos (em tom de chacota).
A maior parte das pessoas ainda não percebeu que o Mundo já mudou ...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

REI ARTUR - NOTA HISTÓRICA

Daqui retiro esta resenha histórica:

 "O Rei Artur é uma figura lendária Britânica que, de acordo com histórias medievais e romances, teria comandado a defesa contra os invasores Saxões chegados à Grã-Bretanha (ou Bretanha como era conhecida na época) no início do século VI.  Os detalhes da sua história são compostos principalmente por folclore e literatura, a sua existência histórica, devido à escassez de antecedentes históricos ou por estes serem retratados em várias fontes, é debatida e contestada por historiadores modernos.
   A lenda do rei Artur ganha interesse através da popularidade do livro de Geoffrey Monmouth "Historia Regum Britanniae" (História dos Reis Britânicos) embora, o seu nome, tenha surgido em poemas e contos de Gales e da Bretanha, publicados antes deste livro. Neles, Artur surge com um grande guerreiro que defende a Bretanha dos homens e inimigos sobrenaturais e, portanto, associado com o Outro Mundo. Geoffrey descreve o rei Artur como sendo um rei da Bretanha  que venceu os Saxões e estabeleceu um Império composto pela Bretanha, Irlanda, Islândia e Noruega.
   Na realidade muitos elementos e acontecimentos que fazem parte da história de Artur aparecem no livro de Geoffrey, incluindo Uther Pendragon, pai de Artur, o mágico Merlin, a espada Excalibur, o nascimento de Artur no castelo de Tintagel, Camelot, a sua batalha final em Camlann contra Mordred, e a ilha de Avalon. 
   A origem do rei Artur tem sido grandemente debatida pelos historiadores e estudiosos. Alguns acreditam que ele é baseado nalguma personagem histórica, provavelmente um chefe guerreiro da Bretanha que tenha vivido entre a Antiguidade Tardia e o inicio da Idade Média, donde terão sido criadas as lendas que hoje conhecemos. Outros acreditam que Artur é pura invenção mitológica, sem nenhuma relação com qualquer personagem real.
     
   Em finais do século V, Ambrosius Aurelianus, um romano da Bretanha, consegue derrotar os Saxões na famosa batalha de Mons Badicus. Entretanto a situação inverte-se e  os reinos celtas da Bretanha ficam reduzidos à Cornualha e a Gales.
No século VIII, Nennius, um Bretão, fala dos feitos de um comandante militar de nome Artur, que teria vencido 12 batalhas contra os Saxões. Mas, segundo os historiadores, Nennius tinha uma tendência de preencher lacunas com factos por ele inventados. Ele poderia muito bem ter embelezado a narrativa conforme as necessidades. Não foi ele, no entanto, o primeiro a referir o nome de Artur, já que baladas galesas do século VII, falavam num rei aventureiro do norte da Bretanha, que enfrentava seres fantásticos e corrigia injustiças.
   Nos finais do século XII, Chrétien de Troyes, escritor francês, escreve contos sobre as aventuras do Rei Artur, Sir Lancelot, Guinevere, o Santo Graal, Percival, Gawain, etc. Ao apoiar-se nos mitos populares, deu-lhes o seu cunho pessoal  e iniciou o género de romance arturiano que se tornou numa importante vertente da literatura medieval. Artur e as suas personagens eram muito populares na época e as histórias a partir da Bretanha, tinham-se espalhado por outros países. Salientam-se aqui algumas obras pela importância que tiveram para o nascimento do mito: O ciclo da "Vulgata" francesa (também conhecida como Matéria da Bretanha), "Parzival" de Wolfram von Eschenbach, "La Mort d'Arthur" (A Morte de Artur) de Thomas Mallory.
   O romantismo do século XIX fez renascer o interesse pelo tema (inclusive autores americanos como  Mark Twain com o seu "Um Americano na Corte do Rei Artur" homenageiam o género).
   No século XX, autores como Stephen Lawhead ( O ciclo Pendragon), Bernard Cornwell (O ciclo de "As Crónicas do Senhor da Guerra") e principalmente Marion Zimmer Bradley, conceituada escritora da ficção científica com "The Mists of Avalon" (As Brumas de Avalon) ou a "Saga de Avalon", completaram o trabalho mantendo vivo o interesse.
   Sem fim à vista, toda a polémica sobre a existência ou não do Rei Artur, continua bem viva: os historiadores, depois duma crítica ao mito, limitam-se a manter uma reserva sobre o assunto; os arqueólogos (e estudiosos) preferem falar de um período sub-romano, definindo assim aquilo que poderia ser o período arturiano: os séculos V e VI. " 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os meus veículos (2) - Bicicleta

Bicicleta Classica Orbita - Tipo Pasteleira em

A minha primeira bicicleta, que me foi oferecida após a quarta classe (juntamente com um relógio Cauny quadrado), foi talvez  o objeto mais cobiçado e utilizado da minha vida.
Para terem uma noção, por aquela altura uma bicicleta era um veículo que preenchia quase obrigatoriamente os seguintes requisitos: era preta, tinha guarda lamas metálicos à frente e atrás, descanso, porta bagagens atrás, com um sistema de molas, guarda corrente, sistema de iluminação com dínamo à roda da frente, campaínha e bomba de encher, que se alojava em duas cavilhas do quadro.
A minha bicicleta não tinha qualquer tipo de mudanças - pedaleira única e pinhão fixo (também eram frequentes as mudanças (3) de tambor e pinhão único, mais para a gente crescida). Mudanças com pinhões múltiplos só nas chamadas bicicletas de corrida, de pneu fino e que não estavam acessíveis à rapaziada comum, nem nós as queríamos para nada.

Passei muitos Verões na companhia da minha adorada bicicleta.
O primeiro objetivo após as semanas iniciais de limpeza e lubrificação diária, era começar a aligeirar o veículo de todas as peças que considerávamos inúteis e pesadas, até atingirmos o estado da bicicleta da Audry Hepburn, que depois de muito googlar foi o veículo que encontrei mais parecido com essa minha bicicleta de sonho.
Aqui a dificuldade consistia em vencer a resistência dos nossos pais às transformações, pois achavam sempre que estávamos a desfazer o velocípede. Geralmente começava-se pelos guardas lamas, com a desculpa de empenos, que já não se conseguiam corrigir, depois o descanso com a mola abalada, os faróis porque já tinham os fios traçados, até atingirmos a ligeireza pretendida : duas rodas, um quadro, um selim e um volante, os travões, reduzidos idealmente ao da retaguarda.

Muito tempo antes de vir  a moda das mountain bike e das bmx, tivemos isso tudo - organizámos provas de resistência de 12 horas com teams de dois condutores em circuitos de terra de 3 ou 4 kms, provas de descida cronometradas, sempre com alguns feridos no saldo final ( isto muito antes de sabermos dizer down hill), jogos de futebol de bicicleta no campo pelado da aldeia, excursões noturnas e diurnas.
Sabíamos desmontar uma bicicleta, consertar furos, substituir cabos e contávamos com a paciência do garageiro - o tio Júlio, para nos resolver os problemas mais complexos.
Lembro-me de numas férias grandes, aí pelos 15 anos, termos conseguido (éramos quatro) autorização para uma expedição minhota - quatro dias de bicicleta e mochila às costas: Vila do Conde - Viana - Ponte de Lima - Arcos - Braga - Barcelos - Vila do Conde. Para nós foi o equivalente a uma travessia do Sahara!

Por essa altura as bicicletas tinham matrícula municipal (amarela, e que nós também arranjávamos maneira de fazer desaparecer!) e livrete. O aloquete era um acessório desnecessário!

Aí pelos 16 anos resolvi pintá-la de amarelo, inspirado num movimento holandês que "confiscava" as bicicletas, pintava-as de amarelo para as descaracterizar e ficarem de utilização coletiva. Sei lá se por isso algum tempo mais tarde foi roubada ao meu irmão, deixando um vazio que nem a minha atual Scott, cheia de suspensões, truques e triques, veio preencher.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Os meus veículos (1) - Trotineta



Tive antes deste, outros veículos - o carrinho de bébé, um triciclo - mas deste, que tive pelos meus 9 anos, lembro-me bem, das muitas tardes, passadas a descer a rampa de casa dos meus pais.
A plataforma em fórmica - material revolucionário que permitia uma limpeza e uma leveza superior à madeira, sem enferrujar nem risco de cortar como acontecia com a chapa metálica - não destoava com os móveis da cozinha a estrear!

A da fotografia não é a original, "a minha", mas corresponde à imagem mental que guardo do veículo!

Não só a tecnologia era outra, como penso que a motricidade infantil também não era comparável com a actual - não me lembro de descer escadas, dar saltos (hoje ollies), como hoje vejo os meus filhos fazerem, porque havia limitações "técnicas" (hoje um puto de 9 anos discute e troca rolamentos, "os abec7, são melhores que os abec5"), mas também porque havia menos radicalidade na vida e no lazer.
A título de exemplo, recordo que só após 1974, se começaram a comercializar em Portugal as sapatilhas de marcas multinacionais, até aí excluídas por férreas normas protecionistas (que também impediam a importação da coca-cola), estando os jovens limitados às famosas Sanjo de lona, nacionais.
A transformação da brincadeira e do divertimento num enorme negócio planetário, levou ao progresso constante dos aparatos e ao apuramento incessante das formas da sua utilização.
Para mim, as lentas tardes de trotinete eram uma forma de iludir um tempo longo, que sobrava diariamente dos deveres escolares, ainda com pouca ocupação  "extracurricular".
Hoje a trotinete, os patins e sobretudo o seu sucessor moderno, o skate, são utilizados pelos jovens numa lógica de empenhado aprimoramento, com desenvolvimento de manobras por todos conhecidas e profusamente divulgadas em canais de TV temáticos, publicações de especialidade e pela publicidade de uma influente indústria de roupa, gadgets e imagem geracional.

A cultura e a sociedade contemporânea trouxeram a criança para o centro da vida coletiva. Tal atitude constituiu do meu ponto de vista, um progresso sem precedentes na história, um estádio "pós psicanalítico" da humanidade, momentâneamente apaziguada com os seus fantasmas e traumas ancestrais. Saibam-se evitar os excessos, corrigir alguns desiquilíbrios criados (voltar a valorizar a sabedoria dos velhos, por exemplo, em contraponto com a energia dos novos) e teremos todas as razões para confiar no futuro.

A minha antiga trotinete, com uma aerodinâmica "espacial" e que se foi desfazendo em lascas de aglomerado e perdendo o cromado rutilante sob a pressão da inexorável ferrugem, não teria resistido hoje à necessidade de mudar tábuas, substituir rolamentos, actualizar tracks ... mas também não teria ficado na minha memória como uma companheira fiel da minha infância!
Cada tempo tem as suas virtudes!

(7) Tapeçarias de Pastrana

Duchamp002

No simpático blogue "Metafísica do Esquecimento" aparece muito bem contada a história destas tapeçarias góticas de origem flamenga, que enaltecem os feitos lusitanos no Norte de África.
Para quem não resista a vê-las já, existem no Paço dos Duques de Bragança em Guimarães, réplicas destas 4 tapeçarias quinhentistas, realizadas na Fábrica Nacional de Tapices (hoje, Real Fábrica de Tapices - bem no centro de Madrid, junto ao Prado) por encomenda de Manuel Azaña, Presidente do Conselho da 2ª Répública, em 1932. E que só teriam sido concluídas em 1957, data em que Salazar as comprou para as expôr em Guimarães.
E mais acertada não poderia ter sido essa decisão já que existe um curioso paralelismo entre a história das tapeçarias e as do Paço.
O Paço dos Duques foi construído em duas fases: a primeira entre 1420 e 1438 e a segunda após 1461, já depois do falecimento do primeiro duque de Bragança.
É pois contemporâneo das tapeçarias originais, encomendadas por D.Afonso V à fábrica flamenga de Tournai e datadas de 1471.

Em 1933, Salazar em visita a Guimarães, encantou-se com este peculiar edifício, que era utilizado como quartel militar. Encomendou então ao arquiteto Rogério Azevedo um plano de reconstrução de acordo com o que teria sido a sua traça no final da segunda fase construtiva.
As obras iniciaram-se em 1937, tendo-se finalizado em 1959.
Ora as réplicas espanholas das tapeçarias foram executadas entre 1932 e 1957, havendo pois uma coincidência cronológica surpreendente na história destas duas obras.

Para quem puder esperar até 2012, ano em que Guimarães será capital europeia da cultura, está prometida uma exposição dos tapetes originais restaurados, que poderão ser comparados com as suas réplicas modernas.
Muita cerveja belga se beberá por essa altura em Guimarães ...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Hopper (1)


Nighthawks, 1942
Oil on canvas, 84.1 x 152.4 cm

Art Institute of Chicago

 Porque é na América que o meu imaginário anda mergulhado, recordo Edward Hopper, um dos meus pintores preferidos do novo continente.
Numa altura em que a moda dominante era o expressionismo abstrato, Hopper, um cronista da solidão urbana, cultivou um realismo angustiante, que retratou sublimemente o sentir do homem urbano moderno.



Summer Evening, 1947, coleção privada

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

As Viagens de Gulliver

File:Gulliver.jpg

Sendo um dos clássicos da literatura, que consta em todas as listas das mais importantes obras de sempre, já está na pilha dos livros a ler há bastante tempo.
Obra de Jonathan Swift, datada de 1726, aparece habitualmente classificada na literatura infanto-juvenil, embora constitua uma mordaz crítica da sociedade inglesa e francesa da época.
Gulliver é um médico, transformado em capitão de navio que vive inacreditáveis aventuras em ambientes inesperados - são ao todo 4 as suas viagens, sendo a primeira à ilha de Lilliput (onde as pessoas mediam à volta de 15cm de altura) e a segunda a Brobdingnag (com habitantes gigantes de 10 metros de estatura), as mais conhecidas.
Este livro que já originou incontáveis sequelas e imitações, gravuras, ilustrações, obras musicais (uma famosa suite de Telemann), já teve um imenso rol de versões para televisão e cinema.

Apareceu agora mais uma versão cinematográfica com o ator Jack Black no lugar de Gulliver..
Versão "infantilizada" da obra, dá uma versão contemporânea da viagem a Lilliput, com uma referência de passagem a Brobdingnag, que parece metida a martelo e amputada de sentido.
Não explorando o lado sociológico do livro, trata-se apenas de um divertimento um pouco bacôco, que nos seus melhores momentos não vai além de nos fazer sorrir.
Depois de Shrek, onde ficou patente no cinema, que uma obra infantil pode ter múltiplos níveis de leitura, tornando-se um produto cultural global, é muito redutor ver uma obra que já tinha tido essa ambição 300 anos antes, reduzida a esta menoridade.


A versão BD, para adultos, de Milo Manara, continua a merecer uma leitura!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Prenda de Fim de Ano!

Aproveito para desejar aos amigos um início de ano auspicioso!

Deixo-os com a deliciosa revista Alice, para que desfrutem!


F

Sugiro o fantástico livro de António Jorge Gonçalves!




 E a original fotobiografia de Feltrinelli por pedro piedade marques!

Para lerem e se quiserem descarregar em PDF!

sábado, 4 de dezembro de 2010

let it snow, let it snow, let it snow



A anunciar a época da neve e do Natal, deixo aqui ligação para 37 fantásticas fotografias!
Para prazer dos olhos ...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Tapetes


Ao ler recentemente uma entrevista de Luís Portela, líder da Bial, ao Expresso, fui surpreendido pela sua crença na reincarnação.

(Clara Ferreira Alves: O que acha que lhe vai acontecer quando morrer?
Luís Portela: Estou no mundo-escola e parece-me primitivo entender que numa única passagem pela terra vou tudo aprender.
Parece-me que não, parece-me que estou numa de múltiplas passagens.
Acredito profundamente que existe algo além da vida física e que existem vidas sucessivas.
Como também me parece limitativo pensar que a terra é o único planeta habitado.)

Eu que há muito brincava que devia ter sido comerciante de tapetes numa existência anterior, vou tentar colmatar a partir daqui a minha ignorância sobre o assunto, que mesmo que já não me venha a ser útil nesta vida, poderá ajudar numa futura ...

O tapete que ilustra estas notas, o mais antigo de que há conhecimento, foi encontrado numa escavação arqueológica, em 1949, entre o gelo do vale Pazyryk, no túmulo de um príncipe cita, nas Montanhas Altai, na Sibéria.
Testes com carbono-14 indicaram que o tapete Pazyryk foi tecido no século V a.C.. Este tapete tem 2,83 por 2,00 metros e tem 36 nós simétricos por cm².
A avançada técnica de tecelagem usada no tapete Pazyryk indica uma longa história de evolução e de experiências nesta arte. A sua área central é de cor vermelho escuro e tem duas grandes bordas, uma representando um veado e a outra um cavaleiro persa.
Acredita-se que o tapete de Pazyryk não seja um artesanato nómada, mas sim um produto de um centro de produção de tapetes aquemênidas na Pérsia.

Começo assim pelo princípio, 2500 anos atrás, mas prometo voltar regularmente aos tapetes. Mesmo que nunca tenha sido um mercador persa, da próxima vez que regatear um preço, seja nas bordas do Sahra, em Cachemira ou Karachi, sempre saberei melhor do que estou a falar!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Clube de Leitura

OS FILHOS DA MEIA - NOITE  -  SALMAN  RUSHDIE

O Clube de Leitura que aparece referido na banda direita desta página, é uma iniciativa que consiste em ter um livro à leitura, cada quatro semanas.
Se algum dos visitantes, tiver reflexões ou outros aportes sobre o livro na estante, está convidado a deixá-los em comentários, com a promessa de serem publicados como posts aqueles que apresentarem mais consistência.

O romance "Os filhos da meia noite", publicado originalmente em 1980, ganhou no ano seguinte o conceituado prémio de literatura em línga inglesa "Booker Prize". Em 1993, foi premiado com o título "Booker of Bookers Prize", conferido ao melhor livro publicado nos primeiros vinte e cinco anos deste prémio, tendo reeditado em 2008 o galardão, de Booker dos primeiros 40 anos.
A história da Índia moderna, a partir de sua independência em 15 agosto de 1947, é a base do romance de Salman Rushdie que utiliza como fio condutor a troca de dois bebés, um de família hindu e outro de origem muçulmana, nascidos exatamente à meia-noite. Uma das crianças, Salim Sinai, o hindu pobre criado por engano numa rica família muçulmana, é o narrador do romance.
A trajetória de Salim Sinai começa, para ser exato, em Caxemira durante a primavera de 1915 quando seu avô, o jovem e recém-diplomado dr. Aadam Aziz, bate com o nariz em um montículo de terra endurecida pela neve durante as suas orações: "Três gotas de sangue saltaram de sua narina esquerda, endureceram instantaneamente no ar gelado e caíram, diante de seus olhos, transformadas em rubis, sobre o tapete de oração. Jogando o corpo para trás, até ficar com a cabeça novamente ereta, ele percebeu que as lágrimas que lhe haviam surgido nos olhos também tinham se solidificado; e naquele momento, enquanto desdenhosamente afastava os diamantes dos cílios, ele decidiu que nunca mais voltaria a beijar a terra por nenhum deus ou homem. Essa resolução, criou um buraco dentro dele, um vazio numa câmara vital interna, deixando-o vulnerável às mulheres e à história."

O romance "Os filhos da meia-noite", de Salman Rushdie, sobre a independência da Índia, está ser adaptado para cinema pela realizadora Deepa Mehta.
O argumento é escrito pelo próprio Rushdie em colaboração com a realizadora, nascida na Índia e naturalizada canadiana.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Porque é demasiado belo para se perder!



Encontrará aqui 47 fotografias do Concurso Anual da National Geographic, que só por si valem o dia!
De lá poderá aceder ao site da NG para votar até 30 de Novembro!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

VIDA INACABADA



Filme de 2005 de Lasse Hallström, realizador sueco que tendo começado por produzir videoclips para os Abba, é hoje um dos mais bem sucedidos de Hollywood ("Chocolat", "Shipping News", "Casanova", "Cider House Rules/Regras da casa", tendo dirigido recentemente Richard Gere - "The Hoax"(2007), "Hachico"(2009)).
Neste filme com Robert Redford (nasc.1936), Morgan Freeman (nasc. 1937) e Jennifer Lopez (nasc. 1969), aborda a questão da perda, da culpa e da dificuldade de as ultrapassar.
Robert Redford um veterano com 64 presenças como ator e 8 títulos como realizador (foi óscar de melhor realizador, logo no primeiro - "Gente Vulgar"- em 1980), assume aqui  o ideal de uma América rural, políticamente incorreta, de gente crua mas humana, na senda de Clint Eastwood (nasc.1930, 66 presenças como ator e 35 filmes realizados desde 1990),  a que cada vez mais se assemelha.
Morgan Freeman (89 filmes), contemporâneo de Redford, assume com este uma relação muito idêntica à que tem com Clint Eastwood em Million Dollar Baby (2004) - é o elemento humanizador, capaz de vergar a personalidade difícil do durão desencantado com a vida, de convocar pela sua frontalidade e fraternidade,  a alma sensível que se esconde atrás dum carácter aparentemente inacessível. Aliás também o faz em "The Bucket List/Nunca é Tarde Demais" (2007), com Jack Nicholson, outro insuportável ego, que aceita que Freeman o redima, obrigando-o a acertar as contas com a vida.
Têm todos estes três filmes muito de comum - três personalidades fortes, de herói americano clássico (Marlboro Man assumido no caso de Redford neste filme), indiferentes ao que os outros possam achar das suas vidas, mas todos eles com questões por resolver e a quem a personagem de Morgam, simples, tolerante, capaz de perdoar, aparece como anjo redentor, conseguindo quase anónimamente trazê-los à razão e põ-los de bem com os outros e consigo próprios.

Eu que tenho um fraco por corações empedernidos e acredito em anjos da guarda, gosto de ver estes filmes num domingo à tarde e deixar-me emocionar.
Quem dera o mundo fosse assim, de gente difícil, mas curial, passível de se regenerar ...