ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe

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terça-feira, 14 de junho de 2011

FIOS CONDUTORES DA HISTÓRIA

Arte em Peças

Em 1932, o carpinteiro dinamarquês Ole Kirk Christiansen toma a decisão que mudaria a sua história e a do Mundo. Dois anos antes, em 1930, era um dos milhões de desempregados da Depressão Econômica e começa a produzir brinquedos de madeira para crianças. Mas é em 32 que em companhia de seu filho de 12 anos, inicia formalmente a LEGO – junção das palavras dinamarquesas “Leg” e “Godt” (brincar bem).
Até ao final dos anos 40 fabrica diferentes tipos de brinquedos em madeira e plástico, inclusive um de montar em formato de “tijolos”, que se encaixavam e formavam figuras, animais, objetos, mas é em 1958, ano da morte de Ole e com o negócio já na mão de seu filho Godtfred,  que este se  começa a concentrar no que denominou de LEGO System of Play.
Dois anos depois, após um incêndio que destruiu a sua fábrica, explora a fundo este conceito, do qual viria a resultar um dos mais bem sucedidos negócios na área do brinquedo.

Numa estratégia de difundir e reforçar a imagem da marca, construiu seu primeiro parque temático LEGOLAND – Cidade Lego - em 1968, na pequena cidade de Billund, na região oeste da capital da Dinamarca, onde tudo começara: são 55 milhões de peças formando diferentes e surpreendentes figuras, já visitado por mais de 33 milhões de pessoas desde sua abertura.
De lá para cá, abriram novos Legolands na Grã-Bretanha (1996), em Carlsbad, Califórnia (1999) e, no ano de 2002 abriu o quarto parque temático em Gunzburg, cidade da Baviera Alemã.

No passado fim de semana, em Paredes de Coura, decorreu o 2º Arte em Peças, um evento Lego, com uma exposição de construções notável, envolvendo cerca de 2,5 milhões de peças e distribuídas por uma série de áreas temáticas ( Castelo, Cidade, Far-West, Star Wars, Technics, etc.).
A iniciativa que contou com a colaboração da marca (com a presença de um "Lego builder", português, que explicava o processo criativo dos novos jogos e peças), incluía uma série de iniciativas lúdicas, das quais destaco um enorme playground, no palco do Centro Cultural, onde 3 gerações de construtores podiam brincar e construir o seu projeto, com as milhares de peças disponíveis.

Brincar e se possível de forma inteligente, utilizando uma matriz testada já por 3 gerações, que promove a motricidade fina e a imaginação, é uma prática enriquecedora, barata e com resultados positivos social e individualmente.

O enorme esforço, que um grupo de entusiastas (Associação 0937) tem para pôr de pé esta iniciativa é meritório e altamente recompensador para todos que nele participam. Parabéns!

Castelo - Comunidade 0937


sexta-feira, 18 de março de 2011

Repensar a sociedade



O futuro não depende de trocar um mentiroso por um presumido á frente dos destinos da nação!
Nem por arranjar dinheiro para pagar a dívida que vence na próxima semana - e dar isso como uma vitória do país!
Temos que repensar a forma de estar no Mundo!

Os pensadores nem sempre estão certos - mas fazem um esforço e põem-nos na esteira de novas realidades!

Paul Krugman, que pode e deve ser lido na íntegra aqui, considera:

"O que não podemos é chegar onde queremos, distribuindo mais formação universitária a torto e a direito. Podemos estar apenas a vender bilhetes para empregos que já não existem, ou então que não asseguram salários de classe média."

Num país que se tercearizou aceleradamente e em que o lobby da educação é um dos que tem o poder capturado, esta reflexão é uma das mais prementes!

Formar jovens em competências técnicas específicas (enfermeiros, médicos, advogados, psicólogos, relações internacionais,etc,etc), quando se sabe que a sociedade não terá capacidade para utilizar esses profissionais, é cometer um disparate e um crime.
Primeiro estão-se a desperdiçar recursos que muita falta fariam noutros sítios; depois estão-se a criar expectativas que só gerarão frustração e infelicidade.
Tudo isto apenas a troco de se manter a fileira do ensino superior, em actividade.
Sabemos que esta realidade não é nenhum segredo para os altos responsáveis do sector, só que infelizmente vivemos numa sociedade em que ninguém quer levantar ondas, mesmo que mais dia menos dia venha a ser afundada por um maremoto.
Que é quase a situação actual - continuar a pedir dinheiro para o derramar sobre os erros, é insano!
Mas infelizmente ainda não se divisam sinais de uma nova atitude.

Bom fim de semana!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Experimentalismo Social

Professor John List

Já me interroguei muitas vezes se algumas práticas sociais tidas como adequadas e incontestáveis, não poderiam eventualmente resultar de avaliações preconceituosas, de interesses de grupos profissionais ou da simples inércia das ideias feitas.

Tomemos por exemplo uma criança com dificuldades de aprendizagem. Consensualmente se considera que se deve investigar exaustivamente a origem do problema (testes genéticos, metabólicos, sofistificados exames de imagem, avaliações cognitivas, etc, etc.), promover os apoios possíveis (professores de ensino especial, terapeutas várias, estimulação precoce, etc., etc), exigir das famílias disponibilidade permanente para frequentar hospitais, centros de apoio, associações de doentes, etc,etc.
Frequentemente deparámo-nos com contextos familiares carenciados tanto económica, como culturalmente e muitas vezes me interrogo, se uma percentagem diminuta dos recursos alocados anualmente àquela criança (dezenas de milhares de euros, com facilidade!), fosse canalizada para apoiar genericamente a família, se daí não resultaria um benefício concreto superior, para  a criança!
Só o esboço desta hipótese me expõe perigosamente aos sacerdotes do politicamente correcto e/ou a uma cada vez maior horda corporativa dependente das "políticas sociais", mas tal circunstância não nos deve impedir de pôr em causa as ideias feitas, visando sempre utilizar da forma mais racional os recursos existentes, com o melhor proveito para os seus destinatários.

 John List, um professor de economia da Universidade de Chicago, conseguiu reunir um fundo de 10 milhões de dólares, para conduzir uma experiência ( A Experiência Griffins) que envolve 600 crianças de áreas carenciadas, testando a maneira mais eficaz de apoiar o seu desenvolvimento e educação.
Embora a experimentação científica seja uma prática habitual, por exemplo, na área médica, nas políticas sociais é pouco comum desenharem-se estudos de larga escala, com metodologia científica, testando várias hipóteses de intervenção.
List dividiu as 600 crianças (entre 3 e 5 anos) em três grupos - o primeiro terá acesso gratuito a ensino qualificado, no segundo os pais ou responsáveis receberão formação de parentalidade e um subsídio anual de 7000 dólares (equivalente aos recursos aplicados no primeiro grupo) e um terceiro não terá qualquer tipo de incentivo.
O estudo monitorizado pela Universidade de Chicago e de Harvard, deverá seguir por toda a vida os selecionados, avaliando o seu aproveitamento escolar, taxas de abandono, qualificações académicas atingidas e mais tarde na vida adulta as carreiras profissionais, níveis de rendimento, registos criminais, etc.
A ideia de List, de 41 anos e no topo duma lista internacional dos mais importantes e influentes economistas com menos de 15 anos de actividade,  é que o Estado põe "demasiados ovos no cesto das crianças", esquecendo os pais.
Os primeiros resultados estarão disponíveis já este ano, mas trata-se de uma experiência com objetivos de longo prazo.

Esta experiência, quer pela sua magnitude, como pelo facto de assentar em pressupostos económicos e não pedagógicos, está certamente no centro de uma grande polémica - mas tem a virtude que é suposto a ciência ter: pôr em causa as ideias feitas, testar hipóteses, mesmo as que possam parecer mais disparatadas!
De resto experiências deste tipo, em larga escala e com orçamentos exponencialmente superiores, é o que tem sido a política de educação em Portugal nos últimos decénios, sem que aparentemente se chegue a qualquer conclusão consensual e satisfatória.

Ainda vamos a tempo?

Eu que desde há algum tempo tenho vindo a adaptar (adatar?) a minha ortografia ao novo acordo, tenho sido sensível - até reforçado por essa experiência - aos argumentos dos seus opositores!
Aqui fica mais um em forma de quadro, sobre esse óbvio erro que nos preparamos para cometer, deslumbrados pela modernidade e pela nossa "vocação atlântica".



Vou voltar a escrever como aprendi, tirando alguns casos em que me parece óbvia a sua desadequação (esse é aliás um dos perigos da revisão ortográfica - cada um passar a escrever como lhe apetece!)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Os meus veículos (1) - Trotineta



Tive antes deste, outros veículos - o carrinho de bébé, um triciclo - mas deste, que tive pelos meus 9 anos, lembro-me bem, das muitas tardes, passadas a descer a rampa de casa dos meus pais.
A plataforma em fórmica - material revolucionário que permitia uma limpeza e uma leveza superior à madeira, sem enferrujar nem risco de cortar como acontecia com a chapa metálica - não destoava com os móveis da cozinha a estrear!

A da fotografia não é a original, "a minha", mas corresponde à imagem mental que guardo do veículo!

Não só a tecnologia era outra, como penso que a motricidade infantil também não era comparável com a actual - não me lembro de descer escadas, dar saltos (hoje ollies), como hoje vejo os meus filhos fazerem, porque havia limitações "técnicas" (hoje um puto de 9 anos discute e troca rolamentos, "os abec7, são melhores que os abec5"), mas também porque havia menos radicalidade na vida e no lazer.
A título de exemplo, recordo que só após 1974, se começaram a comercializar em Portugal as sapatilhas de marcas multinacionais, até aí excluídas por férreas normas protecionistas (que também impediam a importação da coca-cola), estando os jovens limitados às famosas Sanjo de lona, nacionais.
A transformação da brincadeira e do divertimento num enorme negócio planetário, levou ao progresso constante dos aparatos e ao apuramento incessante das formas da sua utilização.
Para mim, as lentas tardes de trotinete eram uma forma de iludir um tempo longo, que sobrava diariamente dos deveres escolares, ainda com pouca ocupação  "extracurricular".
Hoje a trotinete, os patins e sobretudo o seu sucessor moderno, o skate, são utilizados pelos jovens numa lógica de empenhado aprimoramento, com desenvolvimento de manobras por todos conhecidas e profusamente divulgadas em canais de TV temáticos, publicações de especialidade e pela publicidade de uma influente indústria de roupa, gadgets e imagem geracional.

A cultura e a sociedade contemporânea trouxeram a criança para o centro da vida coletiva. Tal atitude constituiu do meu ponto de vista, um progresso sem precedentes na história, um estádio "pós psicanalítico" da humanidade, momentâneamente apaziguada com os seus fantasmas e traumas ancestrais. Saibam-se evitar os excessos, corrigir alguns desiquilíbrios criados (voltar a valorizar a sabedoria dos velhos, por exemplo, em contraponto com a energia dos novos) e teremos todas as razões para confiar no futuro.

A minha antiga trotinete, com uma aerodinâmica "espacial" e que se foi desfazendo em lascas de aglomerado e perdendo o cromado rutilante sob a pressão da inexorável ferrugem, não teria resistido hoje à necessidade de mudar tábuas, substituir rolamentos, actualizar tracks ... mas também não teria ficado na minha memória como uma companheira fiel da minha infância!
Cada tempo tem as suas virtudes!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os anos mais importantes das nossas vidas!



Um estudo aparentemente bem feito, vem provar que o nível de autocontrolo de crianças com 3 e 5 anos está diretamente relacionado com a sua saúde, riqueza e nível de problemas psicossociais, quando adultas.
Trata-se de um estudo que acompanhou durante quase 30 anos, mais de 1000 pessoas, desde a primeira infância até aos 32 anos. Os resultados são inequívocos e confirmam dados anteriores, que excluem as diferenças socioeconómicas, de QI ou genéticas (pela análise comparativa de gémeos), na origem das diferenças alcançadas.

Aparentemente nada de novo, já que existe uma forte convicção científica de que os primeiros 6 anos de vida são particularmente importantes na estruturação do carácter e personalidade de uma pessoa.
Até aos 3 anos de idade, as cerca de 100 biliões de células cerebrais com as quais uma criança nasce, desenvolvem um quatrilião de ligações. O número é o dobro de conexões que um adulto possui. Aos 4 anos, estima-se que a criança tenha atingido metade do seu potencial intelectual.
De acordo com as modernas teorias neurobiológicas pensa-se que o comportamento, as emoções, a forma de pensar e reagir têm um substrato anatomo-fisiológico e que pela idade da entrada da criança na escola, essa estrutura estará praticamente terminada.

Cada minuto gasto com o seu filho(a) nos primeiros 6 anos de vida, enquanto ele está a construir e organizar a sua matriz neurosensitiva, repercute-se exponencialmente ao longo da sua vida.
Será essa provavelmente a melhor herança que lhe poderá deixar!
Porque, como diz um amigo meu, é melhor ser rico e saudável, do que pobre e doente ...

Nos países em que as políticas são orientadas numa base científica, como é o caso dos nórdicos, a infância e particularmente as chamadas primeira (0 aos 3 anos) e segunda (3 aos 6 anos) infâncias, estão no centro da atenção social, económica e política. Isto repercute-se na legislação laboral, fiscal, cultural, isto é, é transversal a todas as áreas de decisão e planeamento público e entendido como uma prioridade nacional.
Os resultados destas políticas são certos, mas demoram uma geração, no mínimo, a serem notórios!
Para os executar são precisos responsáveis que encarem a ciência sériamente e que não estejam à espera de sucesso fácil e rápido.

A vaidade e a necessidade de reconhecimento permanente, são incompatíveis com estas opções!
 Infelizmente, não é com uns Magalhães que a coisa resulta ...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Confúcio



Este artigo publicado no New York Times de sábado, vem chamar a atenção para os resultados do PISA, estudo comparativo sobre a avaliação dos estudantes do secundário em diferentes regiõs do Mundo, nas competências de ciência, matemática e leitura e que tanto fez enfunar o nosso Governo.
Das cinco regiões primeiro classificadas (com Xangai numa primeira posição folgada - a verde, com uma classificação de 600) apenas a Finlândia, não tem uma matriz cultural Confucionista (os outros são Singapura, Hong Kong e Coreia do Sul).
A leitura deste colunista destaca o valor que é dado à educação e à meritocracia nesta filosofia oriental.

Já agora, a leitura deste quadro permite-nos perceber a razão da "subida" de cotação de Portugal este ano!



Portugal beneficiou, aliás como todos os mal classificados da avaliação, da alteração dos critérios de aferição, que passaram a incluir uma percentagem maior de perguntas fáceis e simultâneamente dum aumento do nível de exigência das perguntas difíceis - o que como se também pode ver penalizou o grupo dos bem classificados!

Portugal aparece mesmo como o primeiro do grupo dos "fracos", que beneficiou com a alteração da grelha avaliativa imposta pela OCDE, sob pressão do seu lider, o Presidente Mexicano...
Que estes resultados tenham sido motivo de comunicação especial ao país pelo PM, como exemplo da saída de Portugal da crise, deve ser motivo de reflexão para todos!