ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe

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domingo, 24 de julho de 2011

As ilhas Cies


O The Guardian em 2007, considerava as ilhas Cies, como a primeira praia das "10 mais" do Mundo.

A primeira é naturalmente aquela onde estivermos e nos sentirmos bem! Foi concerteza o que aconteceu ao avaliador inglês!
Andava há anos para uma visita e calhou agora.
Embarca-se em Vigo ou Baiona e em 50 minutos chega-se ao topo norte deste areal que aqui se vê.
Depois tem uma bela praia e alguns quilómetros de caminhos para explorar de uma ponta à outra da ilha.
As regras conservacionistas são estritas - o lixo, cada um carrega consigo, num saco que é atribuído na compra da passagem, nem a erosão de uma muleta é permitida na ilha ( quem precisar tem uns substitutos assentes em ventosas! ), dormir só num campismo com condições básicas, etc.
O sítio é de facto muito bonito, mas apesar de estar limitado o número de visitantes diários, não pense que se vai sentir o Robison Crusoé! Contudo, os visitantes dispersam-se e não há noção aflitiva de enchente!

Devo dizer que o que mais me intrigou (eu intrigo-me muito, como já devem ter reparado!), foi que num local em que a preocupação dominante é a proteção da vida selvagem e a defesa de qualquer agressão à Natureza, autorizassem umas centenas de animais a exporem-se ao sol inclemente, nas horas de maior radiação!...

Passei um belo dia, quiçá regresse para uma pernoita, que permitirá o desfrute do local em ambiente mais restrito, que bem merece!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

No Caminho!

Este blogue encontra-se em trânsito pedestre pelo Caminho Francês até Santiago, com um estreante de 11 anos!
Bom caminho!

terça-feira, 14 de junho de 2011

FIOS CONDUTORES DA HISTÓRIA

Arte em Peças

Em 1932, o carpinteiro dinamarquês Ole Kirk Christiansen toma a decisão que mudaria a sua história e a do Mundo. Dois anos antes, em 1930, era um dos milhões de desempregados da Depressão Econômica e começa a produzir brinquedos de madeira para crianças. Mas é em 32 que em companhia de seu filho de 12 anos, inicia formalmente a LEGO – junção das palavras dinamarquesas “Leg” e “Godt” (brincar bem).
Até ao final dos anos 40 fabrica diferentes tipos de brinquedos em madeira e plástico, inclusive um de montar em formato de “tijolos”, que se encaixavam e formavam figuras, animais, objetos, mas é em 1958, ano da morte de Ole e com o negócio já na mão de seu filho Godtfred,  que este se  começa a concentrar no que denominou de LEGO System of Play.
Dois anos depois, após um incêndio que destruiu a sua fábrica, explora a fundo este conceito, do qual viria a resultar um dos mais bem sucedidos negócios na área do brinquedo.

Numa estratégia de difundir e reforçar a imagem da marca, construiu seu primeiro parque temático LEGOLAND – Cidade Lego - em 1968, na pequena cidade de Billund, na região oeste da capital da Dinamarca, onde tudo começara: são 55 milhões de peças formando diferentes e surpreendentes figuras, já visitado por mais de 33 milhões de pessoas desde sua abertura.
De lá para cá, abriram novos Legolands na Grã-Bretanha (1996), em Carlsbad, Califórnia (1999) e, no ano de 2002 abriu o quarto parque temático em Gunzburg, cidade da Baviera Alemã.

No passado fim de semana, em Paredes de Coura, decorreu o 2º Arte em Peças, um evento Lego, com uma exposição de construções notável, envolvendo cerca de 2,5 milhões de peças e distribuídas por uma série de áreas temáticas ( Castelo, Cidade, Far-West, Star Wars, Technics, etc.).
A iniciativa que contou com a colaboração da marca (com a presença de um "Lego builder", português, que explicava o processo criativo dos novos jogos e peças), incluía uma série de iniciativas lúdicas, das quais destaco um enorme playground, no palco do Centro Cultural, onde 3 gerações de construtores podiam brincar e construir o seu projeto, com as milhares de peças disponíveis.

Brincar e se possível de forma inteligente, utilizando uma matriz testada já por 3 gerações, que promove a motricidade fina e a imaginação, é uma prática enriquecedora, barata e com resultados positivos social e individualmente.

O enorme esforço, que um grupo de entusiastas (Associação 0937) tem para pôr de pé esta iniciativa é meritório e altamente recompensador para todos que nele participam. Parabéns!

Castelo - Comunidade 0937


terça-feira, 3 de maio de 2011

Cinque Terre





A partir de La Spezia, na Ligúria, apanha-se um comboio regional que dá acesso a estas cinco vilas - Riomaggiore a primeira - que se podem percorrer a pé, em fantásticos trilhos sobre o Mediterrâneo.
O trajecto mais fácil, junto à água, tem cerca de 15 kms e estava fechado para manutenção, apenas se podendo percorrer o Km inicial até Manarola - Via dell`Amore, um pesadelo de turistas e grupos, apesar da beleza do entorno.
Daí para a frente e como não restavam alternativas, percorreram-se os trilhos interiores que sobem em veredas alucinantes entre oliveiras centenárias e vinhedos, desafiando as vertigens e o equilíbrio, percorrendo aldeias perdidas, dum povo que continua a cultivar em locais que se diriam impossíveis e mantendo uma paisagem viva num local deslumbrante e que é Património da Humanidade.
Aí, a frequência dos trilhos, apesar de numerosa, já era mais interessante e chegado a Corniglia depois de uns 10 Kms de subidas e descidas inesquecíveis, aquela pizza singela de molho fresco de tomate com azeite e cogumelos da região, soube-me à melhor de sempre!
O comboio que circula regularmente permite em minutos atingir a próxima terra, no caso Vernazza, onde um sol mediterrânico de Primavera pujante, apelou aos meus instintos reptilíneos, deixando-me a giboiar sobre uma laje junto ao mar.
Para se passar um dia agradável (vindo de Pisa é cerca de uma hora de comboio)  e constituindo uma alternativa ao "turismo de monumentos", As Cinque Terre, são uma boa opção. Para uns dias de caminhadas e natureza, também se devem recomendar, tanto mais que à noite com a debandada da turistada, os locais devem ganhar uma beleza suplementar.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Os meus veículos (1) - Trotineta



Tive antes deste, outros veículos - o carrinho de bébé, um triciclo - mas deste, que tive pelos meus 9 anos, lembro-me bem, das muitas tardes, passadas a descer a rampa de casa dos meus pais.
A plataforma em fórmica - material revolucionário que permitia uma limpeza e uma leveza superior à madeira, sem enferrujar nem risco de cortar como acontecia com a chapa metálica - não destoava com os móveis da cozinha a estrear!

A da fotografia não é a original, "a minha", mas corresponde à imagem mental que guardo do veículo!

Não só a tecnologia era outra, como penso que a motricidade infantil também não era comparável com a actual - não me lembro de descer escadas, dar saltos (hoje ollies), como hoje vejo os meus filhos fazerem, porque havia limitações "técnicas" (hoje um puto de 9 anos discute e troca rolamentos, "os abec7, são melhores que os abec5"), mas também porque havia menos radicalidade na vida e no lazer.
A título de exemplo, recordo que só após 1974, se começaram a comercializar em Portugal as sapatilhas de marcas multinacionais, até aí excluídas por férreas normas protecionistas (que também impediam a importação da coca-cola), estando os jovens limitados às famosas Sanjo de lona, nacionais.
A transformação da brincadeira e do divertimento num enorme negócio planetário, levou ao progresso constante dos aparatos e ao apuramento incessante das formas da sua utilização.
Para mim, as lentas tardes de trotinete eram uma forma de iludir um tempo longo, que sobrava diariamente dos deveres escolares, ainda com pouca ocupação  "extracurricular".
Hoje a trotinete, os patins e sobretudo o seu sucessor moderno, o skate, são utilizados pelos jovens numa lógica de empenhado aprimoramento, com desenvolvimento de manobras por todos conhecidas e profusamente divulgadas em canais de TV temáticos, publicações de especialidade e pela publicidade de uma influente indústria de roupa, gadgets e imagem geracional.

A cultura e a sociedade contemporânea trouxeram a criança para o centro da vida coletiva. Tal atitude constituiu do meu ponto de vista, um progresso sem precedentes na história, um estádio "pós psicanalítico" da humanidade, momentâneamente apaziguada com os seus fantasmas e traumas ancestrais. Saibam-se evitar os excessos, corrigir alguns desiquilíbrios criados (voltar a valorizar a sabedoria dos velhos, por exemplo, em contraponto com a energia dos novos) e teremos todas as razões para confiar no futuro.

A minha antiga trotinete, com uma aerodinâmica "espacial" e que se foi desfazendo em lascas de aglomerado e perdendo o cromado rutilante sob a pressão da inexorável ferrugem, não teria resistido hoje à necessidade de mudar tábuas, substituir rolamentos, actualizar tracks ... mas também não teria ficado na minha memória como uma companheira fiel da minha infância!
Cada tempo tem as suas virtudes!

domingo, 30 de janeiro de 2011

As redes sociais fazem-nos mais tristes?



"Se apenas quiséssemos ser felizes, seria fácil; mas nós queremos ser mais felizes que os outros, o que é quase sempre difícil, dado que os julgamos mais felizes daquilo que são" - Montesquieu

"Misery Has More Company Than People Think," um artigo publicado na edição de Janeiro do Personality and Social Psychology Bulletin, por Alex Jordan, da Universidade de Stanford, conclui que a frequência das redes sociais contribui predominantemente para o aumento da sensação de infelicidade da maioria dos utilizadores.

O que encontramos na rede são geralmente os momentos felizes dos seus frequentadores - as fotografias de férias, as festas, o júbilo por um novo filho ou amizade, os momentos mais eloquentes...
Os perfis são cuidadosamente publicados, para cada um dar de si uma imagem de sucesso e felicidade.
Assim as nossas vidas, com os seus altos e baixos, quando comparadas com estes relatos de vivências bem sucedidas, parecem enfadonhas e piores daquilo que realmente são. E aumentam a tendência para a encenação das nossas vidas!

Outro recente estudo sugere que o perfil de utilização das mulheres, que estão em predomínio na rede, as expõe mais a este risco. Ao contrário dos homens que usam mais este veículo para trocarem notícias e acontecimentos, as mulheres tendem a partilhar mais assuntos pessoais e a exprimirem sentimentos.
Já alguns estudos se tinham debruçado sobre o tema, nomeadamente o efeito dos relatos de grávidas felizes, sobre as suas amigas estéreis.

A conclusão é que aquilo que mostramos no facebook, tem algumas parecenças com uma imagem publicitária, atractiva mas dificilmente alcançável. E que vai ajudar a sensação de frustração de todos que estejam numa fase menos boa!

O mal estará na atitude há tantos anos descrita por Montesquieu, de nos realizarmos por comparação, mas essa é uma fraqueza humana quase inerente à sua natureza!
Quem se libertar deste condicionalismo terá este e muitos (muitos mesmo) outros problemas resolvidos!

Doravante passarei a publicar no facebook os meus desgostos, os meus falhanços, as minhas limitações, de forma a contribuir para a vossa felicidade!
Acham?

sábado, 4 de dezembro de 2010

let it snow, let it snow, let it snow



A anunciar a época da neve e do Natal, deixo aqui ligação para 37 fantásticas fotografias!
Para prazer dos olhos ...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Tapetes


Ao ler recentemente uma entrevista de Luís Portela, líder da Bial, ao Expresso, fui surpreendido pela sua crença na reincarnação.

(Clara Ferreira Alves: O que acha que lhe vai acontecer quando morrer?
Luís Portela: Estou no mundo-escola e parece-me primitivo entender que numa única passagem pela terra vou tudo aprender.
Parece-me que não, parece-me que estou numa de múltiplas passagens.
Acredito profundamente que existe algo além da vida física e que existem vidas sucessivas.
Como também me parece limitativo pensar que a terra é o único planeta habitado.)

Eu que há muito brincava que devia ter sido comerciante de tapetes numa existência anterior, vou tentar colmatar a partir daqui a minha ignorância sobre o assunto, que mesmo que já não me venha a ser útil nesta vida, poderá ajudar numa futura ...

O tapete que ilustra estas notas, o mais antigo de que há conhecimento, foi encontrado numa escavação arqueológica, em 1949, entre o gelo do vale Pazyryk, no túmulo de um príncipe cita, nas Montanhas Altai, na Sibéria.
Testes com carbono-14 indicaram que o tapete Pazyryk foi tecido no século V a.C.. Este tapete tem 2,83 por 2,00 metros e tem 36 nós simétricos por cm².
A avançada técnica de tecelagem usada no tapete Pazyryk indica uma longa história de evolução e de experiências nesta arte. A sua área central é de cor vermelho escuro e tem duas grandes bordas, uma representando um veado e a outra um cavaleiro persa.
Acredita-se que o tapete de Pazyryk não seja um artesanato nómada, mas sim um produto de um centro de produção de tapetes aquemênidas na Pérsia.

Começo assim pelo princípio, 2500 anos atrás, mas prometo voltar regularmente aos tapetes. Mesmo que nunca tenha sido um mercador persa, da próxima vez que regatear um preço, seja nas bordas do Sahra, em Cachemira ou Karachi, sempre saberei melhor do que estou a falar!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

LIBERDADE



     No topo de uma Avenida modernista, à qual autarcas zelosos e abastados, raparam as árvores frondosas, substituindo-as por azeitonas luminosas, a decorar uma enorme (frigid)eira granítica, surge uma das mais recentes praças do País.
Concebida por Fernando Távora, que também projetou os dois edifícios que a ladeiam, detém-se sobre o rio, ancorada num pórtico desenhado por José Rodrigues.
Amparada a nascente por uma irresistível peça arquitetónica de Siza Vieira e a poente por um recinto polivalente de Souto Moura (em construção), tem padrinhos e atributos que bastem para se tornar um fantástico local de bem estar e de bom gosto.
Falta ainda, a sua humanização - os edifícios de tão nobre linhagem, aguardam há anos que lhes seja atribuída uma função, a sua depurada linha, já foi utilizada na última romaria para implantar carrinhos elétricos e carroceis (tendo resultado fraturas significativas e nunca reparadas no pavimento) e não existem uns bancos ou outro equipamento, que permitam ao visitante deter-se e desfrutar (talvez para não concorrer com as esplanadas circundantes).

Mas o que me traz à praça, agora, é o nome - Liberdade.
Sinto no ar o tempo de todos os desvarios.
Berra-se em todo o lado, com e sem razão.
A confusão permitirá aos culpados escaparem incólumes - gritando tanto como os outros, em breve já ninguém perceberá quem foi o culpado.
E os mesmo reaparecerão, mais tarde, como providentes salvadores...
Mas o que eu agora temo, é que venham de novo tempos de trevas, em que o nome da praça se torne inconveniente e desapropriado!

Pior que ser pobre, é ser escravo!
Desfrutemos a brisa do rio, enquanto as agruras do Inverno, não nos afastem deste destino!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

CAMINHAR


As coisas mais importantes da vida, são gratuitas!
Desde logo o viver - respirar bem, ver, ouvir, pensar, cheirar, sentir!
Amar e partilhar, sabemos e dizem os estudos, são as atitudes que mais contribuem para a felicidade e não custam nada. No seu duplo sentido aliás - só quando não custam nada, é que são possíveis!
Quando falamos de crise, falamos de dinheiro - e esse só interfere na nossa felicidade, quando não é suficiente para satisfazer as necessidades básicas!
Muitos psicólogos, antropólogos, sociólogos tentaram estabelecer uma relação entre dinheiro e felicidade - e concluíram que até um determinado valor, o que permite assegurar uma existência cómoda, existe uma relação direta entre os dois, mas acima de um certo limiar, os acrescentos monetários não se traduzem em ganhos de felicidade e para lá de um patamar mais alto, parece mesmo haver uma relação inversa.
Sei que uma grande parte dos meus concidadãos se encontra no grupo dos que um pouco mais de dinheiro no bolso, ajudaria à sua felicidade.
Porém, também sei, que grande parte da infelicidade é gerada pela não satisfação de expectativas consumistas que nos são socialmente induzidas, que nada têm a ver com o bem estar de cada um, e que se destinam apenas a promover o consumo de bens e serviços. Todos nós somos vítimas dessas armadilhas e é bom que reflitamos sobre isso.
Os tempos livres desde há muito que se tornaram alvo de uma indústria de consumo poderosa, que recorrendo a documentários, revistas, referências sociais e culturais, nos foram convencendo que tiraremos melhor partido dumas férias ou dum fim de semana, quanto mais exótica ou dispendiosa for a escolha para a sua ocupação.
E isto é tão verdade para as férias num apartamento na Quarteira, como para a estadia num Spa da Polinésia - claro, que já se estão a sorrir por esta altura, prefeririam a segunda opção, mas não é verdade que exista uma diferença qualitativa nas opções - é natural que o aporte de felicidade de quem sonhou e conseguiu as primeiras, seja maior de quem descontou no cartão de crédito as segundas.
Quem já desfolhou uma dessas revistas de tempos livres ou de viagens, sabe que começa  a estar na moda uma forma de turismo mais activo - que pode ser percorrer o trilho Inca no Perú, fazer treking no Nepal ou seguir as levadas na Madeira.
E o que têm de bom essas opções, são o exercício físico que proporcionam, o deleite de locais paisagisticamente agradáveis, a saída da rotina diária. O que elas têm em comum com o Spa da Polinésia, é que são caras, poluidoras (já imaginou a quantidade de CO2 que gasta, para fazer uma caminhada!), e constituem uma tentativa da Indústria do Turismo de não perder um grupo de pessoas já saturadas pelo modelo tradicional de férias.
Pois a crise pode constituir uma oportunidade para a nossa vida - podemos viver melhor, gastando menos!
Caminhar é das atividades mais reconfortantes que conheço - além do bem estar que proporciona, obriga-nos a confrontar com as nossas limitações físicas, dá-nos tempo para refletir, é (descobriu-se agora) a mais poderosa terapia contra a perda de memória e permite-nos descobrir, isso mesmo, que há mais vida para além do deficite!
Vivemos num território, que muitas vezes desconhecemos - temos quase tantas surpresas ao fazer uma caminhada na região onde habitamos, como quando estamos a milhares de Kms de distância!
Desde há cinco anos que tiro 4 ou 5 dias por ano, para fazer uma caminhada de cerca de 100-120 Kms por um dos Caminhos de Santiago.
Já estive em Machu Pichu, em Katmandu e no Pico Ruivo e confesso sinceramente que não foi o exotismo do local que tornou a experiência mais fantástica.
Os Caminhos de Santiago são por diversas razões uma boa opção para caminhar, embora naturalmente haja muitas outras, porventura melhores!
A primeira razão é existirem milhares de Kms de trilhos muito bem marcados, centenas deles em Portugal.
Depois existe uma logística, que permite viajar em autonomia, quase gratuitamente - há uma cobertuta de albergues, cuja pernoita pode variar entre o gratuito ou os 5€, espaçados no máximo de 20, 25 Kms, com condições aceitáveis de conforto e higiene (espartanas, claro!).
Temos ainda que tirando alguns troços menos felizes, percorremoss trajetos que têm centenas de anos de história, que já viram passar muitas gerações de gente como nós, o que junto com as bolhas nos pés e as dores nas pernas, nos ajuda a recolocarmo-nos no nosso lugar ...
O caminho, cada um o faz por si, mas nunca nos sentimos sózinhos- milhares de pessoas de todo o mundo o percorrem diáriamente (não é exagero!) e na tua etapa irás seguramente cruzar-te com alguns, que te poderão dizer pouco ou muito pelo contrário ... mas o que é seguro, é que vais ter muito tempo para refletir sobre isso e muitas outras coisas.
Faz-se uma viagem espaço-temporal, pois quer uma dimensão quer outra, se vai esticar!
Ter um objetivo e conseguir alcançá-lo é uma fonte de auto confiança e satisfação. A chegada a Santiago, dá uma sensação de plenitude e de superação revigorantes e vai-nos fazer sentir irmanados com as centenas de caminhantes que também cumpriram, nesse dia, essa etapa.
Não tendo sido para mim, nunca, uma vivência religiosa, caminhar até Santiago, é concerteza uma vivência espiritual enriquecedora.
Pois, faz-te ao Caminho!