Paul Krugman, 57 anos, prémio Nobel de Economia (2008), colunista do "The New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA), escreve um interessante artigo no NYT de 12/06/2011, sobre sistemas de saúde.
O artigo que pode ser lido aqui em inglês ou em português, diz coisas como as seguintes, que desde já deixo ao cuidado do novo ministro da saúde, com a gestão de um seguro privado de saúde no curriculo:
" De vez em quando, um político aparece com uma ideia tão má, tão disparatada, que quase ficamos satisfeitos. É que as ideias seriamente disparatadas podem ajudar a ilustrar a que ponto o discurso político descarrilou. (...)
Os Estados Unidos têm o sistema de saúde mais privatizado entre os países avançados. Também oferecem, de longe, a saúde mais cara, sem que isso represente vantagem clara de qualidade, apesar de todos esses gastos. A saúde é uma área na qual o setor público consistentemente faz um trabalho melhor que o privado, no controle de custos. (...)
Nada do que estou afirmando, é claro, deveria ser tomado como razão para complacência sobre a alta nos custos da saúde. Tanto o Medicare quanto os planos privados de saúde serão insustentáveis a menos que haja esforços sérios de controle de custos - do tipo prescrito no pacote de reformas da saúde e descrito pelos republicanos demagogos como "painéis da morte". "
ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe
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sábado, 18 de junho de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
Não seria melhor estar calado?

O presidente da Apifarma, representante da Indústria farmacêutica, resolveu emitir opinião sobre como se deveriam comparticipar os medicamentos em Portugal!
Habituados que estamos a tudo, já nem se estranha, mas convem lembrar que a ele compete vender os medicamentos e só!
A definição das políticas sociais e da saúde compete ao governo, em representação do povo, que não pode ficar refém dos interesses do lobby dos fornecedores!
É assim que se esvazia a democracia e vamos entrando neste novo regime de Governo das Corporações (mandam os banqueiros, os industriais, os credores!).
quarta-feira, 6 de abril de 2011
A tal falta de bom senso!
A Câmara da minha cidade resolveu fazer uma campanha promocional, que tem um lema mensal: já foi o mês do vento, do calor e de não sei mais o quê.
Desconheço os custos da campanha e a sua utilidade: excepto se fôr para aumentar o amor próprio dos municípes, não lhe vejo o interesse.
A divulgação faz-se por enormes painéis colocados em diversos sítios da cidade, além de prospetos, mails, etc!
Até agora não me aqueceu nem arrefeceu (excepto talvez os bolsos, pelos custos, que presumo grandes, que terá!)!
Só que este mês, incomodou-me: uma cidade que até ostenta o atributo de cidade saudável, faz campanhas despudoradas em outdoors gigantes, ao consumo de acúcar na época pascal?
Não restará ninguém pensante nos centros de decisão deste país - anda a Direcção Geral de Saúde a investir na promoção de uma alimentação saudável e uma autarquia promove (com slogan e imagem a ajudar) a diabetes?
Agora o meu apelo: Esta Páscoa não ofereça guloseimas - além de contribuir para o arrefecimento económico da balança externa (o acúcar é maioritariamente importado!), também ajuda o metabolismo dos seus familiares e amigos!
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Saiba dizer não!

A maioria das pessoas, quando se trata de Cuidados de Saúde, pensa que mais cuidados, significam melhores cuidados, mas muitos estudos provam justamente o contrário!
De acordo com este artigo no The New York Times (Leonhardt D, April 6, 2010), quando mais, significa exames e tratamentos desnecessários, novos riscos surgem para os doentes, com consequências na sua saúde, isto para além da escalada insustentável de custos do Sistema de Saúde.
O artigo, que se recomenda na íntegra (link acima), cita um estudo recente que calcula em 15000, o número de mortes desnecessárias resultantes da exposição anual à radiação pelos TACs realizados nos Estados Unidos, dado o acesso fácil a este exame, para esclarecer qualquer sintoma ligeiro ou dor passageira.
Para o sucesso de qualquer sistema de saúde, advoga que a cultura "do fazer tudo e mais alguma coisa" tem que acabar, embora reconheça que é mais fácil dizer que fazer.
Apresenta 3 sugestões para esse objetivo ("mais cuidados não são melhores cuidados"!) -
Para o sucesso de qualquer sistema de saúde, advoga que a cultura "do fazer tudo e mais alguma coisa" tem que acabar, embora reconheça que é mais fácil dizer que fazer.
Apresenta 3 sugestões para esse objetivo ("mais cuidados não são melhores cuidados"!) -
1) refletir mais acerca de quando e como uma investigação e um tratamento trazem benefício para o doente;
2) fornecer aos doentes, informação realista acerca dos tratamentos;
3) orientar a avaliação económica da Medicina para indicadores de melhores cuidados, em vez da contabilização da quantidade de cuidados!
Sugere ainda que deverão ser os doentes, a impor limites nos exames e tratamentos a que serão sujeitos, pois são eles os verdadeiros interessados e se deixarem nas mãos dos médicos e da indústria farmacêutica, tal nunca acontecerá!
Quanto a este último aspeto, tenho sérias reservas, pelo menos no nosso contexto social e cultural!
Se não forem os profissionais de saúde a autodisciplinarem o consumismo médico, estou convencido que este continuará a aumentar entre nós, já que muitas vezes funciona mesmo como compensação de frustrações de natureza económica e mesmo emocional de muitos utentes (entendido num contexto de acesso universal!)
Isto para além de que a cultura "do fazer tudo e mais alguma coisa" é de facto popular entre nós, embora não tenha sido sempre assim!
Um bom exemplo é o da taxa de cesarianas em Portugal , em crescimento imparável, que já apresenta valores acima dos 35%, embora haja maternidades com taxas de 80% (sic Ministra da Saúde). A média europeia andará ligeiramente acima dos 20%, mas a mais contida Holanda tem um valor de 15%.
Uma cesariana é um parto que em circunstâncias normais é prejudicial quer para a mãe, quer para o recem nascido, implica uma logística e custos incomparavelmente mais altos que um parto normal (bloco operatório, dias de internamento), mas em torno do qual se desenvolveu um mito popular de que é menos cruento, mais seguro, mais cómodo!
Os médicos, pressionados pelas utentes e por razões defensivas, sentem-se muitas vezes encurralados nessa opção. (É ingénua a convicção do Grupo para a Redução da taxa de Cesarianas, de que divulgando os números das diferentes unidades hospitalares, as pessoas escolherão as que apresentem valores mais baixos. Correm o risco, penso eu, que aconteça precisamente o contrário...).
Numa altura, em que a evolução tecnológica disponibiliza um número cada vez mais específico e dispendioso de técnicas (nomeadamente na área da imunologia e da genética) e de terapêuticas (um novo antiepilético recentemente comercializado custa 10 vezes mais que os medicamentos que vem substituir e foi comparticipado a 100%(???)), com vantagens às vezes marginais, impõe-se refletir sobre o assunto, cativar profissionais e utentes para esta realidade, de forma a ser sustentável o nosso sistema de saúde, uma das poucas áreas em que nos podemos comparar internacionalmente sem complexos!
Quanto a este último aspeto, tenho sérias reservas, pelo menos no nosso contexto social e cultural!
Se não forem os profissionais de saúde a autodisciplinarem o consumismo médico, estou convencido que este continuará a aumentar entre nós, já que muitas vezes funciona mesmo como compensação de frustrações de natureza económica e mesmo emocional de muitos utentes (entendido num contexto de acesso universal!)
Isto para além de que a cultura "do fazer tudo e mais alguma coisa" é de facto popular entre nós, embora não tenha sido sempre assim!
Um bom exemplo é o da taxa de cesarianas em Portugal , em crescimento imparável, que já apresenta valores acima dos 35%, embora haja maternidades com taxas de 80% (sic Ministra da Saúde). A média europeia andará ligeiramente acima dos 20%, mas a mais contida Holanda tem um valor de 15%.
Uma cesariana é um parto que em circunstâncias normais é prejudicial quer para a mãe, quer para o recem nascido, implica uma logística e custos incomparavelmente mais altos que um parto normal (bloco operatório, dias de internamento), mas em torno do qual se desenvolveu um mito popular de que é menos cruento, mais seguro, mais cómodo!
Os médicos, pressionados pelas utentes e por razões defensivas, sentem-se muitas vezes encurralados nessa opção. (É ingénua a convicção do Grupo para a Redução da taxa de Cesarianas, de que divulgando os números das diferentes unidades hospitalares, as pessoas escolherão as que apresentem valores mais baixos. Correm o risco, penso eu, que aconteça precisamente o contrário...).
Numa altura, em que a evolução tecnológica disponibiliza um número cada vez mais específico e dispendioso de técnicas (nomeadamente na área da imunologia e da genética) e de terapêuticas (um novo antiepilético recentemente comercializado custa 10 vezes mais que os medicamentos que vem substituir e foi comparticipado a 100%(???)), com vantagens às vezes marginais, impõe-se refletir sobre o assunto, cativar profissionais e utentes para esta realidade, de forma a ser sustentável o nosso sistema de saúde, uma das poucas áreas em que nos podemos comparar internacionalmente sem complexos!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Cada vez menos e mais frágeis!

Existirá um inconsciente coletivo?
Este trilho que sulcamos é inconsciente ou deliberado?
Já não bastava a realidade de nascermos cada vez menos neste país, a ponto de termos entrado em regressão populacional, como dei nota há tempos, como nascemos cada vez mais desprotegidos e dependentes!
Refiro-me ao aspeto biológico, embora case bem com a vertente sociológica e económica.
Agência Lusa, hoje: Taxa de nascimento prematuro é das mais altas da Europa
Quase nove em cada 100 bebés em Portugal nascem prematuramente, uma taxa que se situa acima da média europeia, segundo dados avançados pela agência Lusa que citam a responsável do serviço de neonatologia da Maternidade Alfredo da Costa, Teresa Tomé. O Norte do país apresenta uma taxa de prematuridade superior à média nacional.
À nascença o português contemporâneo, além de uma dívida congénita, também tem tempo em falta e deficite de maturidade!
Com um handicap destes à partida, estamos mesmo condenados!
O último a nascer, que feche a porta!
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