ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe

- ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? - NÃO, SE PÁRAS, ESTÁS PERDIDO! Goethe



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PORQUE SERÁ?

Porque será que vivo com a sensação de que somos governados por um grupo de rapazolas e raparigas, que nunca fez nada de realmente útil na vida!? (Claro, há um bom par de excepções, em atitude técnica e afastados da ribalta, mas que resistirão até quando!?)
A contrapor a esse ambiente de associação de estudantes, quando aparece um Bagão Félix ou um Rui Rio, porque é que eu acho que parecem pessoas responsáveis e maduras que merecem ser ouvidas, mesmo que discorde das suas opiniões?!
Porque me parece estranho que Paulo Portas apareça como "o político mais experiente deste Governo" ? (e talvez por isso nunca está presente sempre que acontece algo relevante!).
Porque me incomoda que o ministro Relvas, a quem eu nunca compraria um carro, seja o estratega do governo?
Porque será que eu, que tanto me bati por correr com Sócrates, não me sinta agora mais descansado do que estava?
Porque será que sinto um ambiente de catástrofe no ar e tenho a sensação de que lá na sede do Associação de Estudantes não dão sequer conta do que aí virá (apesar do Pres. da Republica, dos ex-PR, do Cardeal Patriarca, dos militares, da dona Rosalina e as vizinhas não falarem doutra coisa!)?
Eu diria que a resposta está no primeiro parágrafo do texto (o que me levará a ser cada vez mais minimalista ...)!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

VIVEMOS MOMENTOS DETERMINANTES DA NOSSA VIDA COLETIVA!

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, dá mostras de ser dos lideres europeus com a atitude mais assertiva e construtiva.
Valha-nos isso!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

E agora posso parar? Não se páras estás perdido!

Um dos problemas da Europa, como agora toda a gente diz, é o da falta de Estadistas, de liderança natural coletivamente aceite.
Outro importante ponto fraco, tem sido a ausência de democracia - os acordos fazem-se nas costas do povo e são apresentados como incontornáveis e inquestionáveis.
Esta forma de governar leva no limite, à situação  a que assistimos na Grécia - não adianta os dirigentes acordarem o que quer que seja, se não existir aderência à realidade, se estiver instalado um ambiente de rebelião civil, quiçá de eminente rebelião militar, estado de sítio, guerra cívil, etc..
As decisões de gabinete não servem de nada se não ferem aceites pela rua!
Estas evidências são aquelas que os Estadistas percebem antecipadamente e evitam a triste e perigosa figura de andarem a fazer de conta que governam.
No "Principezinho" o rei dum planeta por ele visitado, dizia-se tão poderoso que até era obedecido pelo Sol, quando o mandava pôr-se. Mas só dava a ordem, quando ele estava na eminência de o fazer...

A saída da Grécia do União Europeia e do Euro, não será um problema difícil de digerir para a Europa.
E daí não se perceber o estado de agitação psicomotora que tomou conta dos dirigentes políticos europeus, dramatizando excessiva e despropositadamente o problema. A atitude normal seria dar todo o espaço à Grécia para decidir em consciência o seu futuro, transmitindo a ideia, que me parece verdadeira, que se alguém perderá muito com essa saída, será ela própria.
Ora o que está a acontecer, é que o Robespierre francês e a chanceler bávara, dão ares de um nervosismo intolerável, quase que pedindo à Grécia para ficar, para o bem de todos: que tolos são, o puerpério de um e a menopausa da outra não podem justificar tal desvario.
Excepto se esta desproporcionada dramatização, tiver em vista a preparação de um clima de tensão, que permita uma expurgação da União Económica e Monetária de todos os mediterrânicos, que possam perturbar a pureza centro-europeia, que evoca a alguns sonhos de um passado de fausto ( mas também de pesadelo).
Caberia ao presidente da Comissão, latino por supuesto, vir aclarar, que quem quiser sair, tem as portas abertas, sem ressentimentos, mas que o projeto europeu não está em causa (e já agora desafiar quem assim o entender a fazer o seu referendo, para que não surjam de novo dúvidas tão cedo!) e criar mecanismos mais democráticos de funcionamento da União!
Estamos no momento em que tudo se decide e pecar por omissão, pode levar-nos ao Inferno!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Estamo-nos a ver gregos!

Apesar do alto risco da atitude - propôr um referendo sobre o destino da nação grega (que coisa estranha não é?! Isso é quase democracia direta! Cruzes, canhoto!) - ela vem lembrar que afinal há sempre saídas inesperadas, mesmo para as mais difíceis situações.
A chantagem de que só há uma via única, que os nossos governantes tentam passar, é que é intolerável.

As mais radicais e acutilantes críticas às escolhas que estão a ser feitas pelos nossos governantes, têm curiosamente vindo da Igreja.
Há dias numa iluminada reflexão, Frei Bento Domingues lembrava que apresentar as opções do governo como a única alternativa, além de uma pobreza intelectual deplorável, eram uma perigosa negação do próprio conceito de democracia - que por definição é a escolha entre diferentes alternativas.
No caso português com a agravante da escolha, em eleições, deste governo, ter assentado numa proposta de política diametralmente oposta à agora seguida e apresentada como via única (Sócrates caiu, infelizmente não por ser um mitómano e governar o país em negação da realidade, mas por causa dos PECs e das medidas restritivas anunciadas, às quais os atuais governantes contrapuseram promessas de alívio - não aumentavam impostos, não retiravam deduções fiscais, não reduziam professores, lembram-se ainda?!).

Os gregos (ou Papandreou!) têm pelo menos o mérito de vir recordar algumas questões básicas:
1) O regime político em vigor nos países europeus é a democracia!
2) Democracia implica também a assunção das responsabilidades pelo povo - e isso notou-se nas reações da rua na Grécia, com as pessoas a temerem o referendo, pois a situação não tem solução fácil e ninguém quer arcar com os riscos de uma escolha - apesar de desastroso, é preferível ter o bode espiatório dos políticos para se descarregarem as culpas (e quanto a ser tarde para chamar o povo a decidir, como ouvi nas entrevistas em Atenas, lembro que "mais vale tarde, que nunca"!).
3) Existem sempre alternativas na abordagem de um problema - podemos é estar convencidos que a nossa é a melhor, apenas!
4) Um rato pode paralisar, ainda que momentaneamente, um elefante! (Deverá é estar preparado para fugir, quando o paquiderme o tentar esmagar!) .

Ao dar xeque ao rei  (e à  rainha!) europeu, com poucas pedras em cima do tabuleiro, os gregos provaram que só se está derrotado no fim da partida e que talvez valha mais a pena morrer com dignidade, do que continuar um morto-vivo sem futuro nem vontade própria!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Inverno do meu entusiasmo!

A espuma dos dias está-se a trasformar numa torrente de lama e eu a ficar submerso pelo aluvião!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

NUM FUTURO NÃO MUITO DISTANTE

(Descrição de um sonho!)

A cena passa-se numa praça de uma cidade de aparência caótica - restos de lixo nos passeios, diversos focos de fumo a empestar o ar, jardins mal cuidados invadidos pelo estacionamento.
O que aparece como um comité de uma junta de indignados, julga sumariamente altos responsáveis políticos do poder cessante.
Antes do veridicto final, é dada oportunidade de defesa a uma personagem desengonçada e desesperada, dentro de um fato desalinhado (ex-primeiro ministro?, ex-ministro das finanças?).
E o único argumento que consegue alinhavar, face a uma provável execução, é a mesma a que todos os invertebrados recorreram ao longo da história:
- Mas eu estava a cumprir ordens ...!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"The 1% has destroyed this nation and its values through their greed. The 1% has stolen this world. We will not allow this to occur."




(Imagens de Wall Street hoje)

O apocalise não é final!
Que se está a desenvolver um movimento revolucionário a nível do Mundo Ocidental, não restam dúvidas.
Que nunca foi quando se andava de barriga cheia que se mudou o Mundo, já sabíamos!

Agências de rafting





O governo numa atitude de bom senso e poupança, acaba de substituir os contratos que tinha com as agências de rating, em monitorização da evolução do país, por agências de rafting.
A medida foi encarada com entusiasmo pela troika, já que como nos encontrávamos apenas a um nível de lixo (BBB), poucas novidades (e pouco interessantes) seriam esperadas dos relatórios dos analistas financeiros.
Além disso os agentes de rafting agora contratados, apresentam um score mais facilmente interpretado pela população do país.
Tendo entrado diretamente para o nível VI da tabela de risco de rafting, a grande dúvida é se o rápido acaba em cascata (nesse caso, pode-nos valer um paraquedas) ou se nos estampamos antes.

Anexo: Tabela Internacional de rating das agências de rafting
Nível I: Áreas com pedras muito pequenas; requer poucas manobras.
Nível II: Algumas águas agitadas, talvez algumas rochas; pode exigir manobras.
Nível III: Ondas pequenas, talvez uma pequena queda, mas sem perigo. Pode requerer habilidade de manobra significativa.
Nível IV: Ondas médias, presença de poucas pedras, com quedas consideráveis; manobras mais difíceis podem ser necessárias.
Nível V: Grandes ondas, possibilidade de grandes rochas, possibilidade de grandes quedas, há riscos e exige manobras precisas.
Nível VI: Corredeiras extremamente perigosas, pedras e ondas enormes. O impacto da água pode até causar estragos no equipamento. O nível VI é extremamente perigoso, pode machucar seriamente os praticantes ou até levá-los à morte. Completar esse percurso exige muita habilidade.

Subservientes não é o mesmo que bons alunos!



Talvez por ter sido sempre um bom aluno e verificar que a generalidade dos nossos políticos nunca o foi, irrita-me o lugar comum que se estabeleceu na comunicação social de que Portugal apostou face aos seus credores numa atitude de "bom aluno" e que tal poderá vir a render no futuro.
Na verdade começo logo por não perceber o que um endividado tem de parecido com um estudante. Mas mesmo forçando a comparação, um aluno que só começa a estudar quando está ameaçado de chumbar, nunca poderia ser chamado de bom. É aliás o paradigma do mau aluno e o facto dos nossos notáveis não perceberem isso diz tudo do seu percurso escolar e dos seus padrões de comportamento.
Fazer directas (leia-se, aumentar impostos), tomar estimulantes (leia-se, receitas extraordinárias), pedir adiamentos de exames ("novos pacotes de apoio"), dá às vezes para passar à rasquinha, mas não augura grande futuro para o estudante.
A atitude que o País assumiu face à Europa e aos seus credores é a de aparecer de corda ao pescoço, disposto ao que for necessário para salvar a honra e se possível a pele.
Essa atitude não tem nada de original, é um truque antigo e chama-se "postura à Egas Moniz".
No caso dos cães que se enroscam subservientes nos pés dos donos, quando se sentem ameaçados duma sova, às vezes resulta - quando os donos são sensíveis e tolerantes!
( D.Afonso VI de Castela perdoou a Egas Moniz este tê-lo intrujado, aquando do cerco de Guimarães, quando lhe prometeu a submissão dee D.Afonso Henriques, sem ter obtido previamente a sua anuência! Apesar de ter ficado para a história como um tolerante, prestou um mau serviço a Portugal, que continuamos a pagar quase 900 anos depois!)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Lavoisier



Há uma lei da termo dinâmica que diz que "nada se perde, tudo se tranforma" ("In Nature nothing is gained, nothing is lost, everything is transformed")
E embora seja uma velha discussão científica - a de que as leis das ciências naturais, não se aplicam às sociais - estou em crer que esta lei também se aplica à economia.
E se estamos quase todos a perder economicamente, isto quer para mim dizer que há alguns que estão a ganhar!
E ontem ao ver José Luís Arnaut num "debate" televisivo, pela sua cara, pelo seu discurso, tive a premonição que era dos que estava a ganhar!
Quando a roleta parar, o fosso social vai estar mais fundo!

O estado da Jarra

Praticamente há dois meses que parei a minha modesta actividade bloguista e embora as férias tenham ajudado, a razão principal do meu estado de inanição teve a ver com a perplexidade que o novo rumo da vida política e social nacional me causou.
Estou nos antípodas da mentalidade dominante que tem orientado o país nos últimos anos - sou avesso a consumismos, não me dislumbro com a novidade, gosto de maturar uma ideia antes de actuar, cultivo a prudência, odeio os lugares comuns, não aceito acriticamente as ditaduras das maiorias.
O estado de penúria em que se encontra o país, de dinheiro, mas também de princípios, foi em parte o móbil que me levou a criar este blog, numa altura em que o ambiente já me parecia asfixiante e eu sentia necessidade de uma janela aberta para respirar.
A "crise" que vive o país, é apenas o início de uma descida aos infernos, que ainda não chegou ao purgatório. E o que me levou a voltar agora à escrita foi um post da "ana de amsterdão" que lucidamente diz que "ainda muitas rotundas se farão em Portugal" (pode linkar na lista de blogs).
E é por ver os mesmos que nos trouxeram aqui, a mesma mentalidade, a mesma falta de visão, a mesma mediocricidade, agora adaptados "à nova realidade", com "novos" designíos, que eu me assusto ainda mais!
Pensando bem, não poderia ser de outra maneira, que nem nas revoluções as coisas mudam por magia, mas há outras pessoas neste país, mais clarividentes, menos corruptas, mais imaginativas, que continuam afastadas dos centros de decisão e poderiam promover novos paradigmas de sociedade.
Mas a sociedade do espectáculo aposta nos "originais", nos messias mirabolantes e as pessoas felizes, com vidas estáveis, sem vontade de "dar o corpo pela alma", estão arredadas da ribalta.
A grande diferença das sociedades nórdicas da nossa, ou melhor, onde essa diferença mais se consubstancia, é no facto dos políticos, dos directores dos organismos públicos, dos decisores, serem pessoas "normais", de andarem de transporte publico, irem ao supermercado, terem famílas para onde voltam ao fim do dia.
(Intrepretem como quiserem, mas eis uma sugestão para tese de sociologia: faça-se uma estatística de quantos "influentes" portugueses têm hábitos comuns - comem regularmente em casa, têm filhos e convivem diariamente com eles, fazem as compras de casa, etc.)
Eis porque o estado da Jarra passou de pensativa a estupefacta - como se no hardwear social obsoleto tivesse sido introduzido um novo softwear, que com o tempo se virá  a revelar incompatível.
Sociopoliticamente falando vivemos tempos bons, porque cada dia que passar se encarregará de nos lembrar que no dia seguinte estaremos ainda pior!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Caminhar - siga as setas amarelas!

Terminei ontem a etapa que me faltava do troço do Caminho de Santiago, que vai de Viana do Castelo a Valença (caminho português da costa).
Para quem gosta de caminhar, o caminho de santiago constitui uma excelente oportunidade, pois há a garantia de uma boa sinalização e de um trajeto a grande parte das vezes agradável. Não tem mais que seguir as setas amarelas que balizam o caminho!
De Viana, saindo de detrás do hospital, segue a meia encosta do monte de Santa de Luzia até Âncora e de lá por um trajeto mais junto à costa por Moledo até Caminha. Aqui, sugiro a eventuais interessados que em Moledo se mantenham junto ao mar, ao contrário das indicações, atravessem o pinhal do Camarido e cheguem a Caminha pela foz do Minho, o que constitui um trajeto muito mais agradável que o marcado.
São vinte e poucos Kms deliciosos, cerca de 5 horas de caminhada e que podem constituir, tal como qualquer das outra etapas, uma boa maneira de passar um dia de fim de semana, uma folga ou até uma tarde sem perspetivas, o que foi o caso de ontem.
Parti de Caminha rumo a Cerveira e o trajeto depoisr de Seixas faz-se também a meia altura, com o Minho sempre a namorar-nos cá em baixo. Nesta estação não faltam amoras, figos, uvas e maçãs para entreter o caminhante. Mesmo para quem conhece a região é garantida a surpresa dos locais que atravessa.
A etapa terá cerca de 20 kms, um pouco mais acidentada que a anterior, conte com 4 a 5 horas.

Nesta altura poderá complementar o passeio com uma visita à bienal e verificar in loco que grande parte dos artistas presentes, não teriam feito pior se tivessem passado mais tempo a caminhar ...
A linha de comboio de Valença a Viana permite repôr o caminhante no local de partida, o que constitui um apoio muito útil à aventura, que pode assim ser feita em autonomia (a CP também autoriza o transporte de bicicletas, sem qualquer formalidade prévia).

De Cerveira a Valença decorre a terceira etapa deste troço, com traçado mais plano, ao longo da veiga do Minho e numa extensão mais ou menos idêntica às anteriores.
Quem quiser seguir até Santiago terá mais 4 ou 5 dias pela frente, dos quais estou certo não se arrependerá!

Mas esta minha sugestão é a de usar este percurso para utilização avulsa, em qualquer altura do ano, com sol ou com chuva, de forma a evitar aquelas tardes de que tanto se arrepende, passadas em uma qualquer catedral de consumo!

domingo, 21 de agosto de 2011

FESTAS DA AGONIA

Agonia_2011

Acabou mesmo agora o fogo principal destes três dias de festa em Viana do Castelo - a Serenata do Rio!

Deslumbrante, com diversas inovações técnico-estéticas felizes - novas associações cromáticas, cachoeira da ponte seguida de fogo rasante (jactante!) sobre o rio, foguetes coração - o símbolo ex-libris da cidade!

Apenas a lamentar uma moda que se iniciou há um par de anos quando a produção do fogo foi entregue a uma empresa de eventos artísticos francesa - pôr banda sonora ao fogo. E se na sua versão original salvo erro era Strauss o contemplado, agora opta-se pela canção popular (Deolinda, Amália,etc.), que não tem nem elevação, nem ecletismo que permitam acompanhar o deslumbrante espetáculo da serenata de Viana.

Depois de Viana ter sido hoje capital do universo nacional pimba, cerimoniado pelo animador Goucha, nada mais apropriado que este banho de beleza para lavar a alma à cidade, que assim pode regressar desenvergonhadamente à sua placidez cativante.
E com todos satisfeitos ...

ECOVIA DO LIMA

Fotogaleria: AçudesVeigas - Fotogaleria

 Nestes tempos estivais pedalar ou caminhar ao longo de um rio, são das actividades mais reconfortantes e económica e ecologicamente benignas que se podem conceber.
De Viana do Castelo, é possível seguir o Lima pela margem Sul até Ponte da Barca, conforme poderá verificar AQUI, ou mesmo obter documentação detalhada ALI.

São 44 Kms de trajeto: desde a ponte Eiffel em Darque até Ponte de Lima (26Kms) e daí a Ponte da Barca ( 18Kms). Nem todos são de verdadeira ecovia que oficialmente constitui apenas uns troços intermédios - mas o que interessa é que pode acompanhar o Rio desde quase a Foz por caminhos agradáveis, apenas havendo no percurso inicial algumas limitações, conforme as marés (na maré cheia, terá que procurar alternativas mais interiores até chegar às lagoas de stº André).

A parte mais importante deste esforço é da Câmara de Ponte de Lima, que tem mesmo algumas vias complementares como o trajeto de meia dúzia de Kms, da vila às Lagoas de Bertiandos ( zona de paisagem protegida, com centro de interpretação, campismo, etc.).
Embora estas vias já sejam utilizadas por muita gente, estão ainda muito aquém do aproveitamento que o seu potencial lúdico e turístico permite.
Já imaginou por exemplo um pacote de 3 ou 4 dias de férias com passeio de Viana - Ponte de Lima, com atividades desportivas e/ou gastronómicas complementares, pernoita (em albergue, turismo de habitação), seguida de etapa até Ponte da Barca/Arcos de Valdevez, mais regresso.
Qualquer um o pode fazer por sua iniciativa e com seguro proveito, mas um jovem empresário turístico poderá fazer disto um modo de vida!
(Já existe um público para este tipo de turismo activo, mas o seu potencial de crescimento é enorme!)

sábado, 20 de agosto de 2011

ELOGIO DA EXPERIÊNCIA

Agora que me pus a ler o D. Quixote, descubro todos os dias nos jornais, nos blogues, que é um autor da moda ... com 400 anos de tarimba, o que é uma garantia incontornável!

D. Quixote é alguém que conheceu primeiro o mundo pelos livros, ao contrário de Caeiro que enaltece "a espantosa realidade das coisas", e que ao tomar contacto com a realidade quer à viva força que ela corresponda ás fantasias que desenvolveu nas suas leituras alucinadas.

Vai daí, aqueles que lhe estavam próximos terem entendido que destruir a sua biblioteca era um acto de caridade!

Também desconfio daqueles que conhecem o Mundo dos livros (embora creia que estes são um património único, apesar da sua maioria ser dispensável).
A experiência vivida, se possível sem constrangimentos morais, ideológicos ou quaisquer outros preconceitos, é o nosso maior património e aquilo que de mais útil temos para dar aos outros.
Na vida económica, cultural, na política, assustam-me os teóricos, os que aprenderam tudo nos livros, nas universidades, os que conceptualizam a realidade!

Ninguém, a não ser por acaso, tomará boas decisões sobre matérias sobre as quais não desenvolveu uma teoria pessoal, fruto de muitas leituras, opiniões alheias, mas sobretudo duma vivência rica numa determinada área.
Temo os sabichões, cheios de certezas!

A sabedoria é uma atitude tolerante, disponível para aprender e mudar!

O meu poeta

Alberto Caeiro

A espantosa realidade das coisas

A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
7-11-1915