Passei agora por um cadáver à porta da morgue e ocorreu-me brincar com a empregada que o transportava.
O respeito pela morte, apesar de o falecido não se incomodar já com nada e ser para nós um desconhecido, fez-me, muito apropriadamente, estar calado.
É por uma inibição idêntica que cada vez sinto ser menos oportuno falar ou discutir sobre a situação de Portugal.
Fico perplexo com a falta de respeito dos políticos e comentadores que discutem animadamente sobre o assunto! Ponham ao menos um ar grave e pesaroso - é tudo o que me ocorre dizer!
ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe
- ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? - NÃO, SE PÁRAS, ESTÁS PERDIDO! Goethe
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Maus exemplos!

Na vida pública (e mesmo na privada) a questão dos exemplos e da consequente autoridade moral são fundamentais para se alcaçarem os objetivos.
O facto do governo ter encomendado por ajuste direto uma edição luxuosa do seu programa, a custar 120 euros o exemplar não teria qualquer relevância em si, não fosse o estímulo que constitui a todos os presidentes de CA de EPEs, diretores gerais, comissários de todo o tipo, de se sentirem no direito, senão na obrigação, de fazer o mesmo.
Se quando se passa a viajar em económica ou a dispensar gravata é o efeito de contágio e replicação que se pretende, ao tomar atitudes como esta não se podem ignorar as esperadas consequências!
Quando a realidade começa a não ser favorável, a tentação da propaganda parece ser irresistível!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Um povo de desenrascados!
O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, comenta que " Passos Coelho apelou ao Governo angolano que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da União Europeia”.
E ainda " o presidente dos democratas europeus referiu-se ao contraste entre os modelos de desenvolvimento europeu e chinês, afirmando que este assenta numa “sociedade esclavagista, sem direitos, numa ditadura que oprime implacavelmente o ser humano”.
Isto a propósito de um post de há alguns dias - e não adianta virem os piegas dos eurodeputados portugueses protestar sobre as declarações do seu presidente - é assim que ele pensa e representa seguramente o pensar de grande parte dos cidadãos europeus.
Andamos a pisar terreno traiçoeiro e sobre estas Relvas escorregadias o pior que podemos fazer é sermos alunos certinhos (acéfalos, acríticos) armados em Chico-espertos!
PS - acrescento "a posteriori" uma ligação para uma opinião que partiho totalmente, sobre este mesmo assunto!
E ainda " o presidente dos democratas europeus referiu-se ao contraste entre os modelos de desenvolvimento europeu e chinês, afirmando que este assenta numa “sociedade esclavagista, sem direitos, numa ditadura que oprime implacavelmente o ser humano”.
Isto a propósito de um post de há alguns dias - e não adianta virem os piegas dos eurodeputados portugueses protestar sobre as declarações do seu presidente - é assim que ele pensa e representa seguramente o pensar de grande parte dos cidadãos europeus.
Andamos a pisar terreno traiçoeiro e sobre estas Relvas escorregadias o pior que podemos fazer é sermos alunos certinhos (acéfalos, acríticos) armados em Chico-espertos!
PS - acrescento "a posteriori" uma ligação para uma opinião que partiho totalmente, sobre este mesmo assunto!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Ignorância ou excesso de confiança!
"Admiro" a "coragem" do governo em suspender o gozo do Carnaval em Portugal!
Que há nitidamente um espírito punitivo subjacente à política socio económica, ficou agora evidente!
Quanto aos números: representando cada dia de trabalho 0,408% do PIB (contas do governo), será que com a suspensação de cinco feriados mais 3 dias de férias, obteremos por essa via um ganho direto de 3,2% do PIB?
Como a propósito lembrou Pedro Lains, estou a precisar de um pastel de nata ...
Sinto que estou a ser demasiado piegas, mas não tenho emenda "sou uma pessoa muito ligada às velhas tradições"!
Quanto à exigência que se pede aos portugueses lanço aqui um Quiz:
1) Quem é que acabou o curso aos 37 e só começou a trabalhar depois dos 40?
2) E conseguiu pouco a seguir colocação num cargo de topo da administração pública?
3) E conta logo que termine esta comissão de serviço, um lugar de topo numa empresa privada, eventualmente recentemente privatizada (claro que o Estado não interfere nas nomeações das empresas privadas!)
4) Como consegue um conservador, ridicularizar um povo por gostar de tradições!
5) Até quando um povo manterá a passividade, porque está arreigado a uma tradição de ser pacífico e tolerante?
Que há nitidamente um espírito punitivo subjacente à política socio económica, ficou agora evidente!
Quanto aos números: representando cada dia de trabalho 0,408% do PIB (contas do governo), será que com a suspensação de cinco feriados mais 3 dias de férias, obteremos por essa via um ganho direto de 3,2% do PIB?
Como a propósito lembrou Pedro Lains, estou a precisar de um pastel de nata ...
Sinto que estou a ser demasiado piegas, mas não tenho emenda "sou uma pessoa muito ligada às velhas tradições"!
Quanto à exigência que se pede aos portugueses lanço aqui um Quiz:
1) Quem é que acabou o curso aos 37 e só começou a trabalhar depois dos 40?
2) E conseguiu pouco a seguir colocação num cargo de topo da administração pública?
3) E conta logo que termine esta comissão de serviço, um lugar de topo numa empresa privada, eventualmente recentemente privatizada (claro que o Estado não interfere nas nomeações das empresas privadas!)
4) Como consegue um conservador, ridicularizar um povo por gostar de tradições!
5) Até quando um povo manterá a passividade, porque está arreigado a uma tradição de ser pacífico e tolerante?
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
QUE PELIGO!
Confirma-se que 25% da REN (rede eletlica nacional) passou a pertencer à empresa estatal chinesa State Grid.
Agradecia que o sr. explicador do governo, viesse justificar esta nacionalização duma empresa estratégica, pelo mesmo país que já tinha nacionalizado a eletlica nacional (que tinha sido obrigada a separar-se da REN por necessidade de acautelar a liberdade de concorrência e prevenir o monopólio).
Tenho para mim que neste momento corremos mais risco de sermos expulsos da Europa, por nos termos tornado um cavalo de Tróia chinês, que pelo montante do nosso déficite.
Agradecia que o sr. explicador do governo, viesse justificar esta nacionalização duma empresa estratégica, pelo mesmo país que já tinha nacionalizado a eletlica nacional (que tinha sido obrigada a separar-se da REN por necessidade de acautelar a liberdade de concorrência e prevenir o monopólio).
Tenho para mim que neste momento corremos mais risco de sermos expulsos da Europa, por nos termos tornado um cavalo de Tróia chinês, que pelo montante do nosso déficite.
Queridos governantes: Abram os olhos e sejam humildes!
Bradford DeLong, Professor na Universidade da Califórnia em Berkeley e antigo subsecretário do Tesouro dos EUA, escreve isto aqui:
(...)
" Compare-se esta abordagem com a actual política de expansão através da austeridade praticada pelo governo do primeiro-ministro britânico, David Cameron (com o Ministro das Finanças, George Osborne, como chefe da claque). O PIB real do país estagnou e existem fortes probabilidades de que o PIB real britânico caia novamente.
De facto, em menos de um ano, se as actuais previsões estiverem corretas, a Depressão da Grã-Bretanha de Cameron-Osborne não será simplesmente a pior depressão na Grã-Bretanha desde a Grande Depressão, será provavelmente a pior depressão que a Grã-Bretanha já conheceu. (...)
O fracasso da austeridade expansionista na Grã-Bretanha deve dar a todos os seus defensores a nível mundial razões para reflectir e repensar os seus cálculos políticos. A Grã-Bretanha é uma economia altamente aberta com uma taxa de câmbio flexível e com alguma margem para flexibilização monetária adicional. (...)
Se é que alguma vez existiu um país onde a austeridade expansionista devia funcionar bem – onde o investimento privado e as exportações deveriam aumentar à medida que compras governamentais desciam, confirmando a visão que os seus defensores têm do mundo – esse país devia ser a Grã-Bretanha de hoje.
Mas a Grã-Bretanha de hoje não é esse país. E se a austeridade expansionista não está a funcionar na Grã-Bretanha, como poderá funcionar em países que são menos abertos, que não podem usar o canal da taxa de câmbio para aumentar as exportações e que não dispõem da confiança a longo prazo que os investidores e as empresas têm na Grã-Bretanha?
(...)
Responsáveis políticos de outros países do mundo, tomem nota: passar fome não é o caminho para a saúde e aumentar o desemprego não é uma fórmula para ter a confiança do mercado."
(...)
" Compare-se esta abordagem com a actual política de expansão através da austeridade praticada pelo governo do primeiro-ministro britânico, David Cameron (com o Ministro das Finanças, George Osborne, como chefe da claque). O PIB real do país estagnou e existem fortes probabilidades de que o PIB real britânico caia novamente.
De facto, em menos de um ano, se as actuais previsões estiverem corretas, a Depressão da Grã-Bretanha de Cameron-Osborne não será simplesmente a pior depressão na Grã-Bretanha desde a Grande Depressão, será provavelmente a pior depressão que a Grã-Bretanha já conheceu. (...)
O fracasso da austeridade expansionista na Grã-Bretanha deve dar a todos os seus defensores a nível mundial razões para reflectir e repensar os seus cálculos políticos. A Grã-Bretanha é uma economia altamente aberta com uma taxa de câmbio flexível e com alguma margem para flexibilização monetária adicional. (...)
Se é que alguma vez existiu um país onde a austeridade expansionista devia funcionar bem – onde o investimento privado e as exportações deveriam aumentar à medida que compras governamentais desciam, confirmando a visão que os seus defensores têm do mundo – esse país devia ser a Grã-Bretanha de hoje.
Mas a Grã-Bretanha de hoje não é esse país. E se a austeridade expansionista não está a funcionar na Grã-Bretanha, como poderá funcionar em países que são menos abertos, que não podem usar o canal da taxa de câmbio para aumentar as exportações e que não dispõem da confiança a longo prazo que os investidores e as empresas têm na Grã-Bretanha?
(...)
Responsáveis políticos de outros países do mundo, tomem nota: passar fome não é o caminho para a saúde e aumentar o desemprego não é uma fórmula para ter a confiança do mercado."
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
E os feriados senhor!
"Ainda ninguém do governo explicou porque a questão dos feriados está a ser tratada pelo ministro da economia, transportes,comunicações e emprego." José Medeiros FerreiraMuito bem observado! Sendo esta uma questão de cultura e identidade nacional não se percebe porque está a ser tratada por alguém tido como estrangeirado e reconhecidamente pouco culto!
Isto é exemplar de como uma Nação está a ser vilipendiada por uma horda de neocons!
(Diferente seria se se tratasse de uma medida conjuntoral de emergência económica, tipo "suspender durante dois anos as comemorações de determinados dias").
PS - Para quem ainda não tenha percebido na alhada em que estamos metidos, recomendo a consulta do livro aqui exposto, em que o iluminado Álvaro assumindo o papel de criador do Universo discorre de como o moldaria à sua imagem - o drama foi terem-lhe posto na mão um boneco Vodoo com o formato de Portugal!
PS - Para quem ainda não tenha percebido na alhada em que estamos metidos, recomendo a consulta do livro aqui exposto, em que o iluminado Álvaro assumindo o papel de criador do Universo discorre de como o moldaria à sua imagem - o drama foi terem-lhe posto na mão um boneco Vodoo com o formato de Portugal!
J. Edgar - Clint Eastwood no seu melhor!
Declaração de interesses:
1) Não sou comunista, nem anticomunista!
2) Sou heterossexual assumido mas recuso o chauvinismo sexual!
3) Gosto de cinema, já vi muitos filmes e sou um apreciador de Clint Eastwood!
4) A vida ensinou-me que com os cinzentos possíveis entre o branco e o preto, consegue-se ter todo o espetro cromático da vida!
Depois disto serei breve:
J. Edgar (Hoover) recentemente estreado em Portugal é um excelente filme e um ato de coragem cívica só possível em alguém, capaz de fazer sobrepôr as suas regras às da indústria!
Uma memorável interpretação de Leonardo di Caprio, que se diz ter abdicado do seu cachet corrente pela importância deste desafio.
O que me intriga são os comentários dos "críticos" de serviço da comunicação social portuguesa - no Público uma luminária tem a desfaçatez de insultuosamente dar uma estrela, em cinco, ao filme ( e os outros dois "cultos de serviço", dão 2 e 3 estrelas).
Nem só a pertença à maçonaria deveria fazer parte das declarações de interesses dos políticos e jornalistas...
Um belo filme, um grande realizador, vítima de uma conspiração de "forças ocultas", empenhadas em afastar da cultura o público que se deixa manipular por "atribuidores de estrelas".
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Salmo 118: falou então de uma nova época, que começava!
“Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”.
Se soubessem que corriam risco de vida!
Prevenir a censura - a crónica da polémica!
“Em directo de Luanda, a RTP serviu nesta segunda-feira aos portugueses e ao mundo – eu vi aqui em Paris – uma emissão a que chamou ‘Reencontro’ e na qual desfilaram, durante duas horas, responsáveis políticos, empresários e comentadores de Portugal e de Angola, entre alguns palhaços ricos e figuras grotescas do folclore local.
O serviço público de televisão tem estômago para muito, alguns dirão para tudo, mas o Reencontro a que assistimos desta vez foi um dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez assisti. Há até propaganda comestível, quando feita com inteligência, mas nem sequer essa bitola foi conseguida, foi permitida, à emissão. A nossa televisão, a televisão paga por todos e que, de certo modo, é um pouco de cada um de nós, afectiva mas também politicamente, foi a Luanda socializar com os apparatchik do regime, nos quais deveríamos reencontrar uma Angola irmã, uma Angola feliz, uma Angola nova.
Aconteceu o contrário. Reencontrei nesta emissão a falta de vergonha de uma elite que sabe o poder que tem e o exibe em cada palavra que diz. Não no conteúdo, mas no tom, seguro, simpático, veladamente sobranceiro. Aquela gente – as divas, os engravatados, os socialites – são. ao mesmo tempo, a couraça e as lantejoulas de uma clique produzida pela história recente de um país que combinou uma guerra de 30 anos e uma riqueza concentrada, basicamente, no petróleo.
Oleocracia, chamou-lhe a socióloga francesa Christine Messiant, falecida faz agora anos, e que identificou como ninguém a natureza do poder de José Eduardo dos Santos, do MPLA, da Grande Família e das suas clientelas. Em poucas linhas, a clique angolana, em torno do Presidente, privatizou o Estado, numa teia de clientes da ‘economia política’ angolana e num aparelho que controla, por um lado, a segurança e o uso da força, e, por outro, as contas vitais da República, como a do petróleo, dos diamantes, do Banco Nacional e do Tesouro.
Os generais e barões da economia política fizeram ganhos astronómicos nas comissões dos contratos de armamento, do petróleo, da manutenção militar, por aí fora, e depois usaram esses recursos em todos os negócios sensíveis, estratrégicos – as empresas de segurança, as companhias de aviação, os sectores das empresas públicas colocados em leasing, as companhias ligadas às forças armadas e à polícia. Um lucro incalculável e, o melhor, legal!
Como bem explicou Christine Messiant, o controlo da economia pelo topo do poder político (juntando as altas patentes e o politburo informal do Partido) usou e geriu a concorrência internacional, beneficiando a conivência, a colaboração ou a assistência de grupos estrangeiros na banca, no sector energético.
É esta, resumindo, a face verdadeira da nova Angola: o novo poder económico é apenas a nova máscara do velho poder político. Uma maquilhagem sofisticada mas óbvia, o bâton da ditadura, parafraseando o grande jornalista Rafael Marques.
Num reencontro digno para ambos os povos e ambas as audiências, teria havido por exemplo Rafael Marques, ou alguém que chamasse à corrupção, corrupçlão, e não, quase a medo, numa única pergunta, ‘um certo tipo de corrupção’, como fez Fátima Campos Ferreira.
Quem se encontra com a realidade de Angola, encontra a violência brutal nas Lundas diamantíferas, os despojos da guerra civil no tecido social e produtivo, a conflitualidade social latente entre quem tem o mundo e quem não é sequer dono da sua vida, ou a pobreza dos musseques de Luanda, que não desaparecem com o cair do cetim vermelho de um banco como na publicidade que embrulhou a emissão da RTP. Já agora, gostaria de ter reencontrado outros portugueses: os milhares que vão para Angola em fuga de um país sem esperança, o nosso, como se ia nos anos 50, e, como então, enfiados como semi-escravos e semi-reféns à mercê dos seus patrões – agora angolanos – num estaleiro, numa pedreira ou numa fazenda algures fora do alcance das visitas oficiais que chegam a Luanda.
Nesta emissão, enfim, Portugal confirmou que, como antes os nossos colonos, apenas temos a subserviência quando a situação não nos permite o abuso. É no que estamos. ‘Qual o objectivo do investimento angolano no estrangeiro?’, perguntava a jornalista. A resposta foi dada pela própria emissão: respeitabilidade. Luanda apenas compra aquilo que sabe que não tem.”
Pedro Rosa Mendes
Aconteceu o contrário. Reencontrei nesta emissão a falta de vergonha de uma elite que sabe o poder que tem e o exibe em cada palavra que diz. Não no conteúdo, mas no tom, seguro, simpático, veladamente sobranceiro. Aquela gente – as divas, os engravatados, os socialites – são. ao mesmo tempo, a couraça e as lantejoulas de uma clique produzida pela história recente de um país que combinou uma guerra de 30 anos e uma riqueza concentrada, basicamente, no petróleo.
Oleocracia, chamou-lhe a socióloga francesa Christine Messiant, falecida faz agora anos, e que identificou como ninguém a natureza do poder de José Eduardo dos Santos, do MPLA, da Grande Família e das suas clientelas. Em poucas linhas, a clique angolana, em torno do Presidente, privatizou o Estado, numa teia de clientes da ‘economia política’ angolana e num aparelho que controla, por um lado, a segurança e o uso da força, e, por outro, as contas vitais da República, como a do petróleo, dos diamantes, do Banco Nacional e do Tesouro.
Os generais e barões da economia política fizeram ganhos astronómicos nas comissões dos contratos de armamento, do petróleo, da manutenção militar, por aí fora, e depois usaram esses recursos em todos os negócios sensíveis, estratrégicos – as empresas de segurança, as companhias de aviação, os sectores das empresas públicas colocados em leasing, as companhias ligadas às forças armadas e à polícia. Um lucro incalculável e, o melhor, legal!
Como bem explicou Christine Messiant, o controlo da economia pelo topo do poder político (juntando as altas patentes e o politburo informal do Partido) usou e geriu a concorrência internacional, beneficiando a conivência, a colaboração ou a assistência de grupos estrangeiros na banca, no sector energético.
É esta, resumindo, a face verdadeira da nova Angola: o novo poder económico é apenas a nova máscara do velho poder político. Uma maquilhagem sofisticada mas óbvia, o bâton da ditadura, parafraseando o grande jornalista Rafael Marques.
Num reencontro digno para ambos os povos e ambas as audiências, teria havido por exemplo Rafael Marques, ou alguém que chamasse à corrupção, corrupçlão, e não, quase a medo, numa única pergunta, ‘um certo tipo de corrupção’, como fez Fátima Campos Ferreira.
Quem se encontra com a realidade de Angola, encontra a violência brutal nas Lundas diamantíferas, os despojos da guerra civil no tecido social e produtivo, a conflitualidade social latente entre quem tem o mundo e quem não é sequer dono da sua vida, ou a pobreza dos musseques de Luanda, que não desaparecem com o cair do cetim vermelho de um banco como na publicidade que embrulhou a emissão da RTP. Já agora, gostaria de ter reencontrado outros portugueses: os milhares que vão para Angola em fuga de um país sem esperança, o nosso, como se ia nos anos 50, e, como então, enfiados como semi-escravos e semi-reféns à mercê dos seus patrões – agora angolanos – num estaleiro, numa pedreira ou numa fazenda algures fora do alcance das visitas oficiais que chegam a Luanda.
Nesta emissão, enfim, Portugal confirmou que, como antes os nossos colonos, apenas temos a subserviência quando a situação não nos permite o abuso. É no que estamos. ‘Qual o objectivo do investimento angolano no estrangeiro?’, perguntava a jornalista. A resposta foi dada pela própria emissão: respeitabilidade. Luanda apenas compra aquilo que sabe que não tem.”
Pedro Rosa Mendes
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Premonição!
"Sinto que estamos a chegar a um ponto de viragem" - Vitor Gaspar, ministro das Finanças de Portugal.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Ele é tudo tão rápido ... mas não consegue surpreender!
O primeiro-ministro deixa de ter a melhor avaliação, numa sondagem da Aximage, para se juntar a Francisco Louçã na última posição. No Governo, a popularidade de Paulo Macedo tem estado em queda livre e é o ministro menos popular, a par de Álvaro Santos Pereira. Nuno Crato ocupa a posição contrária.
Em Janeiro, Coelho é, juntamente com Francisco Louçã, o líder partidário com pior avaliação para os portugueses na sondagem da Aximage para o Correio da Manhã.
Em Dezembro, o primeiro-ministro português ocupava o primeiro lugar.
Em Janeiro, Portas acompanha o deslize do parceiro de coligação e obtém uma classificação de 9,3, abaixo da nota de António José Seguro (9,7) e de Jerónimo de Sousa (10), a única avaliação positiva.
domingo, 1 de janeiro de 2012
A melhor análise política e económica do fim de ano
Sócios, ele é o Economista do Ano
Por Ferreira Fernandes
QUEM é o meu Economista do Ano? Sócios, é isso que vou explicar.
O que é que Portugal tem de fazer? Vai qu'ir buscar dinheiro... Ontem vi o patrão da barragem Três Gargantas, Cao Guangjing. Ele é o chinês que comprou a EDP - e fez-me luz! Foi quando ele disse: "Podemos trazer dinheiro e bancos chineses." Sócios, ele é o 20.º jogador do plantel, aquele que foi anunciado num discurso, em Lisboa, a 24 de Março!
Na altura, foi dito que vinham aí charters e os portugueses riram-se. E não é que aconteceu mesmo?! Portugal foi buscar sponsors, foi buscar as Três Gargantas.
Agora Portugal vai ter comissão de charters... vai ter comissão de bancos... vai ter comissão de barragens...
Ontem Cao Guangjing foi recebido no Ministério da Economia e hoje vai ao Ministério das Finanças e vai ser recebido por Passos Coelho... Porquê? Sócios, porque foi feito um Departamento do Jogador Chinês, como foi preconizado no tal discurso em Março. "Portugueses, isto é um projecto de irmos p'ra frente! Vamos ganhar, vamos tar lá em cima outra vez", foi dito então.
E agora eu vou ter que eleger o Economista do Ano. Aquele discurso não foi nem do Teixeira dos Santos nem do Constân... sócios... oh sócios... por favor, tou concentradíssimo, não é?, nem pelas falinhas mansas do Gaspar, nem pela sumidade académica do Álvaro - foi dito com os pés por Paulo Futre. Não foi citado pelo Financial Times mas está no YouTube. E, sócios, Futre foi o único que acertou.
QUEM é o meu Economista do Ano? Sócios, é isso que vou explicar.
O que é que Portugal tem de fazer? Vai qu'ir buscar dinheiro... Ontem vi o patrão da barragem Três Gargantas, Cao Guangjing. Ele é o chinês que comprou a EDP - e fez-me luz! Foi quando ele disse: "Podemos trazer dinheiro e bancos chineses." Sócios, ele é o 20.º jogador do plantel, aquele que foi anunciado num discurso, em Lisboa, a 24 de Março!
Na altura, foi dito que vinham aí charters e os portugueses riram-se. E não é que aconteceu mesmo?! Portugal foi buscar sponsors, foi buscar as Três Gargantas.
Agora Portugal vai ter comissão de charters... vai ter comissão de bancos... vai ter comissão de barragens...
Ontem Cao Guangjing foi recebido no Ministério da Economia e hoje vai ao Ministério das Finanças e vai ser recebido por Passos Coelho... Porquê? Sócios, porque foi feito um Departamento do Jogador Chinês, como foi preconizado no tal discurso em Março. "Portugueses, isto é um projecto de irmos p'ra frente! Vamos ganhar, vamos tar lá em cima outra vez", foi dito então.
E agora eu vou ter que eleger o Economista do Ano. Aquele discurso não foi nem do Teixeira dos Santos nem do Constân... sócios... oh sócios... por favor, tou concentradíssimo, não é?, nem pelas falinhas mansas do Gaspar, nem pela sumidade académica do Álvaro - foi dito com os pés por Paulo Futre. Não foi citado pelo Financial Times mas está no YouTube. E, sócios, Futre foi o único que acertou.
«DN» de 30 Dez 11
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