ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe

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sexta-feira, 23 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Dia Mundial da Floresta!



Fotografia de chupa-chupas roubada à National Geographic!

Porque tinha esquecido os intelectuais de merda...

Lido durante um jantar em Évora, no Carnaval de 1934, pelo autor, João de Vasconcelos e Sá, oficial de cavalariana, na presença do Ministro da Agricultura – Leovigildo Queimado Franco de Sousa,  a quem dedica o poema!

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Agricultura

Exposição

Porque julgamos digna de registo,
a nossa exposição, Sr. Ministro,
erguemos até vós humildemente,
uma toada uníssona e plangente,
em que evitámos o menor deslize,
e em que damos razão da nossa crise.

Senhor, em vão esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Mas falta-nos a matéria orgânica precisa,
na terra que é delgada e sempre fraca.
A matéria em questão, chama-se caca.

Precisamos de merda, senhor Soisa,
e nunca precisámos de outra coisa…

Se os membros desse ilustre Ministério
querem tomar o nosso caso bem a sério;
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade,
e mijem-nos também, por caridade…

O Senhor Oliveira Salazar,
quando tiver vontade de cagar,
venha até nós, solicito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo, com sossego,
ajeite o cu bem apontado ao rego,
e como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho.
A nação confiou-lhe os seus destinos…
Então comprima, aperte os intestinos.
e ai..se lhe escapar um traque não se importe…
quem sabe se o cheirá-lo não dará sorte…
Quantos porão as suas esperanças
num traque do Ministro das Finanças…
e também, quem vive aflito e sem recursos,
ja nao distingue os traques, dos discursos…
Não pecisa falar, tenha a certeza,
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provem da merda que juntarmos nelas .
Precisamos de merda, senhor Soisa,
e nunca precisamos de outra coisa,
adubos de potassa, cal, azote;
tragam-nos merda pura do bispote,
e de todos os penicos portugueses,
durante pelo menos uns seis meses.
Sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente eles nos despejem trampa.
Ah terras alentejanas, terras nuas,
desesperos de arados e charruas
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sempre a paixão nostálgica da merda…

Precisamos de merda senhor Soisa,
e nunca precisámos de outra coisa…

Ah, merda grossa e fina , merda boa,
das inúteis retretes de Lisboa.
Como é triste saber que todos vós
andais cagando, sem pensar em nós…
Se querem fomentar a agricultura,
mandem vir muita gente com soltura…
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala…
Ah, venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade,
formas normais ou formas esquisitas.
E desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia, à grande bosta,
tudo o que vier a gente gosta ,

Precisamos de merda, Senhor Soisa ,
e nunca precisámos de outra coisa…

(roubado à Ana Cristina Leonardo)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Poesia

Admiro muito os poetas!
Não pelo que escrevem,
que só reverencio em raros casos
mas pela sua habilidade,
de recorrendo a transparências
ou reclamando transcendências,
convocando musas
ou falando das tusas
conseguirem épater le bourgeois,
(en français ou evocando virgílios)
poupando o esforço,
das tantas páginas dos romancistas
e do leitor,
que assim numa rapidinha
passa a intelectual de pacotilha!

quinta-feira, 15 de março de 2012



Apesar deste blog  se encontrar de luto, em estado de nojo pelo país, não me parece desadequado incluir este obituário.
Moebius, falecido o sábado passado era, antes de o ser, Jean Giraud o criador do Capitão Blueberry (minha imagem avatar deste blog) que tanto me fez sonhar desde a minha juventude.
Um duro, politicamente incorreto, um ser justo e humano indiferente ao sucesso fácil e à opinião dominante. Um Clint Eastwood da BD, se me faço melhor entender assim.
Quando homens destes partem, a minha esperança é de que as ideias que semearam acabem por dar os seus frutos.
Até sempre Jean Giraud! O Blueberry ficou por cá!