Paul Krugman, 57 anos, prémio Nobel de Economia (2008), colunista do "The New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA), escreve um interessante artigo no NYT de 12/06/2011, sobre sistemas de saúde.
O artigo que pode ser lido aqui em inglês ou em português, diz coisas como as seguintes, que desde já deixo ao cuidado do novo ministro da saúde, com a gestão de um seguro privado de saúde no curriculo:
" De vez em quando, um político aparece com uma ideia tão má, tão disparatada, que quase ficamos satisfeitos. É que as ideias seriamente disparatadas podem ajudar a ilustrar a que ponto o discurso político descarrilou. (...)
Os Estados Unidos têm o sistema de saúde mais privatizado entre os países avançados. Também oferecem, de longe, a saúde mais cara, sem que isso represente vantagem clara de qualidade, apesar de todos esses gastos. A saúde é uma área na qual o setor público consistentemente faz um trabalho melhor que o privado, no controle de custos. (...)
Nada do que estou afirmando, é claro, deveria ser tomado como razão para complacência sobre a alta nos custos da saúde. Tanto o Medicare quanto os planos privados de saúde serão insustentáveis a menos que haja esforços sérios de controle de custos - do tipo prescrito no pacote de reformas da saúde e descrito pelos republicanos demagogos como "painéis da morte". "
ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe
- ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? - NÃO, SE PÁRAS, ESTÁS PERDIDO! Goethe
sábado, 18 de junho de 2011
FLIP,FLAP! FLOP?
No novo Governo:
Por Formação:
Seis licenciados em Direito ( Paulo Portas, Miguel Macedo, A. Cristas, Aguiar Branco, P. Teixeira da Cruz, P. Mota Soares) - 50%
Quatro em Economia e Gestão ( P. Passos Coelho, Vitor Gaspar, Álvaro Pereira, P. Macedo) - 33%
Um matemático (N. Crato) e um Cientista Político (M. Relvas)
Por Nascimento:
Em reconhecimento pela sua infância passada em Angola, Passos Coelho convida 3 ministros (Cristas, Teixeira da Cruz, Relvas) angolanos!
Que pena não termos tido um primeiro, minhoto!
Por Formação:
Seis licenciados em Direito ( Paulo Portas, Miguel Macedo, A. Cristas, Aguiar Branco, P. Teixeira da Cruz, P. Mota Soares) - 50%
Quatro em Economia e Gestão ( P. Passos Coelho, Vitor Gaspar, Álvaro Pereira, P. Macedo) - 33%
Um matemático (N. Crato) e um Cientista Político (M. Relvas)
Por Nascimento:
Em reconhecimento pela sua infância passada em Angola, Passos Coelho convida 3 ministros (Cristas, Teixeira da Cruz, Relvas) angolanos!
Que pena não termos tido um primeiro, minhoto!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
O meu poeta é ...
A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
7-11-1915
“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.
1ª publ. in Athena, nº 5. Lisboa: Fev. 1925.
Enquanto isso, conforme explicam aqui ...
Fernando Pessoa disse que está bem mais leve depois que passou a ser um só. “Além de mala, aquele Alberto Caeiro não pegava ninguém."
Gavetas!

Hospital Sirah - Brasília, de João Filgueiras Lima (Lelé) - 1980

![[imgzoom-Morgana--5-tiroirs-Lago-refcam985-jaunebrillant.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJ22o5WqsTUwjrNoWKeAX85T18RmPj4T7LLvRTcGlMhyrxSUl4-CgmkJxLyd2wUrRnQSiEYEIYwl3DEwklO9MIHKh4MrzpRfC5pw10EOR3d6BMazmepP5f_ynx2w0erKm5ULhdXm-24pJN/s200/imgzoom-Morgana--5-tiroirs-Lago-refcam985-jaunebrillant.jpg)
Cómoda Morgana de Daniele Lago, para Lago (1996).
Hotel Axis, Viana do Castelo, de Jorge Albuquerque, 2008
quinta-feira, 16 de junho de 2011
INDÍCIOS PREOCUPANTES
Face à percepção da situação catastrófica do país, os portugueses viram-se nas últimas eleições arrastados numa vaga política que deixou pouca margem de opções para a sua escolha.
Na realidade, o povo, o eleitorado, nós todos, mesmo os que não votaram, mais não fizeram que ratificar a que pareceu ser a única saída para a situação desesperada em que nos encontrávamos e que só foi realmente percebida mesmo na eminência do abismo!
Para os muitos (poucos!) que alertavam há anos para a insustentabilidade das políticas seguidas, fica-lhes a consolação de terem tido razão... só que antes do tempo, o que quer dizer que irão sofrer como os outros, as consequências de todas as imprevidências e dislates praticados!
Concordo que estas eleições foram perdidas e não ganhas, que governar neste contexto não vai ser fácil e que há pouca margem para errar!
O próximo primeiro ministro passa uma imagem de insegurança indisfarçável, mas ao mesmo tempo um ar de bem intencionado e inspira-me um sentimento de protecionismo, quanto mais não seja por o meu futuro depender do resultado da sua acção!
Daí, desde já um conselho - apareça pouco na ribalta, sob pena da sua imagem se tornar insuportável para os portugueses em pouco tempo!
Esqueça, o que já parece ser uma obsessão, a privatização das águas, quanto mais não seja por provir de uma empresa que é parte interessada no assunto, ficando ferido de morte se essa imagem de gestor de interesses de Ângelo Correia, se lhe colar à pele!
Depois, não sei se ainda irei a tempo, faça-se cercar de pessoas com espessura política, moral e social - é que nestes primeiros dias de negociação de políticas e programas, a fauna que pululou pelas redações das televisões, trouxe indícios preocupantes sobre o futuro da nação.
Os "barões", os técnicos reconhecidos que tinham aparecido na fase final da campanha desapareceram e as figuras que dão a cara, parecem saídas da comissão de festas duma associação académica - com um discurso esforçado a pretender transmitir a gravidade das suas funções, mas a soar a burlesco e nitidamente a deixar a sensação de não estarem à altura da situação.
O acordo político divulgado com pompa e sem circunstância é duma vacuidade constrangedora - e o acordo programático estará dependente das opiniões de quem aceitar ser ministro (sic)!?
Nota-se a ausência de Catorga (apesar dos disparates!) e de figuras experientes!
Bom, espera-se ansiosamente o anúncio da constituição do governo, que esperamos venha dissipar estas reservas!
Se for escolhido dentre o lote de jovens promissores que temos vindo a conhecer, estamos fritos!
terça-feira, 14 de junho de 2011
"CONNECTICUT YANKEE IN KING ARTHUR´S COURT"
Mark Twain, considerado o "pai" da literatura americana, escreve em 1889 "Um americano na corte do Rei Artur". Trata-se de uma escrita mordaz e despreocupada, que relata uma viagem espaço temporal de um Yankee de Conneticut que aparece "mágicamente" na Bretanha do século VI, na sequência duma pancada na cabeça.
Dotado dos conhecimentos técnicos e científicos da era Industrial, Hank Morgan corresponde para o bem e para o mal, à imagem que ainda hoje temos dos americanos - empreendedores, autoconvencidos, desconhecedores e indiferentes às realidades culturais, religiosas e sociais, que não as suas.
Introduzindo-se com mestria no círculo próximo do Rei Artur, conseguindo desacreditar o influente mago Merlin e substituindo-se no seu papel de grande feiticeiro - neste caso recorrendo a meios técnico-científicos com 14 séculos de vantagem e não à credulidade popular, o nosso Internauta ascende ao estatuto de The Boss ("o Mestre", na tradução portuguesa), implementando uma série de iniciativas que vão desde a publicidade e o marketing, à formação de escolas técnicas, onde pontifica mesmo uma West Point medieval, onde se formarão os seus lugares tenente.
Despreocupado com a coerência plausível do relato e dotado de um humor próximo do non-sense (retomado quase um século depois por Monty Python e sequelas), Mark Twain equipa a Inglaterra dos cavaleiros da Távola Redonda, de Telégrafos, Caminhos de Ferro, Centrais Elétricas e consegue pôr uma nobreza que considerava inútil e ignorante a maquinistas e guarda freios. E como não tenha sido fácil fazê-los desistir das suas pouco práticas armaduras, cria uma unidade de cavaleiros encasulados em aço, montados em rápidas bicicletas...
De leitura agradável e sempre com um sorriso na mente, o leitor tem permanentes motivos de divertimento, como o nome carinhosamente dado por Sandy, especializada nos relatos infindáveis das façanhas do marido, à filha que concebe do americano - Alô Central, a palavra com que esta abria as comunicações telefónicas.
Contudo o livro não se resume ao resultado da prodigiosa imaginação de Mark Twain em completa roda livre. Reflete de forma muito incisiva sobre questões de todos os tempos - a irracionalidade das massas populares e o papel da crendice e da religião nesse processo, a desconfiança com o novo, a necessidade de recorrer ao mágico e a uma aura de superioridade, em vez da evidência da razão, para se afirmar junto do povo e do poder!
E o fim, é a mais eloquente prova da máxima que "não adianta ter razão antes do tempo" e de que nada se consegue contra tudo e contra todos - mesmo que se detenha o poder máximo, é indispensável ter o apoio e a compreensão dos demais, para se conseguir afirmar. Verdade, que infelizmente ainda hoje os americanos (e outros) parecem não ter percebido.
O livro e a sua "mensagem" principal são de uma atualidade gritante - o "Boss" acolitado pelos seus 52 agentes West Point, consegue, mercê de uma engenhosa tática militar, atingir uma supremacia indestrutível, mas vê-se na iminência de um extermínio em massa, já que não consegue conquistar ninguém para o seu campo. E num arremedo final de bom-senso, apesar do seu poderio supremo, desiste do seu sonho de dominação, abandonando todos os projetos.
Quem olha, despido de preconceitos, para as intervenções dos USA no Vietnam, no Iraque, no Afganistão, na Líbia e aprecia as suas habituais saídas de sendeiro dos teatros de terror que instala, percebe que esse erro já tinha acontecido no sec. XIX, com um Yankee de Conneticut e que houve um escritor de nome Mark Twain que escalpelizou as razões desse infortúnio, sem daí ter resultado grande proveito para a nação que o entronizou como escritor.
FIOS CONDUTORES DA HISTÓRIA

Em 1932, o carpinteiro dinamarquês Ole Kirk Christiansen toma a decisão que mudaria a sua história e a do Mundo. Dois anos antes, em 1930, era um dos milhões de desempregados da Depressão Econômica e começa a produzir brinquedos de madeira para crianças. Mas é em 32 que em companhia de seu filho de 12 anos, inicia formalmente a LEGO – junção das palavras dinamarquesas “Leg” e “Godt” (brincar bem).
Até ao final dos anos 40 fabrica diferentes tipos de brinquedos em madeira e plástico, inclusive um de montar em formato de “tijolos”, que se encaixavam e formavam figuras, animais, objetos, mas é em 1958, ano da morte de Ole e com o negócio já na mão de seu filho Godtfred, que este se começa a concentrar no que denominou de LEGO System of Play.
Dois anos depois, após um incêndio que destruiu a sua fábrica, explora a fundo este conceito, do qual viria a resultar um dos mais bem sucedidos negócios na área do brinquedo.
Numa estratégia de difundir e reforçar a imagem da marca, construiu seu primeiro parque temático LEGOLAND – Cidade Lego - em 1968, na pequena cidade de Billund, na região oeste da capital da Dinamarca, onde tudo começara: são 55 milhões de peças formando diferentes e surpreendentes figuras, já visitado por mais de 33 milhões de pessoas desde sua abertura.
De lá para cá, abriram novos Legolands na Grã-Bretanha (1996), em Carlsbad, Califórnia (1999) e, no ano de 2002 abriu o quarto parque temático em Gunzburg, cidade da Baviera Alemã.
No passado fim de semana, em Paredes de Coura, decorreu o 2º Arte em Peças, um evento Lego, com uma exposição de construções notável, envolvendo cerca de 2,5 milhões de peças e distribuídas por uma série de áreas temáticas ( Castelo, Cidade, Far-West, Star Wars, Technics, etc.).
A iniciativa que contou com a colaboração da marca (com a presença de um "Lego builder", português, que explicava o processo criativo dos novos jogos e peças), incluía uma série de iniciativas lúdicas, das quais destaco um enorme playground, no palco do Centro Cultural, onde 3 gerações de construtores podiam brincar e construir o seu projeto, com as milhares de peças disponíveis.
Brincar e se possível de forma inteligente, utilizando uma matriz testada já por 3 gerações, que promove a motricidade fina e a imaginação, é uma prática enriquecedora, barata e com resultados positivos social e individualmente.
O enorme esforço, que um grupo de entusiastas (Associação 0937) tem para pôr de pé esta iniciativa é meritório e altamente recompensador para todos que nele participam. Parabéns!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Comics and Animation Museum



O escritório holandês MVRDV venceu o concurso para o Comics and Animation Museum, em Hangzhou, China.
A obra será construída em 2012.
Sendo eu um aficcionado da banda desenhada, rejubilo e percebo que visitar a China terá cada vez mais motivos de interesse para lá dos históricos!
Já não é no universo das imitações de plástico que estamos!
É da vanguarda da Cultura e da Modernidade que falamos - e quanto se atinge esse ponto, está consolidada a liderança
Numa entrevista recente, Sobrinho Simões, referia que dava aulas como professor associado numa universidade chinesa, de uma cidade para nós desconhecida, e que não sendo no panorama chinês nada de extraordinário, tinha condições quer técnicas, quer científicas, muito superiores às que dispunha em Portugal.
Um dia destes um colega meu a comentar um artigo científico que punha em causa práticas arreigadas no nosso meio, contrapunha se não notávamos que o nome dos autores eram todos estranhos (em tom de chacota).
A maior parte das pessoas ainda não percebeu que o Mundo já mudou ...
quinta-feira, 2 de junho de 2011
REI ARTUR - NOTA HISTÓRICA
Daqui retiro esta resenha histórica:
"O Rei Artur é uma figura lendária Britânica que, de acordo com histórias medievais e romances, teria comandado a defesa contra os invasores Saxões chegados à Grã-Bretanha (ou Bretanha como era conhecida na época) no início do século VI. Os detalhes da sua história são compostos principalmente por folclore e literatura, a sua existência histórica, devido à escassez de antecedentes históricos ou por estes serem retratados em várias fontes, é debatida e contestada por historiadores modernos.
"O Rei Artur é uma figura lendária Britânica que, de acordo com histórias medievais e romances, teria comandado a defesa contra os invasores Saxões chegados à Grã-Bretanha (ou Bretanha como era conhecida na época) no início do século VI. Os detalhes da sua história são compostos principalmente por folclore e literatura, a sua existência histórica, devido à escassez de antecedentes históricos ou por estes serem retratados em várias fontes, é debatida e contestada por historiadores modernos.
A lenda do rei Artur ganha interesse através da popularidade do livro de Geoffrey Monmouth "Historia Regum Britanniae" (História dos Reis Britânicos) embora, o seu nome, tenha surgido em poemas e contos de Gales e da Bretanha, publicados antes deste livro. Neles, Artur surge com um grande guerreiro que defende a Bretanha dos homens e inimigos sobrenaturais e, portanto, associado com o Outro Mundo. Geoffrey descreve o rei Artur como sendo um rei da Bretanha que venceu os Saxões e estabeleceu um Império composto pela Bretanha, Irlanda, Islândia e Noruega.
Na realidade muitos elementos e acontecimentos que fazem parte da história de Artur aparecem no livro de Geoffrey, incluindo Uther Pendragon, pai de Artur, o mágico Merlin, a espada Excalibur, o nascimento de Artur no castelo de Tintagel, Camelot, a sua batalha final em Camlann contra Mordred, e a ilha de Avalon.
A origem do rei Artur tem sido grandemente debatida pelos historiadores e estudiosos. Alguns acreditam que ele é baseado nalguma personagem histórica, provavelmente um chefe guerreiro da Bretanha que tenha vivido entre a Antiguidade Tardia e o inicio da Idade Média, donde terão sido criadas as lendas que hoje conhecemos. Outros acreditam que Artur é pura invenção mitológica, sem nenhuma relação com qualquer personagem real.
Em finais do século V, Ambrosius Aurelianus, um romano da Bretanha, consegue derrotar os Saxões na famosa batalha de Mons Badicus. Entretanto a situação inverte-se e os reinos celtas da Bretanha ficam reduzidos à Cornualha e a Gales.
No século VIII, Nennius, um Bretão, fala dos feitos de um comandante militar de nome Artur, que teria vencido 12 batalhas contra os Saxões. Mas, segundo os historiadores, Nennius tinha uma tendência de preencher lacunas com factos por ele inventados. Ele poderia muito bem ter embelezado a narrativa conforme as necessidades. Não foi ele, no entanto, o primeiro a referir o nome de Artur, já que baladas galesas do século VII, falavam num rei aventureiro do norte da Bretanha, que enfrentava seres fantásticos e corrigia injustiças.
No século VIII, Nennius, um Bretão, fala dos feitos de um comandante militar de nome Artur, que teria vencido 12 batalhas contra os Saxões. Mas, segundo os historiadores, Nennius tinha uma tendência de preencher lacunas com factos por ele inventados. Ele poderia muito bem ter embelezado a narrativa conforme as necessidades. Não foi ele, no entanto, o primeiro a referir o nome de Artur, já que baladas galesas do século VII, falavam num rei aventureiro do norte da Bretanha, que enfrentava seres fantásticos e corrigia injustiças.
Nos finais do século XII, Chrétien de Troyes, escritor francês, escreve contos sobre as aventuras do Rei Artur, Sir Lancelot, Guinevere, o Santo Graal, Percival, Gawain, etc. Ao apoiar-se nos mitos populares, deu-lhes o seu cunho pessoal e iniciou o género de romance arturiano que se tornou numa importante vertente da literatura medieval. Artur e as suas personagens eram muito populares na época e as histórias a partir da Bretanha, tinham-se espalhado por outros países. Salientam-se aqui algumas obras pela importância que tiveram para o nascimento do mito: O ciclo da "Vulgata" francesa (também conhecida como Matéria da Bretanha), "Parzival" de Wolfram von Eschenbach, "La Mort d'Arthur" (A Morte de Artur) de Thomas Mallory.
O romantismo do século XIX fez renascer o interesse pelo tema (inclusive autores americanos como Mark Twain com o seu "Um Americano na Corte do Rei Artur" homenageiam o género).
No século XX, autores como Stephen Lawhead ( O ciclo Pendragon), Bernard Cornwell (O ciclo de "As Crónicas do Senhor da Guerra") e principalmente Marion Zimmer Bradley, conceituada escritora da ficção científica com "The Mists of Avalon" (As Brumas de Avalon) ou a "Saga de Avalon", completaram o trabalho mantendo vivo o interesse.
O romantismo do século XIX fez renascer o interesse pelo tema (inclusive autores americanos como Mark Twain com o seu "Um Americano na Corte do Rei Artur" homenageiam o género).
No século XX, autores como Stephen Lawhead ( O ciclo Pendragon), Bernard Cornwell (O ciclo de "As Crónicas do Senhor da Guerra") e principalmente Marion Zimmer Bradley, conceituada escritora da ficção científica com "The Mists of Avalon" (As Brumas de Avalon) ou a "Saga de Avalon", completaram o trabalho mantendo vivo o interesse.
Sem fim à vista, toda a polémica sobre a existência ou não do Rei Artur, continua bem viva: os historiadores, depois duma crítica ao mito, limitam-se a manter uma reserva sobre o assunto; os arqueólogos (e estudiosos) preferem falar de um período sub-romano, definindo assim aquilo que poderia ser o período arturiano: os séculos V e VI. "
terça-feira, 31 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
E CONTUDO MOVE-SE ...
O actual panorama político, social e ideológico, quer em Portugal, quer no Mundo, não é particularmente estimulante!
As ideologias como expressão de uma visão sobre o Mundo e de agregação de perspectivas sobre o funcionamento da sociedade num todo coerente, caíram aparentemente em desuso. Hoje discutem-se desgarradamente medidas, sendo normal termos o bloco de esquerda e o partido popular a reclamarem como suas, as mesmas iniciativas e intenções, disputando um eleitorado desideologizado, que se orienta numa lógica pragmática.
Costumo há muito brincar, que não sou de direita, nem de esquerda ... estou é à frente!
Considero que há muitas áreas de decisão política em que as ideologias têm pouco a ver com as opções, nomeadamente na gestão autárquica, em que realmente do que se trata, é de encontrar as melhores soluções técnicas para desafios concretos do dia à dia.
Sou também da opinião, que independentemente das ideologias, a inteligência dos intervenientes é normalmente o mais importante...
Pese tudo o que foi dito, um esqueleto ideológico onde assentem as nossas convicções é indispensável - porque subjacente a tudo está uma ideia sobre a sociedade, que deve ser discutida, melhorada, racionalizada e porque, como se costuma dizer, isto está tudo ligado, e é fundamental que as prospostas para as diferentes áreas - sociais, económicas, culturais - sejam compatíveis e articuladas.
Neste tempo "sem ideologias" (será essa a ideologia!) há uma coisa que continua a ter validade: quando as coisas correm mal, estoura por algum lado - ninguém suporta uma incomodidade para além do seu limiar de tolerância, durante muito tempo!
Surgem assim uns movimentos invertebrados, em Portugal e Espanha ( lá 15-M, cá 12-M ), que expressam o mal estar de um importante sector da sociedade - os mais jovens!
Convenhamos que uma sociedade, que exclui da vida activa o seu grupo mais pujante, com mais energia, no período da vida em que tem mais entusiasmo e capacidade de inovar e arriscar, a troco de prolongar no mercado de trabalho os mais velhos, mesmo contra a sua vontade, tem um problema estrutural grave para resolver.
Tal estado de coisas, resulta apenas da necessidade de resolver uma questão "contabilística" - atrasar a idade da reforma por dificuldades no seu financiamento - mas não constitui uma solução socialmente aceitável, como concordarão os mais inteligentes de qualquer quadrante ideológico.
É uma pseudo solução, que em si constitui um novo e grande problema - cria descontentamento, nos mais novos e nos mais velhos e ao afastar os com maior potencial produtivo do trabalho, mina as bases de todo o progresso económico e social.
Os novos movimentos emergentes são o sinal socio-político mais interessante dos últimos anos - uma juventude com um nível de formação intelectual sem precedentes, sem ideologia política, com um patamar elevado de expectativas socio-económicas, anuncia que foi ultrapassado o seu limiar de aceitabilidade. Para já é só isso - um movimento da juventude burguesa que ainda não sabe como expressar orgânicamente a sua ambição, que se junta para fazer "prova de vida".
Entretêm-se nestes meetings inaugurais, como foram educados para o fazer nos jardins de infância que frequentaram - com pinturas, músicas, danças, iniciativas cívicas ... e começam a organizar uma matriz onde encaixe o seu descontentamento ...
Mas nunca mais pararão, até se resolverem os problemas mais importantes que fizeram disparar esta mola ... perceberam entretanto que existem e que não têm nada a perder ...
Aqueles que os acusaram de ser amorfos e sem iniciativa, têm agora um boa ocasião de mostrarem o seu apoio na resolução de um problema que é de todos - uma sociedade sem convicções, movida por pragmatismo e interesses, entregue a uma clique política incompetente e com um nível de tolerãncia à corrupção e à ineficácia, intoleráveis!
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Gigões e Anantes
Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.
Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.
Só havia uma maneira de os distinguir:
era chegar ao pé deles e perguntar:
Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar!
E nunca se sabia se estavam a mentir!
Então a Ana como não podia
resolver o problema arranjou uma teoria:
xixanava com eles e o que ficava
xubiante ou ximbimpante era o gigão,
e o anante fingia que não.
A teoria nunca falhava porque era toda
com palavras que só a Ana sabia.
E como eram palavras de toda a confiança
só queriam dizer o que a Ana queria.
MANUEL ANTÓNIO PINA

Foi o primeiro livro que li de Manuel António Pina, em 1974!
Fiquei desde aí cliente da literatura infantil, que na altura era geralmente mais "básica"!
Habituei-me a tê-lo na mesa ao lado no Orfeu(zinho).
Como cronista desencantado (curiosamente ou não, expressa aqui uma opinião idêntica à de um meu post recente) gostei sempre de o ler!
Fico pois muito contente com o Prémio Pessoa 2011!
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.
Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.
Só havia uma maneira de os distinguir:
era chegar ao pé deles e perguntar:
Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar!
E nunca se sabia se estavam a mentir!
Então a Ana como não podia
resolver o problema arranjou uma teoria:
xixanava com eles e o que ficava
xubiante ou ximbimpante era o gigão,
e o anante fingia que não.
A teoria nunca falhava porque era toda
com palavras que só a Ana sabia.
E como eram palavras de toda a confiança
só queriam dizer o que a Ana queria.
MANUEL ANTÓNIO PINA
Foi o primeiro livro que li de Manuel António Pina, em 1974!
Fiquei desde aí cliente da literatura infantil, que na altura era geralmente mais "básica"!
Habituei-me a tê-lo na mesa ao lado no Orfeu(zinho).
Como cronista desencantado (curiosamente ou não, expressa aqui uma opinião idêntica à de um meu post recente) gostei sempre de o ler!
Fico pois muito contente com o Prémio Pessoa 2011!
Fanny Owen

" O rio Douro não teve cantores. Teve-os o Mondego e o Tejo também. Mas, para além das cristas do Marão, em vez do alaúde e da guitarra havia o repique dos sinos ou o seu dobrar espaçado. Havia o tiro certeiro dos caçadores de perdiz, lá pelas bandas da Muxagata e do Cachão da Valeira. E o clarim das guerrilhas ouvia-se através da poeira de neve que cobria os barrancos de Sabroso."
Agustina Bessa-Luís escreve Fanny Owen (1979) como corolário dum trabalho de investigação para os diálogos de Francisca (1981), encomendados por Manoel de Oliveira.
É para mim desde logo agradável o entorno - a rua de Cedofeita, Vilar de Paraíso, a Foz, o Douro, descritos por alguém que conhece e ama essa geografia, que também é a minha.
O romance, assente em factos reais a que Agustina tenta ser o mais fiel possível, recorrendo mesmo a um trabalho de colagem, pondo na boca das personagens frases extraídas dos seus diários, livros ou artigos, comporta dentro de si um segundo nível, ensaístico, em que a autora comenta os sentimentos e acontecimentos, numa perspetiva psicanalítica de distanciamento e interpretação.
A história de Francisca Owen Pinto de Magalhães (1830-1854), no centro de um doentio triângulo de intriga e amor, que opõe Camilo Castlo Branco e o seu "amigo" José Augusto, termina com a morte do infortunado casal.
Agustina transporta-se e transporta-nos, com mestria, para o ambiente romântico da época, onde o amor para soar a verdadeiro tinha que ser mitificado, sendo a felicidade inconcebível sem o adorno do sofrimento.
Não tendo tido nós um Goethe ascético, angustiado, mas profundo, tivemos umas décadas mais tarde uma sua versão manhosa, interesseira e macabra, na figura de Camilo ( Agustina nas suas impressões embebidas no romance, cita profusamente Holderlin (1770-1813) contemporâneo de Schiller e Goethe, também ele declarado louco na sua época.).
Francisca morre mais de amor do que da tuberculose que seguramente tinha?
E as perturbações do humor e do comportamento não seriam também elas consequência da doença, que integra nas suas formas avançadas também uma componente psiquica e emocional bem documentadas!?
E José Augusto seria apenas um doente emocional, refém do seu pretenciosismo provinciano e literário, ou estaria dependente do consumo de opiácios (o miraculoso láudano), de uma overdose dos quais viria provavelmente a falecer, no mesmo ano de Fanny!?
Esta é uma história real, que demonstra que o universo literário de Camilo, não se afastava da sua realidade existencial - relações de amor/ódio, uma burguesia sem referências morais ou culturais sólidas, amigos insanes capazes de solicitar uma autópsia para apurar da virgindade da sua esposa, de quem guardam o coração em álcool, como relíquia macabra de uma veneração doentia!
Um grande romance!
PS: Muito oportunamente esta obra sucedeu no Clube do Livro à "Cidade e as Serras", já que a Quinta do Lodeiro de José Augusto Pinto de Magalhães (na foto), para a qual Fanny foi viver após o seu rapto e atá à sua morte, dista uma pequena caminhada da Quinta da Vila Nova, de Tormes, onde Jacinto viveu o seu romance bucólico e solar.
Como o mesmo espaço geográfico, pode albergar paisagens de alma tão diversas - os girassóis que iluminaram Jacinto na sua chegada a Tormes, deram lugar aqui a crisântemos agoirentos entre brumas de desconfiança e ciúme.
Andar de bicicleta!
Recentemente numa visita a Itália surpreendi-me com a dimensão da utilização urbana e quotidiana da bicicleta. Conhecendo o fenómeno mais para o Norte da Europa, constatei que os Italianos usam a bicicleta na sua dimensão prática de meio de transporte, de uma forma absolutamente generalizada, em todas as idades, classes sociais ou profissionais.
Fazem-no para ir trabalhar, ir às compras, de fato, de saia casaco, de sobretudo ou de jeans.
Também em Portugal a utilização da bicicleta tem tido um incremento notável!
Só que em Portugal essa utilização tem uma vertente de ócio ou desportiva, fazendo os portugueses questão de se vestir apropriadamente para o momento - pondo uma camisa de licra, um capacete, uns ténis apropriados, não vão pensarem que anda de bicicleta por não ter dinheiro para o carro.
E raramente a utilizam de forma útil, na actividade normal do dia a dia!
Estranho povo este que vive de aparências e fantasias!
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Meu nome é Fernando T.S.

A minha triste sina (TS) é ter-me transformado num jarrão!
Como o meu semblante denunciava, fui seviciado, ameaçado de represálias sobre a família, pelo que aceitei comparecer ao velório, sob a forma de adereço!
O meu cabelo branco, disseram-me, fazia o mesmo papel de um bouquet de agapantos, que a situação aflitiva da família não permite comprar!
Penso que todos comprenderão que foi o sentido do dever que me levou a ceder!
Afinal, depois da conversa com o José, tenho dúvidas se o pai já estaria mesmo morto antes do Pedro abrir a porta., como em tempos cheguei a sugerir ou se só morreu depois dos telefonemas, desculpe, da abertura da porta ...
Sinto-me baralhado, apertaram-mos com muita força!
Eu não tive nada a ver com isto, carreguei a pistola, mas era para matar a mosca, foi o que me garantiram ...
BOAS NOTÍCIAS

Queria vos dizer que consegui um optimo funeral para o pai!
O preço conseguido com a funerária foi muito mais baixo do que o que andavam a dizer por aí!
Além disso terá flores ... de plástico que são mais resistentes e mais ecológicas ...
Um familiar interrompeu o discurso triunfal:
- Mas não fostes tu que o mataste? Ainda te gabas disso?
José, imperturbável, retocou o nó da gravata, recolocou a voz e com uma ar seráfico, elucidou:
- Aproveito para esclarecer, mais uma vez, que o nosso querido pai, por quem eu daria a própria vida, faleceu em virtude do Pedro ter aberto a porta no momento em que eu disparava sobre uma mosca que incomodava o falecido e que em resultado dessa irresponsabilidade, abrir uma porta sem avisar, despoletaram-se uma série de perturbações que culminaram no fatídico desfecho.
Contudo eu estou hoje aqui, para transmitir uma nota de esperança e garantir que estou disponível para assumir a condução desta família, para a qual prevejo um futuro radioso!
terça-feira, 3 de maio de 2011
Uma vitória contra o terrorismo?
Penso que o mundo não terá ficado pior com a morte de Bin Laden!
Não partilho contudo da ideia que tenha ficado melhor!
O primarismo dos americanos permanece inalterado com o decorrer dos tempos - tal como perseguiram Che pela floresta Andina até o conseguirem assassinar, fizeram como objectivo central da sua política antiterrorista a eliminação de um (ex-)lider, jogando com o aspecto simbólico da sua execução.
O terrorismo islâmico permanecerá inalterado, eventualmente mais acicatado nos próximos tempos, pela afronta sentida no mundo árabe fundamentalista.
Os americanos conseguirão com esta manobra justificar a saída do Afganistão, com a ridícula explicação de que o objectivo da vitória sobre o terrorismo islâmico terá sido alcançado!?
Uma saída de sendeiro, a repetir o brilharete do Iraque, deixando atrás de si um rasto de destruição, desorganização social e ódio anti ocidental!
Ver os americanos nas ruas a comemorar o assassínio causou-me impressão. O impulso que os move não me pareceu muito diferente do das multidões fanáticas que saem à rua no mundo islâmico, para comemorar qualquer desgraça que vitime os ocidentais.
Ver os analistas, talvez com razão, dizer que com este trunfo, Obama ganhou novas hipóteses de reeleição, entristeceu-me, mais por ele - emparedado na lógica do populismo e da real politik, que por qualquer outra razão!
Ver o acontecimento comemorado, desde a ONU às redacções dos media, como um triunfo contra o terrorismo, é que não aceito.
Tratou-se, à luz do direito internacional vigente, de um acto de terrorismo de estado, da mesma natureza dos praticados pelos fundamentalistas islâmicos.
Se a justiça do Mundo fosse imparcial, Obama seria julgado num Tribunal Internacional por ter assumido o comando da operação - tratou-se de um raide de comandos americanos, num país estrangeiro, que não foi consultado para autorizar a invasão, procedendo-se a um assassínio de um cidadão residente, sem qualquer sentença judicial de um tribunal independente. O universo dos filmes dos agentes secretos americanos sem identidade, a pairar fora de qualquer control institucional, confirma-se que não é ficcional (veja-se Jason Bourne, interpretado por Matt Damon em Identidade Desconhecida de 2002).
Quem hesitará a exigir o julgamento (ou o assassínio "tout court"!) do presidente do Irão, se este patrocionar um raid em território americano para assassinar Obama ou o chefe da CIA?
O que me choca não é isto acontecer, que já sabia - da vida e dos filmes - que o Mundo é assim, o que me choca, é não ver ninguém, com importância institucional, indignar-se com isto!
Cinque Terre

A partir de La Spezia, na Ligúria, apanha-se um comboio regional que dá acesso a estas cinco vilas - Riomaggiore a primeira - que se podem percorrer a pé, em fantásticos trilhos sobre o Mediterrâneo.
O trajecto mais fácil, junto à água, tem cerca de 15 kms e estava fechado para manutenção, apenas se podendo percorrer o Km inicial até Manarola - Via dell`Amore, um pesadelo de turistas e grupos, apesar da beleza do entorno.
Daí para a frente e como não restavam alternativas, percorreram-se os trilhos interiores que sobem em veredas alucinantes entre oliveiras centenárias e vinhedos, desafiando as vertigens e o equilíbrio, percorrendo aldeias perdidas, dum povo que continua a cultivar em locais que se diriam impossíveis e mantendo uma paisagem viva num local deslumbrante e que é Património da Humanidade.
Aí, a frequência dos trilhos, apesar de numerosa, já era mais interessante e chegado a Corniglia depois de uns 10 Kms de subidas e descidas inesquecíveis, aquela pizza singela de molho fresco de tomate com azeite e cogumelos da região, soube-me à melhor de sempre!
O comboio que circula regularmente permite em minutos atingir a próxima terra, no caso Vernazza, onde um sol mediterrânico de Primavera pujante, apelou aos meus instintos reptilíneos, deixando-me a giboiar sobre uma laje junto ao mar.
Para se passar um dia agradável (vindo de Pisa é cerca de uma hora de comboio) e constituindo uma alternativa ao "turismo de monumentos", As Cinque Terre, são uma boa opção. Para uns dias de caminhadas e natureza, também se devem recomendar, tanto mais que à noite com a debandada da turistada, os locais devem ganhar uma beleza suplementar.
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