ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe
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domingo, 25 de setembro de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Caminhar - siga as setas amarelas!
Terminei ontem a etapa que me faltava do troço do Caminho de Santiago, que vai de Viana do Castelo a Valença (caminho português da costa).
Para quem gosta de caminhar, o caminho de santiago constitui uma excelente oportunidade, pois há a garantia de uma boa sinalização e de um trajeto a grande parte das vezes agradável. Não tem mais que seguir as setas amarelas que balizam o caminho!
De Viana, saindo de detrás do hospital, segue a meia encosta do monte de Santa de Luzia até Âncora e de lá por um trajeto mais junto à costa por Moledo até Caminha. Aqui, sugiro a eventuais interessados que em Moledo se mantenham junto ao mar, ao contrário das indicações, atravessem o pinhal do Camarido e cheguem a Caminha pela foz do Minho, o que constitui um trajeto muito mais agradável que o marcado.
São vinte e poucos Kms deliciosos, cerca de 5 horas de caminhada e que podem constituir, tal como qualquer das outra etapas, uma boa maneira de passar um dia de fim de semana, uma folga ou até uma tarde sem perspetivas, o que foi o caso de ontem.
Parti de Caminha rumo a Cerveira e o trajeto depoisr de Seixas faz-se também a meia altura, com o Minho sempre a namorar-nos cá em baixo. Nesta estação não faltam amoras, figos, uvas e maçãs para entreter o caminhante. Mesmo para quem conhece a região é garantida a surpresa dos locais que atravessa.
A etapa terá cerca de 20 kms, um pouco mais acidentada que a anterior, conte com 4 a 5 horas.
Nesta altura poderá complementar o passeio com uma visita à bienal e verificar in loco que grande parte dos artistas presentes, não teriam feito pior se tivessem passado mais tempo a caminhar ...
A linha de comboio de Valença a Viana permite repôr o caminhante no local de partida, o que constitui um apoio muito útil à aventura, que pode assim ser feita em autonomia (a CP também autoriza o transporte de bicicletas, sem qualquer formalidade prévia).
De Cerveira a Valença decorre a terceira etapa deste troço, com traçado mais plano, ao longo da veiga do Minho e numa extensão mais ou menos idêntica às anteriores.
Quem quiser seguir até Santiago terá mais 4 ou 5 dias pela frente, dos quais estou certo não se arrependerá!
Mas esta minha sugestão é a de usar este percurso para utilização avulsa, em qualquer altura do ano, com sol ou com chuva, de forma a evitar aquelas tardes de que tanto se arrepende, passadas em uma qualquer catedral de consumo!
Para quem gosta de caminhar, o caminho de santiago constitui uma excelente oportunidade, pois há a garantia de uma boa sinalização e de um trajeto a grande parte das vezes agradável. Não tem mais que seguir as setas amarelas que balizam o caminho!
De Viana, saindo de detrás do hospital, segue a meia encosta do monte de Santa de Luzia até Âncora e de lá por um trajeto mais junto à costa por Moledo até Caminha. Aqui, sugiro a eventuais interessados que em Moledo se mantenham junto ao mar, ao contrário das indicações, atravessem o pinhal do Camarido e cheguem a Caminha pela foz do Minho, o que constitui um trajeto muito mais agradável que o marcado.
São vinte e poucos Kms deliciosos, cerca de 5 horas de caminhada e que podem constituir, tal como qualquer das outra etapas, uma boa maneira de passar um dia de fim de semana, uma folga ou até uma tarde sem perspetivas, o que foi o caso de ontem.
Parti de Caminha rumo a Cerveira e o trajeto depoisr de Seixas faz-se também a meia altura, com o Minho sempre a namorar-nos cá em baixo. Nesta estação não faltam amoras, figos, uvas e maçãs para entreter o caminhante. Mesmo para quem conhece a região é garantida a surpresa dos locais que atravessa.
A etapa terá cerca de 20 kms, um pouco mais acidentada que a anterior, conte com 4 a 5 horas.
Nesta altura poderá complementar o passeio com uma visita à bienal e verificar in loco que grande parte dos artistas presentes, não teriam feito pior se tivessem passado mais tempo a caminhar ...
A linha de comboio de Valença a Viana permite repôr o caminhante no local de partida, o que constitui um apoio muito útil à aventura, que pode assim ser feita em autonomia (a CP também autoriza o transporte de bicicletas, sem qualquer formalidade prévia).
De Cerveira a Valença decorre a terceira etapa deste troço, com traçado mais plano, ao longo da veiga do Minho e numa extensão mais ou menos idêntica às anteriores.
Quem quiser seguir até Santiago terá mais 4 ou 5 dias pela frente, dos quais estou certo não se arrependerá!
Mas esta minha sugestão é a de usar este percurso para utilização avulsa, em qualquer altura do ano, com sol ou com chuva, de forma a evitar aquelas tardes de que tanto se arrepende, passadas em uma qualquer catedral de consumo!
domingo, 21 de agosto de 2011
FESTAS DA AGONIA
Acabou mesmo agora o fogo principal destes três dias de festa em Viana do Castelo - a Serenata do Rio!
Deslumbrante, com diversas inovações técnico-estéticas felizes - novas associações cromáticas, cachoeira da ponte seguida de fogo rasante (jactante!) sobre o rio, foguetes coração - o símbolo ex-libris da cidade!
Apenas a lamentar uma moda que se iniciou há um par de anos quando a produção do fogo foi entregue a uma empresa de eventos artísticos francesa - pôr banda sonora ao fogo. E se na sua versão original salvo erro era Strauss o contemplado, agora opta-se pela canção popular (Deolinda, Amália,etc.), que não tem nem elevação, nem ecletismo que permitam acompanhar o deslumbrante espetáculo da serenata de Viana.
Depois de Viana ter sido hoje capital do universo nacional pimba, cerimoniado pelo animador Goucha, nada mais apropriado que este banho de beleza para lavar a alma à cidade, que assim pode regressar desenvergonhadamente à sua placidez cativante.
E com todos satisfeitos ...
ECOVIA DO LIMA
Nestes tempos estivais pedalar ou caminhar ao longo de um rio, são das actividades mais reconfortantes e económica e ecologicamente benignas que se podem conceber.
De Viana do Castelo, é possível seguir o Lima pela margem Sul até Ponte da Barca, conforme poderá verificar AQUI, ou mesmo obter documentação detalhada ALI.
São 44 Kms de trajeto: desde a ponte Eiffel em Darque até Ponte de Lima (26Kms) e daí a Ponte da Barca ( 18Kms). Nem todos são de verdadeira ecovia que oficialmente constitui apenas uns troços intermédios - mas o que interessa é que pode acompanhar o Rio desde quase a Foz por caminhos agradáveis, apenas havendo no percurso inicial algumas limitações, conforme as marés (na maré cheia, terá que procurar alternativas mais interiores até chegar às lagoas de stº André).
A parte mais importante deste esforço é da Câmara de Ponte de Lima, que tem mesmo algumas vias complementares como o trajeto de meia dúzia de Kms, da vila às Lagoas de Bertiandos ( zona de paisagem protegida, com centro de interpretação, campismo, etc.).
Embora estas vias já sejam utilizadas por muita gente, estão ainda muito aquém do aproveitamento que o seu potencial lúdico e turístico permite.
Já imaginou por exemplo um pacote de 3 ou 4 dias de férias com passeio de Viana - Ponte de Lima, com atividades desportivas e/ou gastronómicas complementares, pernoita (em albergue, turismo de habitação), seguida de etapa até Ponte da Barca/Arcos de Valdevez, mais regresso.
Qualquer um o pode fazer por sua iniciativa e com seguro proveito, mas um jovem empresário turístico poderá fazer disto um modo de vida!
(Já existe um público para este tipo de turismo activo, mas o seu potencial de crescimento é enorme!)
sábado, 20 de agosto de 2011
ELOGIO DA EXPERIÊNCIA
Agora que me pus a ler o D. Quixote, descubro todos os dias nos jornais, nos blogues, que é um autor da moda ... com 400 anos de tarimba, o que é uma garantia incontornável!
D. Quixote é alguém que conheceu primeiro o mundo pelos livros, ao contrário de Caeiro que enaltece "a espantosa realidade das coisas", e que ao tomar contacto com a realidade quer à viva força que ela corresponda ás fantasias que desenvolveu nas suas leituras alucinadas.
Vai daí, aqueles que lhe estavam próximos terem entendido que destruir a sua biblioteca era um acto de caridade!
Também desconfio daqueles que conhecem o Mundo dos livros (embora creia que estes são um património único, apesar da sua maioria ser dispensável).
A experiência vivida, se possível sem constrangimentos morais, ideológicos ou quaisquer outros preconceitos, é o nosso maior património e aquilo que de mais útil temos para dar aos outros.
Na vida económica, cultural, na política, assustam-me os teóricos, os que aprenderam tudo nos livros, nas universidades, os que conceptualizam a realidade!
Ninguém, a não ser por acaso, tomará boas decisões sobre matérias sobre as quais não desenvolveu uma teoria pessoal, fruto de muitas leituras, opiniões alheias, mas sobretudo duma vivência rica numa determinada área.
Temo os sabichões, cheios de certezas!
A sabedoria é uma atitude tolerante, disponível para aprender e mudar!
D. Quixote é alguém que conheceu primeiro o mundo pelos livros, ao contrário de Caeiro que enaltece "a espantosa realidade das coisas", e que ao tomar contacto com a realidade quer à viva força que ela corresponda ás fantasias que desenvolveu nas suas leituras alucinadas.
Vai daí, aqueles que lhe estavam próximos terem entendido que destruir a sua biblioteca era um acto de caridade!
Também desconfio daqueles que conhecem o Mundo dos livros (embora creia que estes são um património único, apesar da sua maioria ser dispensável).
A experiência vivida, se possível sem constrangimentos morais, ideológicos ou quaisquer outros preconceitos, é o nosso maior património e aquilo que de mais útil temos para dar aos outros.
Na vida económica, cultural, na política, assustam-me os teóricos, os que aprenderam tudo nos livros, nas universidades, os que conceptualizam a realidade!
Ninguém, a não ser por acaso, tomará boas decisões sobre matérias sobre as quais não desenvolveu uma teoria pessoal, fruto de muitas leituras, opiniões alheias, mas sobretudo duma vivência rica numa determinada área.
Temo os sabichões, cheios de certezas!
A sabedoria é uma atitude tolerante, disponível para aprender e mudar!
O meu poeta
Alberto Caeiro
A espantosa realidade das coisas
A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
7-11-1915
domingo, 24 de julho de 2011
Cristas sob observação
O assunto mereceria a atenção que se reserva a qualquer fait-diver, mas a verdade é que não me larga o pensamento!
O que pensar de uma ministra, que ocupando uma pasta vasta e crucial para o país - agricultura, pescas, ambiente, depois de mais um mês de governação, ainda só deu a conhecer esse momento lamentável de uma conferência de imprensa, para anunciar a dispensa, nas instalações do ministério, do uso de gravata!
É tão provinciano, tão medíocre, que assusta - a Doutora Cristas, é afinal a Dona Cristas, que dá uns bitaites na pastelaria do bairro, sobre coisas giras de fazer, sei lá ...
Este não é o meu tom habitual de comentar, mas anda um aperto a perturbar-me, que tenho de me ver livre dele!
É que eu já andava meio azucrinado, a Drª já estava sob observação de rating, com tendência para descer, desde o momento em que após a nomeação comentou descontraidamente que embora não percebesse nada da(s) pasta(s) que ia ocupar, isso não era problema porque também no Parlamento tinha sido nomeada porta-voz da Comissão do Orçamento, que era matéria que não conhecia e que agora no fim já conseguia interpretar um quadro orçamental... que era uma pessoa estudiosa e trabalhadora e que daqui a algum tempo já teria umas luzes sobre agricultura, etc, etc..
Só que não é suposto um cargo ministerial ser uma bolsa de estágio para curiosos - não há gente neste país que perceba das matérias sobre que tem de decidir ao mais alto nível?
Não me pareceria bem, se estivesse doente, ser observado por um advogado que andasse a ler umas coisas sobre doenças, nem entregaria o projeto da minha casa a um gestor que gostasse de folhear umas revistas de arquitetura!
E você?
(ainda por cima o Mar, tão nas bocas de todos, como um possível setor estratégico alternativo! )
Adenda: isto não tem nada de ideológico ou partidário, desejo a este governo a maior sorte, no meu interesse!, mas há coisas que me não dão paz, (o que não é de agora!), e quando vejo muito mais que o meu 14º confiscado (qual 50%!), começo a ficar muito exigente!
As ilhas Cies
O The Guardian em 2007, considerava as ilhas Cies, como a primeira praia das "10 mais" do Mundo.
A primeira é naturalmente aquela onde estivermos e nos sentirmos bem! Foi concerteza o que aconteceu ao avaliador inglês!
Andava há anos para uma visita e calhou agora.
Embarca-se em Vigo ou Baiona e em 50 minutos chega-se ao topo norte deste areal que aqui se vê.
Depois tem uma bela praia e alguns quilómetros de caminhos para explorar de uma ponta à outra da ilha.
As regras conservacionistas são estritas - o lixo, cada um carrega consigo, num saco que é atribuído na compra da passagem, nem a erosão de uma muleta é permitida na ilha ( quem precisar tem uns substitutos assentes em ventosas! ), dormir só num campismo com condições básicas, etc.
O sítio é de facto muito bonito, mas apesar de estar limitado o número de visitantes diários, não pense que se vai sentir o Robison Crusoé! Contudo, os visitantes dispersam-se e não há noção aflitiva de enchente!
Devo dizer que o que mais me intrigou (eu intrigo-me muito, como já devem ter reparado!), foi que num local em que a preocupação dominante é a proteção da vida selvagem e a defesa de qualquer agressão à Natureza, autorizassem umas centenas de animais a exporem-se ao sol inclemente, nas horas de maior radiação!...
Passei um belo dia, quiçá regresse para uma pernoita, que permitirá o desfrute do local em ambiente mais restrito, que bem merece!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
No Coração Desta Terra
1. Hoje, o meu pai trouxe para casa a sua noiva. Atravessaram planícies, toque-toque, numa carreta puxada por um cavalo, com uma pena de avestruz a adejar na cabeça, suja por causa da longa caminhada. Ou talvez tivessem sido puxados por duas mulas de plumas - também era possível. O meu pai vinha de fraque e cartola, a noiva trazia um chapéu de aba larga e um vestido branco apertado na cinta e no pescoço. Não posso contar mais pormenores a não ser que os invente, já que não os vi chegar. Estava no meu quarto, de portadas fechadas, no lusco-fusco esmeralda do fim de tarde, a ler um livro ou, o que seria mais provável, deitada, com uma toalha húmida nos olhos por causa da enxaqueca. eu sou das ficam no quarto a ler, a escrever ou curar a enxaqueca. As colónias estão cheias de raparigas assim, mas nenhuma, acho eu, tão radical quanto eu.
J.M. Coetzee (n.1940), escreve em 1977 "No Coração Desta Terra".
J.M. Coetzee (n.1940), escreve em 1977 "No Coração Desta Terra".
Um discurso obcessivo, prisioneiro da mente alucinada de Magda, uma "menina" colonial a quem a solidão numa quinta agreste da estepe africana, empurrou para a loucura.
Apontado como uma metáfora da situação social, cultural e rácica da África do Sul, o livro fez-me lembrar a estrutura narrativa de "Estorvo", o primeiro livro de Xico Buarque, de que não guardo boa memória.
Apesar do contexto concentracionário do monólogo, comum a ambos os livros, Coetzee revela uma mestria literária que faltou em Buarque.
Livro duro, sobre uma realidade em carne viva, em que o discurso vai vagueando por diferentes alternativas, aparentemente incompatíveis, mas provavelmente complementares - um pai distante ou um pai violador?, uma filha assassina ou uma cuidadora perdida?, uma patroa branca violada ou fantasias virginais doentias?, uma jovem madrasta concorrente ou uma criada violentada? ou tudo isso e mais a inexorável decadência de uma sociedade bipolar, na eminência de um conflito de povos e culturas?!
Escrita seca a condizer com a paisagem e o contexto histórico, no primeiro sucesso de uma carreira literária que passaria pelo Nobel - um autor a revisitar!
Escrita seca a condizer com a paisagem e o contexto histórico, no primeiro sucesso de uma carreira literária que passaria pelo Nobel - um autor a revisitar!
terça-feira, 19 de julho de 2011
O Original
Tiro ao Álvaro
De tanto levá "frechada" do teu olhar
Meu peito até parece, sabe o quê?
"Táubua" de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furá.
Teu olhar mata mais
do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que peixeira de baiano.
Teu olhar mata mais
que atropelamento de "automóver"
Mata mais
que bala de "revórver".
De tanto levá "frechada" do teu olhar
Meu peito até parece, sabe o quê?
"Táubua" de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furá.
Teu olhar mata mais
do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que peixeira de baiano.
Teu olhar mata mais
que atropelamento de "automóver"
Mata mais
que bala de "revórver".
Meu peito até parece, sabe o quê?
"Táubua" de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furá.
Teu olhar mata mais
do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que peixeira de baiano.
Teu olhar mata mais
que atropelamento de "automóver"
Mata mais
que bala de "revórver".
Tiro ao Álvaro!

O novo ministro da economia, transportes, energia e trabalho, é para a generalidade dos portugueses um desconhecido.
Depois do episódio inicial - "não me chamem ministro, chamem-me Álvaro", parece ter-se eclipsado da cena pública, mas deixou-me uma ponta de curiosidade em conhecê-lo melhor naquilo que parecia ser um misto de ingenuidade, inexperiência e euforia do poder!
Vai daí, depois de umas visitas ao seu blogue, comprei dois livros da sua autoria, um mais técnico - "O medo do insucesso nacional", outro do domínio do "ensaio filosófico" - "Diário de um Deus Criacionista".
Já vira referenciado esse particular do seu curriculum, por inúmeros comentadores, que seguramente não viram nem leram as obras - as edições são de 3000 exemplares e estão a ser vendidas a peso pelo editor. (É aliás uma tendência pós-moderna preocupante, de que o que conta é o ter publicado - tantos artigos, tantos livros, e não a natureza do que lá está!)
O Diário de um Deus Criacionista, publicado em 2007, numa altura em que o seu autor já tinha 35 anos e um doutoramento em economia, é um livro inquietante.
Não se percebe como alguém, já passada a conturbação hormonal da adolescência, é capaz de escrever aquele texto e além disso considerar que se tratava de matéria publicável.
Pondo-se no lugar de um Deus, seguramente consumidor de psicotrópicos, imagina-se como Criador de um Universo paralelo delirante, brindando-nos com pérolas inclassificáveis, como 3 páginas inteiras de designações para os dinossauros que imaginou, frases do tipo mmmuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitttttttttttttttttttttoooooooo iiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnnnnnntttttttttttttttttttteeeeeeeeeeeeee eeerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrreeeeeeeeeeeeeeeeeessssssssssssssssssssaaaaaaaaaaaannnnnteeeeeeeeee", a ocupar 3 linhas de texto com duas palavras inchadas e outros delírios de escrita e grafia que não se imaginariam fora de um diário adolescente.
De repente, o que tinha sido uma incipiente simpatia pelo personagem, transformou-se numa preocupação e um alerta para a necessidade de monitorização apertada, para alguém que ocupa atualmente um dos lugares chaves para o futuro do país.
O contexto fez-me recordar uma entrevista da mãe de José Sócrates a Herman José, num dia da mãe, numa altura em que o filho era há pouco tempo ministro do ambiente e em que expondo publicamente uma personalidade muito perturbada, anunciava ao país que o seu filho era um ministro de Geová, como ela, e que o seu Zé ia mudar Portugal - o que de facto aconteceu! (Curiosamente esta entrevista deve ter sido removida dos arquivos da RTP, pois nunca a consegui reencontrar!)
Os menos de 3000 portugueses que tiverem acesso a este livro, têm a obrigação moral de alertar o país para o risco em que está - depois não digam que não foram avisados!
(Lembram-se do último ministro da economia que saiu do Governo a fazer corninhos ...?)
sexta-feira, 1 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
ATÉ QUANDO AGUENTA O BURRO?
Aumento do IVA, IRS, IMI, IMT, impostos extraordinários sobre 13º mês, redução de 10% nos salários da Função Pública, aumento dos transportes, taxas moderadoras, fim de múltiplas isenções.
Quando perdermos o contacto com o solo, só nos restará espernear (ainda que não dê resultado nenhum!)
quarta-feira, 22 de junho de 2011
No Caminho!
Este blogue encontra-se em trânsito pedestre pelo Caminho Francês até Santiago, com um estreante de 11 anos!
Bom caminho!
Bom caminho!
sábado, 18 de junho de 2011
RECADO MUITO OPORTUNO!
Paul Krugman, 57 anos, prémio Nobel de Economia (2008), colunista do "The New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA), escreve um interessante artigo no NYT de 12/06/2011, sobre sistemas de saúde.
O artigo que pode ser lido aqui em inglês ou em português, diz coisas como as seguintes, que desde já deixo ao cuidado do novo ministro da saúde, com a gestão de um seguro privado de saúde no curriculo:
" De vez em quando, um político aparece com uma ideia tão má, tão disparatada, que quase ficamos satisfeitos. É que as ideias seriamente disparatadas podem ajudar a ilustrar a que ponto o discurso político descarrilou. (...)
Os Estados Unidos têm o sistema de saúde mais privatizado entre os países avançados. Também oferecem, de longe, a saúde mais cara, sem que isso represente vantagem clara de qualidade, apesar de todos esses gastos. A saúde é uma área na qual o setor público consistentemente faz um trabalho melhor que o privado, no controle de custos. (...)
Nada do que estou afirmando, é claro, deveria ser tomado como razão para complacência sobre a alta nos custos da saúde. Tanto o Medicare quanto os planos privados de saúde serão insustentáveis a menos que haja esforços sérios de controle de custos - do tipo prescrito no pacote de reformas da saúde e descrito pelos republicanos demagogos como "painéis da morte". "
O artigo que pode ser lido aqui em inglês ou em português, diz coisas como as seguintes, que desde já deixo ao cuidado do novo ministro da saúde, com a gestão de um seguro privado de saúde no curriculo:
" De vez em quando, um político aparece com uma ideia tão má, tão disparatada, que quase ficamos satisfeitos. É que as ideias seriamente disparatadas podem ajudar a ilustrar a que ponto o discurso político descarrilou. (...)
Os Estados Unidos têm o sistema de saúde mais privatizado entre os países avançados. Também oferecem, de longe, a saúde mais cara, sem que isso represente vantagem clara de qualidade, apesar de todos esses gastos. A saúde é uma área na qual o setor público consistentemente faz um trabalho melhor que o privado, no controle de custos. (...)
Nada do que estou afirmando, é claro, deveria ser tomado como razão para complacência sobre a alta nos custos da saúde. Tanto o Medicare quanto os planos privados de saúde serão insustentáveis a menos que haja esforços sérios de controle de custos - do tipo prescrito no pacote de reformas da saúde e descrito pelos republicanos demagogos como "painéis da morte". "
FLIP,FLAP! FLOP?
No novo Governo:
Por Formação:
Seis licenciados em Direito ( Paulo Portas, Miguel Macedo, A. Cristas, Aguiar Branco, P. Teixeira da Cruz, P. Mota Soares) - 50%
Quatro em Economia e Gestão ( P. Passos Coelho, Vitor Gaspar, Álvaro Pereira, P. Macedo) - 33%
Um matemático (N. Crato) e um Cientista Político (M. Relvas)
Por Nascimento:
Em reconhecimento pela sua infância passada em Angola, Passos Coelho convida 3 ministros (Cristas, Teixeira da Cruz, Relvas) angolanos!
Que pena não termos tido um primeiro, minhoto!
Por Formação:
Seis licenciados em Direito ( Paulo Portas, Miguel Macedo, A. Cristas, Aguiar Branco, P. Teixeira da Cruz, P. Mota Soares) - 50%
Quatro em Economia e Gestão ( P. Passos Coelho, Vitor Gaspar, Álvaro Pereira, P. Macedo) - 33%
Um matemático (N. Crato) e um Cientista Político (M. Relvas)
Por Nascimento:
Em reconhecimento pela sua infância passada em Angola, Passos Coelho convida 3 ministros (Cristas, Teixeira da Cruz, Relvas) angolanos!
Que pena não termos tido um primeiro, minhoto!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
O meu poeta é ...
A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
7-11-1915
“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.
1ª publ. in Athena, nº 5. Lisboa: Fev. 1925.
Enquanto isso, conforme explicam aqui ...
Fernando Pessoa disse que está bem mais leve depois que passou a ser um só. “Além de mala, aquele Alberto Caeiro não pegava ninguém."
Gavetas!

Hospital Sirah - Brasília, de João Filgueiras Lima (Lelé) - 1980

![[imgzoom-Morgana--5-tiroirs-Lago-refcam985-jaunebrillant.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJ22o5WqsTUwjrNoWKeAX85T18RmPj4T7LLvRTcGlMhyrxSUl4-CgmkJxLyd2wUrRnQSiEYEIYwl3DEwklO9MIHKh4MrzpRfC5pw10EOR3d6BMazmepP5f_ynx2w0erKm5ULhdXm-24pJN/s200/imgzoom-Morgana--5-tiroirs-Lago-refcam985-jaunebrillant.jpg)
Cómoda Morgana de Daniele Lago, para Lago (1996).
Hotel Axis, Viana do Castelo, de Jorge Albuquerque, 2008
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