ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe

- ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? - NÃO, SE PÁRAS, ESTÁS PERDIDO! Goethe



domingo, 17 de abril de 2011

SHOT ON YOU, MR. CADILHE!




Miguel Cadilhe, Poveiro com muitas certezas, resolve hoje apresentar no Público o seu plano de salvação para o País, já que para o BPN não teve quem o ouvisse.

E a que se resume o seu cogitado plano: determinava-se o património de cada português a 31 de Dezembro de 2011 (contas bancárias, imobilário, acções,etc) e aplicava-se um imposto "one shot" de 3 a 4%, que seria aplicado integralmente na redução da dívida pública, de forma a reduzirmos de uma penada o seu montante para menos de 60% do PIB, como está previsto pelas regras comunitárias.

Isto é, quem esbanjou e arruinou o país sai ileso, quem poupou, paga a crise!
Nunca a fábula da cigarra e da formiga foi tão preversamente contraditada!
Claro que me refiro sobretudo à classe média, pois as grandes fortunas não têm o património assim à mão de colher, em território nacional!
E ia jurar, Mr. Cadilhe, que nessa data tinha os seus bens agasalhados nalgum off-shore ou numa SGPS.

Agora que a ideia tem pernas para andar, tem!
O Bloco de Esquerda não deixará de apoiar este imposto sobre as fortunas, a Nobre direita reconhecerá que vindo dum Papa não é para ignorar e embora não se vá aplicar a 31/12/2010, ficará para uma próxima oportunidade.
E depois essa tentadora solução de se resolver tudo de uma vez e poder-se começar a gastar de novo, nova corrida, nova viagem...

Começa a estar na hora de mudar de praia!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Cidade e As Serras



Publicado em 1901, um ano após a morte de Eça de Queiroz, que não terminou sequer a revisão do manuscrito, A Cidade e as Serras é um livro divertido, muito ideológico e que mantém uma enorme actualidade (isto é, é intemporal, como toda a grande literatura!).

De todos os livros do Eça que em tempos li, era aquele do qual guardava uma imagem mais nítida e a impressão de mais ter influenciado a minha visão do Mundo.

A perspectiva mordaz sobre a civilização que constitui a primeira metade do livro, é muito próxima da que reaparece em Playtime (1967) de Jacques Tati - uma sociedade obcecada pela novidade, pelos gadgets tecnológicos e pelo formal em geral, mas desencantada e vazia de valores e objectivos concretos.
Eça de Queiroz contrapõe na segunda parte um romantismo bucólico, de exaltação da vida simples e natural do campo (neste caso, o Douro), ambiente em que Jacinto desabrocha para a realidade da vida (planta as árvores e tem os filhos!), conduzido pela amizade do seu companheiro serrano, Zé Fernandes.

Paris, retratado como o farol de uma civilização que só valoriza o lucro e o prazer, aparece como a quimera enganadora, enquanto a as rústicas terras de Tormes são descritas como uma bênção divina.
É um Eça de Queiroz culto, cosmopolita, que já tudo viu, leu e criticou, aparentemente reconciliado consigo mesmo e com o seu país, este que transplanta um sofisticado e enfastiado Jacinto, de Paris para os xistos durienses e o deixa feliz na sua pele de iluminado aristocrata, a exercer um humanismo caritativo.

Livro sobre o tédio do excesso - de bens, de informação, de tecnologia - é muito oportuno para uma geração (que inadequadamente chamam de rasca) que cresceu sem ter de enfrentar dificuldades materiais, de lutar pela sua liberdade, com acesso a conhecimento e informação nunca antes existentes e que parece tal como Jacinto enfastiada, sem motivação e que se vê no limiar de uma situação nova para a qual não estava preparada.

A única diferença é que não disporá dos "cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival" de Jacinto, que lhe permitiram a sua diletância de socialista idealista.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Aos partidos - 2ª pergunta: que modelo para a saúde?



Era importante saber o que pensam realmente fazer (se é que pensam!) os partidos, relativamente à organização do Sistema de Saúde!
Não me estou a referir a banalidades e generalidades do tipo "tendencialmente qualquer coisa", ou "permitir a concorrência entre os diferentes sectores".
A 2 meses da governação têm obrigação de terem ideias concretas sobre o que pretendem fazer e o dever moral de o divulgar previamente.

Pensam privatizar os hospitais? e os cuidados primários?

Como tencionam financiar o sector - manter o actualmente dominante sistema de "contra produção" (isto é quanto mais consultas, cirurgias se fizerem, mais recebem os prestadores) ou avançarem para a generalização do pagamento por capitação (isto é, a entidade responsável pela saúde de uma população recebe um tanto por habitante independentemente da estratégia que siga para assegurar o compromisso!)?

 Que política para o medicamento e para a sua distribuição? Avançar com o sistema público de distribuição ensaiado em alguns hospitais ou manter a indefinição? Comparticipar por princípio activo ou por percentagem?

Manter as Parcerias Público Privadas? Permitir o acesso dos cidadãos aos diferentes sistemas, ficando o Estado como pagador? Com que recursos? Com que controlo?

Já agora, sei que seria pedir muito, mas não ficava mal: quem será o ministro da Saúde, se ganhar?

A minha opinião:
Mexer num sistema com a dimensão e a complexidade do SNS é tarefa difícil e perigosa!

Primeiro dever-se-ia começar por arrumar e rentabilizar os recursos públicos existentes:
- Prosseguir a actual política de fusões, de que foi um bom exemplo a recente concentração das estruturas médicas de Coimbra, num único Centro Hospitalar!
- Definir uma estratégia de recursos humanos em exclusividade de funções para as unidades de saúde públicas, sem pressas, nem fundamentalismos!
- Desenhar uma rede de prestação de cuidados diferenciados, sem sobreposição de prestadores, de forma a rentabilizarem-se recursos e ganharem-se níveis de competência superiores!
- Criar centros nacionais de excelência para algumas patologias. públicos ou privados, que possam vir a disputar mercado no contexto europeu!
- Comparticipar os medicamentos por princípio activo, indepedentemente da marca prescrita, mantendo-se contudo esta liberdade!
- Prosseguir o programa de farmácias públicas!
- Na ausência de recursos públicos, ponderar a concorrência aberta com o sector privado, mas nunca, como tem sido política das PPP, retirando o ónus do risco ao investidor, ficando o Estado como garante do lucro!
- Aplicar universalmente os critérios de qualidade, sem distinção pela natureza pública ou privada da entidade, por entidade reguladora verdadeiramente independente,com poder!
- Generalizar o sistema de finaciamento por capitação, fazendo convergir os valores gastos por cidadão com a saúde ( que são actualmente muito mais elevados para um português do Sul, que para um do Norte!?).

No momento de assumir responsabilidades era bom saber o que pensam sobre estes assuntos, quem se candidata à função!
Será que vamos ter essa sorte, ou ficaremos por vacuidades?

A tal falta de bom senso!



A Câmara da minha cidade resolveu fazer uma campanha promocional, que tem um lema mensal: já foi o mês do vento, do calor e de não sei mais o quê.
Desconheço os custos da campanha e a sua utilidade: excepto se fôr para aumentar o amor próprio dos municípes, não lhe vejo o interesse.
A divulgação faz-se por enormes painéis colocados em diversos sítios da cidade, além de prospetos, mails, etc!

Até agora não me aqueceu nem arrefeceu (excepto talvez os bolsos, pelos custos, que presumo grandes, que terá!)!

Só que este mês, incomodou-me: uma cidade que até ostenta o atributo de cidade saudável, faz campanhas despudoradas em outdoors gigantes, ao consumo de acúcar na época pascal?
Não restará ninguém pensante nos centros de decisão deste país - anda a Direcção Geral de Saúde a investir na promoção de uma alimentação saudável e uma autarquia promove (com slogan e imagem a ajudar) a diabetes?

Agora o meu apelo: Esta Páscoa não ofereça guloseimas - além de contribuir para o arrefecimento económico da balança externa (o acúcar é maioritariamente importado!), também ajuda o metabolismo dos seus familiares e amigos!

quarta-feira, 30 de março de 2011

AOS PARTIDOS - PERGUNTA Nº 1 - ORGANIZAÇÃO TERRITÓRIO

Distrito de Viana do Castelo



Aproximando-se eleições para a Assembleia da República e tendo ainda fresca a (má!) memória das anteriores, em que nada se discutiu nem esclareceu, início hoje uma série de questões sobre as quais gostaria de saber o compromisso dos diferentes partidos, quanto à sua execução (sou um lírico, como podem verificar!).

Discutir o imediato - se se pede ajuda ao FMI, se se sobem impostos, etc. - é miopia! (Os míopes vêm mal ao longe, mas vêm ao perto com nitidez!)
O que temos de fazer é encarar os problemas de fundo da sociedade com determinação e desenrascarmo-nos no imediato, conforme pudermos - o contrário: fazer do imediato o essencial, será a garantia do desastre perpetuado.

Como vamos organizar o território?

Regiões - sim ou não? Se sim, quantas, com que competências?
Distritos - extinguem-se ou não? Se não, para que servem?
Concelhos e freguesias - definição de critérios demográficos e geográficos! População mínima, tempo e/ou distância de acesso à sede do concelho! Criação de associações de municípios, para rentabilização de estruturas comuns?

Desde já avanço com a minha opinião:
Regiões - não, excepto se se optar por um modelo de 3 continentais, que substituam os organismos regionais do poder central. Sem assembleias regionais, com executivos que substituiriam as Comissões de Coordenação Regional existentes.
Distritos - extinção dos Governos Civis, podendo persistir como mera divisão administrativa, para efeitos de organização do território.
Concelhos - Um concelho nunca poderia ter uma população inferior a 25 000 habitantes, excepto em circunstâncias geográficas que obrigassem a deslocações superiores a 45/60 minutos à sede do concelho. Nesse caso os concelhos promoveriam acordos de associação com vizinhos para utilizar estruturas em comum - empresas municipais, equipamentos desportivos, estruturas sociais e culturais (Comissões do Rend. Social de Inserção, CPCJ, certas vereações, eventualmente).

Este será um passo estruturante fundamental, com ganhos económicos e funcionais enormes e que só num contexto de crise/mudança será exequível!
A título de exemplo, no distrito onde resido, Viana do Castelo, só dois concelhos dos 10 existentes têm mais
de 25 000 residentes - Viana (91 000) e Ponte de Lima (44500)!
Arcos de Valdevez e Ponte da Barca juntos, teriam 37 000, Monção e Melgaço cerca de 29 000, Valença, Cerveira, Paredes de Coura e Caminha, 48 500!

Desta forma(ou com outra geometria demográfica), reduzir-se-iam 5 vereações, 5 assembleias municipais, 5 lotes de empresas municipais e uma infinidade de estruturas de outros ministérios (seg.social, educação, saúde, justiça) que implicam representação municipal. Isto apenas num universo de 250 000 portugueses (2,5 % da população nacional).
Em contrapartida os novos agregados municipais, ganhariam dimensão crítica, quer nos aspectos políticos como técnicos.

Haverá coragem das cúpulas partidárias ( dado a actual pulverização de competências, permitir distribuir empregos pelos militantes partidários, à custa do erário público!)?
Alguém falará disto?

domingo, 27 de março de 2011

MILITANTES



Nas directas do PS em que José Sócrates saiu escolhido, por preocupante unanimidade, para secretário geral - isto é candidato a primeiro ministro - o universo de votantes (isto é, de militantes partidários) era de 32000.
No caso do PSD, falou-se no ano passado, aquando das suas directas, num universo de 78000 militantes, embora nunca tenha sido esclarecido se todos teriam direito a voto, isto é, as quotas em dia.

O que me interessa aqui interrogar, é se existe democracia num sistema político, em que na realidade são uns escassos milhares de indivíduos, que decidem quem virá a ser, em futuras eleições o primeiro ministro do país.

Os cidadãos eleitores, têm depois uma opção real, entre duas figuras pré-determinadas.

Não sendo eu politólogo, parece-me que algo está errado e perverso neste sistema!
O modelo americano das primárias partidárias, que parece estar na origem do nosso, ocorre num contexto sócio-político completamente diverso - a eleição do candidato de cada partido tem uma participação pública intensa, não só na discussão de ideias e projectos, como na participação numérica dos eleitores.

Isto são assuntos vitais a ser discutidos, se queremos que a democracia perdure!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Lembrar



Muitos chocaram-se quando Emídio Rangel disse que se podia vender um presidente pela televisão.

Enquanto líderes, Santana e Sócrates (S&S) são, em parte, uma criação de Rangel. Ele vendeu-nos estes líderes.
Na SIC, Santana Lopes participou no seríissimo concurso da Cadeira do Poder e comentou nesse símbolo de seriedade analítica chamado Donos da Bola.
Sócrates também comentou na SIC de Rangel e depois transferiu-se com ele e com Santana para a RTP. Na altura, escrevi aqui que S&S estavam no Telejornal, não para comentar, mas no âmbito da sua própria ascensão política. Souberam juntar o estrelato televisivo à ligação ao aparelho partidário.
Quanto a ideias políticas, ainda estamos para lhes conhecer uma que seja. Mas isso que interessa, se com o aparelho mediático levam os partidos ao poder, e com eles os interesses que se identificam consigo e com os seus partidos?
Embora com passagens por cargos políticos, S&S são, como ansiados líderes, criaturas da televisão.
O futuro próximo reserva-nos uma grande dislexia política: a informação "política" na televisão irá em grande parte concentrar-se naquilo que na política não é política, as performances pessoais de representação dos dois principais dirigentes partidários.
S&S tentarão evitar o populismo espampanante, que não cola bem com a nossa vivência colectiva actual, tentando esconder o máximo tempo possível, com a performance televisiva, os interesses político-económicos.
Os primeiros dias de Santana mostram o que nos espera: imensa agitação mediática em torno de nomes (o novo ministro tal será anunciado às 18h10 ou às 18h46?), um governo formado na televisão; zero de política.
É definidor da política actual que S&S tenham chegado ao poder pela televisão; que dois canais - a SIC e depois a RTP no tempo do socialista João Carlos Silva - tenham promovido deliberadamente estes dois ambiciosos políticos, apresentando-os como "comentadores". Venderam-nos gato político por lebre comentadora.

O que leram são extractos de um artigo da coluna Olho Vivo de Eduardo Cintra Torres de 2004, nos primeiros tempos do governo Santana Lopes.

Estaremos a chegar ao fim dum ciclo desastroso? Temo que não!

quarta-feira, 23 de março de 2011

quem está fora racha lenha



Tenho para mim que o período menos recomendável da governação portuguesa recente, foi o Governo Santana Lopes.
Agora a personagem é comentador televisivo à terça feira - e não é que ontem até o achei com razão e oportunidade no que dizia! É esperto, bem falante, sedutor!

De facto estar de fora a mandar uns bitaites é muito diferente de ter a responsabilidade nas mãos!
Ser um bom opinador não dá qualquer garantia de qualificação para a governação.

O nosso azar é que o alfobre de onde saem os decisores, é o das figuras mediáticas!

1=0

socratespinoquio Sócrates: o pinóquio

Na lógica que tenho visto por todo o lado, hoje o dito Pec4 iria a votação, não teria apoio parlamentar e em consequência o primeiro ministro demitir-se-á!

Algo me diz que não será assim - é que o primeiro ministro foi mal interpretado e só sugeriu esse cenário à Ana Lourenço e era evidente que estava perturbado...

Ou dito de outra forma -  se de facto se demitir, é então verdade que despoletou intencionalmente todo este processo e os outros caíram na esparrela!

terça-feira, 22 de março de 2011

RACIONALIDADE




Será possível um colectivo alargado agir racionalmente?
Isto é, cada um secundarizar o seu interesse particular em prol de uma atitude mais lógica do ponto de vista do grupo e por consequência também mais benéfica para todos!
Ou seremos incapazes de ir para além da lógica democrática - que neste caso contabiliza a soma das objecções individuais, como uma força de bloqueio ao interesse geral!

Almejo uma sociedade em que a racionalidade e o desprendimento individual fosse a orientadora das decisões - mas tenho plena consciência que nunca viverei em tal circunstância.

Para não falarmos sempre da crise que nos assola, tentemos um exemplo mais distante.

Após o terramoto de 1755 e face a toda evidência científica entretanto conhecida - de que Lisboa assenta sobre uma importante falha sísmica e que mais decénio, menos decénio, voltará a sofrer uma inevitável catástrofe - faz algum sentido um país continuar a concentrar os seus recursos económicos, demográficos, organizacionais, nesse local?

A mesma lógica que nos impediu de antecipar e evitar o actual desastre económico (que era previsto pelos economistas e políticos sérios há décadas), leva-nos  a nem equacionar a questão anterior como razoável!
E contudo, um dia a capital voltará a ir abaixo!

Outras coisas que se aprendem com a experiência são, que nem vale a pena ficar perturbado por se ver mais longe que os outros, nem se ganha reconhecimento por se ter razão antes do tempo.

O inconsciente colectivo é em regra irracional, e mesmo quando a questão da sobrevivência se coloca, é pela soma dos medos individuais que surgem alguns comportamentos redentores.
Só que o medo nunca foi bom conselheiro ...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Repensar a sociedade



O futuro não depende de trocar um mentiroso por um presumido á frente dos destinos da nação!
Nem por arranjar dinheiro para pagar a dívida que vence na próxima semana - e dar isso como uma vitória do país!
Temos que repensar a forma de estar no Mundo!

Os pensadores nem sempre estão certos - mas fazem um esforço e põem-nos na esteira de novas realidades!

Paul Krugman, que pode e deve ser lido na íntegra aqui, considera:

"O que não podemos é chegar onde queremos, distribuindo mais formação universitária a torto e a direito. Podemos estar apenas a vender bilhetes para empregos que já não existem, ou então que não asseguram salários de classe média."

Num país que se tercearizou aceleradamente e em que o lobby da educação é um dos que tem o poder capturado, esta reflexão é uma das mais prementes!

Formar jovens em competências técnicas específicas (enfermeiros, médicos, advogados, psicólogos, relações internacionais,etc,etc), quando se sabe que a sociedade não terá capacidade para utilizar esses profissionais, é cometer um disparate e um crime.
Primeiro estão-se a desperdiçar recursos que muita falta fariam noutros sítios; depois estão-se a criar expectativas que só gerarão frustração e infelicidade.
Tudo isto apenas a troco de se manter a fileira do ensino superior, em actividade.
Sabemos que esta realidade não é nenhum segredo para os altos responsáveis do sector, só que infelizmente vivemos numa sociedade em que ninguém quer levantar ondas, mesmo que mais dia menos dia venha a ser afundada por um maremoto.
Que é quase a situação actual - continuar a pedir dinheiro para o derramar sobre os erros, é insano!
Mas infelizmente ainda não se divisam sinais de uma nova atitude.

Bom fim de semana!

quarta-feira, 16 de março de 2011

SÓCRATES SOUND PROJECT



Quem já tiver passado umas horas numa esplanada ou numa discoteca ou em qualquer espaço "chill-out" com um DJ a "compôr" um projecto musical, sabe do que falo - sobre uma melopeia electrónica repititiva, harmónicamente inalterada e recorrente, vão-se inserindo uns samplers de vozes, instrumentos, extractos de músicas conhecidas e aumentando ou diminuindo o ritmo e o volume, criando-se a ilusão de que se está a fazer música.
O resultado é uma melopeia inebriante, entorpecedora, viciante mesmo para alguns, que retira qualquer vontade de fazer ou pensar no que quer que seja.
Já conhecia o Ibiza sound project, o Pacha s.p., o Andorra s.p., etc..., e ontem tive oportunidade de assistir na SIC à apresentação do Sócrates Souns Project.
Perante uma das melhores entrevistadoras que a televisão portuguesa conheceu, o primeiro ministro repetiu até à náusea o mesmo discurso que já lhe conhecemos há anos, com as tais ligeiras variações para aparentar diferença, mas que retornam sempre ao mesmo registo base, encantatório e anestesiante.
Ana Lourenço, tinha que abanar a cabeça de vez em quando para não se deixar enredar na cantiga do bandido e escapar ao hipnotismo em que se encontra de resto, grande parte do país.
E prontos: o homem que detém a verdade e não desiste, agarra-se agora à ameaça exterior (já não são os espanhóis, nem os comunistas, é o FMI!) para se perpetuar no poder!
O medo é paralisante e a sua melopeia (Sócrates Sound Project) também!
Acordemos deste pesadelo!

segunda-feira, 14 de março de 2011

A geração que desatasca!

A Nêspera

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

in Novos Contos do Gin

quinta-feira, 3 de março de 2011

Próxima semana!




Estacionarei diariamente neste ponto!

Experimentalismo Social

Professor John List

Já me interroguei muitas vezes se algumas práticas sociais tidas como adequadas e incontestáveis, não poderiam eventualmente resultar de avaliações preconceituosas, de interesses de grupos profissionais ou da simples inércia das ideias feitas.

Tomemos por exemplo uma criança com dificuldades de aprendizagem. Consensualmente se considera que se deve investigar exaustivamente a origem do problema (testes genéticos, metabólicos, sofistificados exames de imagem, avaliações cognitivas, etc, etc.), promover os apoios possíveis (professores de ensino especial, terapeutas várias, estimulação precoce, etc., etc), exigir das famílias disponibilidade permanente para frequentar hospitais, centros de apoio, associações de doentes, etc,etc.
Frequentemente deparámo-nos com contextos familiares carenciados tanto económica, como culturalmente e muitas vezes me interrogo, se uma percentagem diminuta dos recursos alocados anualmente àquela criança (dezenas de milhares de euros, com facilidade!), fosse canalizada para apoiar genericamente a família, se daí não resultaria um benefício concreto superior, para  a criança!
Só o esboço desta hipótese me expõe perigosamente aos sacerdotes do politicamente correcto e/ou a uma cada vez maior horda corporativa dependente das "políticas sociais", mas tal circunstância não nos deve impedir de pôr em causa as ideias feitas, visando sempre utilizar da forma mais racional os recursos existentes, com o melhor proveito para os seus destinatários.

 John List, um professor de economia da Universidade de Chicago, conseguiu reunir um fundo de 10 milhões de dólares, para conduzir uma experiência ( A Experiência Griffins) que envolve 600 crianças de áreas carenciadas, testando a maneira mais eficaz de apoiar o seu desenvolvimento e educação.
Embora a experimentação científica seja uma prática habitual, por exemplo, na área médica, nas políticas sociais é pouco comum desenharem-se estudos de larga escala, com metodologia científica, testando várias hipóteses de intervenção.
List dividiu as 600 crianças (entre 3 e 5 anos) em três grupos - o primeiro terá acesso gratuito a ensino qualificado, no segundo os pais ou responsáveis receberão formação de parentalidade e um subsídio anual de 7000 dólares (equivalente aos recursos aplicados no primeiro grupo) e um terceiro não terá qualquer tipo de incentivo.
O estudo monitorizado pela Universidade de Chicago e de Harvard, deverá seguir por toda a vida os selecionados, avaliando o seu aproveitamento escolar, taxas de abandono, qualificações académicas atingidas e mais tarde na vida adulta as carreiras profissionais, níveis de rendimento, registos criminais, etc.
A ideia de List, de 41 anos e no topo duma lista internacional dos mais importantes e influentes economistas com menos de 15 anos de actividade,  é que o Estado põe "demasiados ovos no cesto das crianças", esquecendo os pais.
Os primeiros resultados estarão disponíveis já este ano, mas trata-se de uma experiência com objetivos de longo prazo.

Esta experiência, quer pela sua magnitude, como pelo facto de assentar em pressupostos económicos e não pedagógicos, está certamente no centro de uma grande polémica - mas tem a virtude que é suposto a ciência ter: pôr em causa as ideias feitas, testar hipóteses, mesmo as que possam parecer mais disparatadas!
De resto experiências deste tipo, em larga escala e com orçamentos exponencialmente superiores, é o que tem sido a política de educação em Portugal nos últimos decénios, sem que aparentemente se chegue a qualquer conclusão consensual e satisfatória.

Ainda vamos a tempo?

Eu que desde há algum tempo tenho vindo a adaptar (adatar?) a minha ortografia ao novo acordo, tenho sido sensível - até reforçado por essa experiência - aos argumentos dos seus opositores!
Aqui fica mais um em forma de quadro, sobre esse óbvio erro que nos preparamos para cometer, deslumbrados pela modernidade e pela nossa "vocação atlântica".



Vou voltar a escrever como aprendi, tirando alguns casos em que me parece óbvia a sua desadequação (esse é aliás um dos perigos da revisão ortográfica - cada um passar a escrever como lhe apetece!)

Óscar 2011 para bicicletas e Solex

O óscar para curtas metragens foi atribuído a este filme sobre saudade, que se passa entre bicicletas, apenas incomodadas por uma fugaz Solex.
(Father and Daugther - cerca de 9 minutos)
Também por iso não poderia deixar de o recomendar!