ESTOU PERDIDO, DEVO PARAR? NÃO SE PÁRAS ESTÁS PERDIDO! Goethe

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sábado, 20 de agosto de 2011

ELOGIO DA EXPERIÊNCIA

Agora que me pus a ler o D. Quixote, descubro todos os dias nos jornais, nos blogues, que é um autor da moda ... com 400 anos de tarimba, o que é uma garantia incontornável!

D. Quixote é alguém que conheceu primeiro o mundo pelos livros, ao contrário de Caeiro que enaltece "a espantosa realidade das coisas", e que ao tomar contacto com a realidade quer à viva força que ela corresponda ás fantasias que desenvolveu nas suas leituras alucinadas.

Vai daí, aqueles que lhe estavam próximos terem entendido que destruir a sua biblioteca era um acto de caridade!

Também desconfio daqueles que conhecem o Mundo dos livros (embora creia que estes são um património único, apesar da sua maioria ser dispensável).
A experiência vivida, se possível sem constrangimentos morais, ideológicos ou quaisquer outros preconceitos, é o nosso maior património e aquilo que de mais útil temos para dar aos outros.
Na vida económica, cultural, na política, assustam-me os teóricos, os que aprenderam tudo nos livros, nas universidades, os que conceptualizam a realidade!

Ninguém, a não ser por acaso, tomará boas decisões sobre matérias sobre as quais não desenvolveu uma teoria pessoal, fruto de muitas leituras, opiniões alheias, mas sobretudo duma vivência rica numa determinada área.
Temo os sabichões, cheios de certezas!

A sabedoria é uma atitude tolerante, disponível para aprender e mudar!

terça-feira, 22 de março de 2011

RACIONALIDADE




Será possível um colectivo alargado agir racionalmente?
Isto é, cada um secundarizar o seu interesse particular em prol de uma atitude mais lógica do ponto de vista do grupo e por consequência também mais benéfica para todos!
Ou seremos incapazes de ir para além da lógica democrática - que neste caso contabiliza a soma das objecções individuais, como uma força de bloqueio ao interesse geral!

Almejo uma sociedade em que a racionalidade e o desprendimento individual fosse a orientadora das decisões - mas tenho plena consciência que nunca viverei em tal circunstância.

Para não falarmos sempre da crise que nos assola, tentemos um exemplo mais distante.

Após o terramoto de 1755 e face a toda evidência científica entretanto conhecida - de que Lisboa assenta sobre uma importante falha sísmica e que mais decénio, menos decénio, voltará a sofrer uma inevitável catástrofe - faz algum sentido um país continuar a concentrar os seus recursos económicos, demográficos, organizacionais, nesse local?

A mesma lógica que nos impediu de antecipar e evitar o actual desastre económico (que era previsto pelos economistas e políticos sérios há décadas), leva-nos  a nem equacionar a questão anterior como razoável!
E contudo, um dia a capital voltará a ir abaixo!

Outras coisas que se aprendem com a experiência são, que nem vale a pena ficar perturbado por se ver mais longe que os outros, nem se ganha reconhecimento por se ter razão antes do tempo.

O inconsciente colectivo é em regra irracional, e mesmo quando a questão da sobrevivência se coloca, é pela soma dos medos individuais que surgem alguns comportamentos redentores.
Só que o medo nunca foi bom conselheiro ...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Circunstâncias!

Já agora, quem disse "Eu sou eu, mais a minha circunstância"?

Também disse, explicando melhor:

"A vida, que é, antes de tudo, o que podemos ser, vida possível, é também, e por isso mesmo, decidir entre as possibilidades, o que em efeito vamos ser.
Circunstâncias e decisão são os dois elementos radicais de que se compõe a vida.
A circunstância – as possibilidades – é o que da nossa vida nos é dado e imposto. Isso constitui o que chamamos o mundo. A vida não elege o seu mundo, mas viver é encontrar-se, imediatamente, em um mundo determinado e insubstituível: neste de agora. O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida.
Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajectória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que caímos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajetória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos... a eleger. Surpreendente condição a da nossa vida!

Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo.
Nem mum só instante se deixa descansar a nossa actividade de decisão.
Inclusivé quando desesperados nos abandonamos ao que queira vir, decidimos não decidir.

É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias».

Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter. "


Esta atitude filosófica é antagónica da de Herédoto que afirmou:

São as circunstâncias que governam os homens, não os homens que governam as circunstâncias !

E você já agora, que acha?